Olá amigos,

além da gestão do conhecimento, da aprendizagem organizacional, da ontologia da linguagem e das modernas práticas de gestão, eu também me interesso por cinema. Na verdade, sou apaixonado por filmes, apesar de atualmente, devido aos compromissos profissionais e com o Mestrado, eu ter de admitir que a designação mais adequada para mim seria a de um cinéfilo “não-praticante”. De qualquer forma, após alguns meses longe da sétima arte, ontem eu fui ao cinema para assistir “Anjos e Demônios”, filme baseado no best-seller de mesmo nome do autor Dan Brown.

anjosdemnios

Confesso que não foi sem receio que escolhi esse filme para meu retorno às confortáveis poltronas do cinema, principalmente depois de minha profunda decepção com “O Código Da Vinci”, adaptação para o cinema de outro sucesso de vendas de Dan Brown. Mas creio que os produtores aprenderam com as falhas do primeiro filme, pois em “Anjos e Demônios” a adaptação do roteiro foi muito melhor realizada e, ao contrário de seu predecessor, o ritmo do filme não é excessivamente acelerado, permitindo que o espectador acompanhe a história sem ter a sensação de estar em uma corrida de 100m rasos.

De qualquer forma, ainda fica evidente a dificuldade de se adaptar a obra de Dan Brown para o cinema. Seu estilo fascinante de construir histórias, apresentando-as como uma série de retalhos ricos em importantes detalhes, que vão sendo brilhantemente costurados até o inesperado final, ainda representa um desafio para os roteiristas que precisam empacotar essas fantásticas ideias no formato comercial da indústria de Hollywood.

De qualquer forma, minha opinião é que “Anjos e Demônios”, apesar de ainda estar aquém do livro, é um bom filme e vale o ingresso. A pergunta que fica é: será que veremos em breve “A Fortaleza Digital” e “Ponto de Impacto” nas telonas? Muito provavelmente sim, afinal de contas, seja com um roteiro bom ou sofrível, o fato é que esses filmes são sucesso de bilheteria garantido.

abraço,

Marcelo Mello

Publicado por: Marcelo Mello | 02/07/2009

A empresa emergente – O ser humano e a linguagem

“Para existir, o ser humano tem que ser capaz de conferir sentido à vida. Deve estar em condições de alimentar permanentemente o juízo de que sua existência ‘tem sentido’…

Sob essa mesma perspectiva, a verdade não é senão um caminho, um deslocamento permanente, nunca um lugar ao qual se possa chegar para ficar.
Heidegger * sustenta que essa forma particular de ser, que somos seres humanos, está fundada na linguagem. É nossa capacidade de linguagem que determina que tenhamos essa forma particular de ser e a existência que lhe corresponde. A linguagem, diz Heidegger, ‘é a morada do ser’. É graças à linguagem que o ser humano se interroga, pergunta por seu ser e iniciar a busca do sentido. A linguagem lhe permite entrar em conversação consigo mesmo e com os outros. Somos uma conversação, nos diz Heidegger. No fundo dessa conversação está sempre o problema do ser do qual todo ser humano se vê obrigado a carregar. A linguagem é o que faz humanos os seres humanos.”

extraído do livro “A empresa emergente” de Rafael Echeverría, pág. 96.

heidegger* O filósofo alemão Martin Heidegger, falecido em 1976, foi um dos mais influentes pensadores do século XX. Abandonando a teologia, mergulhou nos gregos para tentar encontrar neles a substância que de alguma forma amparasse o homem contemporâneo num mundo desesperançado de Deus. Erguendo-se contra a tradição metafísica, voltou-se para o ser (ontologia), procurando encontrar um norte num cenário onde os valores da religião e da metafísica haviam sido abalados até as suas raízes. (fonte: http://educaterra.terra.com.br/voltaire/cultura/heidegger.htm)

Publicado por: Marcelo Mello | 24/06/2009

GRO – Este é apenas o começo…

Caros amigos,

hoje quero compartilhar com vocês um momento único em minha vida: acabo de chegar do último encontro da disciplina de GRO – Gestão dos Relacionamentos nas Organizações, parte do Programa de Mestrado em Gestão do Conhecimento e da Tecnologia da Informação da Universidade Católica de Brasília e ministrada pelo amigo e professor Gentil de Lucena Filho, com a participação de sua esposa Margarita e do professor Rodrigo Pires. Como era nossa última aula, nossa turma decidiu organizar um encontro diferente, com comes e bebes, além de uma brincadeira de troca de presentes (organizada nos últimos dois dias via troca de emails).

Mas o que marcou profundamente essa noite memorável foi a conversa que mantivemos durante algumas horas, na qual cada um de nós compartilhou, de forma sincera e tocante, as dificuldades, emoções, sofrimentos, angústias, vitórias e transformações vivenciadas ao longo dos últimos meses. Foram muitas as declarações poderosas, os juízos e as afirmações expostas, muitos foram os depoimentos acerca do “dar-se conta” e várias foram as histórias de vida compartilhadas com o grupo.

A cada fala, um após um, eu fui ficando maravilhado com o contexto de confiança que se criou entre nós. As coisas que foram ditas, e da forma que o foram, só poderiam ter lugar em um “espaço sagrado” como o que foi construído na disciplina de GRO, espaço este pautado pelo respeito e legitimação do outro, pelo aprendizado mútuo e, sobretudo, pela ética do amor.

Meu juízo, que não é (e nem tem a pretensão de ser) nada mais nem nada menos que meu juízo, é que nosso encontro dessa noite foi a materialização da distinção da “Presença”, descrita por Peter Senge e outros autores no livro que leva o mesmo nome como o ato de “ver a partir da fonte mais profunda e fazer-se de veículo para essa fonte”. Creio que foi exatamente isso o que ocorreu conosco: cada um de nós e nós todos como grupo passamos a ver e agir a partir de uma fonte mais profunda e a refletirmos essa fonte e isso só foi possível por que, ao longo do semestre, trilhamos juntos um caminho que passou pela suspensão de nossos modelos mentais e pelo redirecionamento de nossa atenção.

Creio que para além de todo o valioso referencial teórico explorado e das respectivas distinções dele depreendidas, o grande aprendizado resultante dessa jornada de GRO foi a consciência de somos seres humanos, constituídos por nosso corpo, linguagem e emocionalidade e que é na relação com os outros que encontramos o sentido de nossa existência.

Por fim, penso que a beleza e profundidade do fenômeno que vivemos juntos ao longo desses quatro meses e que culminou com maravilhoso encontro dessa noite, podem ser representadas por uma frase de Dee Hock em seu livro “Nascimento da era caórdica”:

“A vida é uma dádiva que traz uma dádiva, que é a arte de dar.”

Muito obrigado ao professor Gentil e a sua esposa Margarita, muito obrigado ao professor Rodrigo e muito obrigado a cada um de meus amigos e companheiros de jornada. Que possamos cada vez mais nos darmos, integra e sinceramente, aos outros e ao mundo e, assim, recuperarmos o sentido mais profundo de nossa humanidade.

grande abraço,

Marcelo Mello

P.S.: este post foi escrito ao som do CD “Vitor & Léo, ao vivo em Uberlândia”, meu presente em nossa brincadeira de “amigo secreto”.

Caros amigos,

acabei de realizar uma apresentação no Mestrado como trabalho final para a disciplina de Teoria da Complexidade. Em minha apresentação procurei explorar as conexões entre a crise vivenciada pelas organizações tradicionais (herdeiras da Revolução Industrial) e a Complexidade, apresentando as idéias de Dee Hock em seu livro “Nascimento da era caórdica” como uma alternativa para o futuro dessas organizações. A quem interessar, compartilho o arquivo contendo minha apresentação:

Complexidade e Organizações

grande abraço,

Marcelo Mello

Publicado por: Marcelo Mello | 10/06/2009

Metamanagement – Um pouco mais sobre as inferências

Olá pessoal,

acabei de reler o capítulo do livro Metamanagement que trata das inferências e de seu papel crucial nas interações humanas. Nesse texto, Kofman nos explica que a capacidade de fazer inferências é extremamente útil para que nós, seres humanos, possamos operar no dia a dia, tomando as inúmeras decisões e executando as respectivas ações necessárias à nossa sobrevivência. Ele também concebe esse processo como uma escada, a escada de inferências, cujos degraus são os seguintes:

  1. dados objetivos da realidade: as observações ou fatos imediatamente verificáveis para qualquer observador;
  2. interpretações: o quadro de situação subjetivo que você arma a partir daquilo que observa, supõe e infere;
  3. juízos: as opiniões que temos sobre o que acontece ou interpretamos que acontece. Essas opiniões surgem da comparação de nossa interpretação com valores e parâmetros;
  4. conclusões e as decisões sobre como agir: dada  a interpretação da situação e os juízos que fazemos dela, tomamos decisões;

Ainda segundo Kofman, o modelo mental de cada pessoa funciona como o “corrimão” da escada de inferências, condicionando as observações e orientando as interpretações, juízos e as conclusões. E é exatamente aí que reside o principal risco do processo de inferir, a saber, subir de forma precipitada e inconsciente os degraus de nossa escada de inferências, chegando ao topo, ou seja, às decisões e ações, por meio de observações, interpretações e juízos inválidos. É fato que as pessoas possuem modelos mentais diferentes, resultado de todas as experiências acumuladas ao longo da vida e quando alguém esquece que suas inferências (observações, interpretações, juízos e conclusões)  são condicionadas por seu modelo mental e que este, por sua vez, longe de ser um reflexo objetivo da realidade, representa apenas uma visão pessoal dessa realidade, aí é que emergem as decisões, as discussões e os conflitos que podem inviabilizar a coordenação de ações entre os indivíduos.

Escada de inferências

Escada de inferências

Para prevenir que tal situação ocorra, Kofman nos sugere algumas estratégias para melhorar a efetividade de nossas conversações:

  • Reconhecer que as observações, interpretações, opiniões, conclusões e recomendações que você tem em mente são condicionadas pelo seu modelo mental;
  • Indagar sobre os dados, raciocínios e objetivos do outro. Fazer perguntas que o convidem a descer a escada de inferências;
  • Revelar os próprios dados, raciocínios e objetivos. Descer a escada de inferências à vista do outro;
  • Verificar as inferências sobre os modelos mentais dos outros. Não acreditar que você consegue ler a mente deles e descobrir quais são suas intenções, desejos, temores, preocupações e interesses;
  • Pedir exemplos ou ilustrações. Tornar concretas as abstrações;

Entendo que o processo de fazer inferências é parte indissociável de nossa atuação como seres humanos, mas precisamos estar muito atentos a cada degrau na subida em nossa escada de inferências, lembrando sempre que interagimos com outros seres humanos, que possuem modelos mentais muitas vezes completamente antagônicos aos nossos, mas que são igualmente legítimos, e que o caminho para o acordo e a colaboração passa, necessariamente, pela substituição do desejo de “vencer a disputa” por uma incessante busca pelo respeito e pelo aprendizado mútuos.

Por fim, compartilho com vocês mais uma singela história, também extraída do livro Metamanagement, e que ilustra o poder e os perigos de nossas inferências:

Na plataforma da vida

biscoitos
Naquela tarde, a elegante senhora chegou à estação e foi informada de que seu trem partiria com uma hora de atraso.

Contrariada, a senhora comprou um pacote de biscoito, uma garrafa de água e uma revista para passar o tempo.

Procurou um banco na plataforma central e sentou-se para esperar.

Enquanto folheava a revista, um rapaz se sentou ao seu lado e começou a ler o jornal. De repente, sem dizer uma só palavra, o rapaz estendeu a mão, pegou o pacote de biscoitos e se pôs a comê-los despreocupadamente.

A senhora ficou furiosa. Não queria ser grosseira, mas era impossível aceitar passivamente aquela situação ou fazer de conta que nada estava acontecendo. Ela então, com um gesto enfático, pegou o pacote e tirou um biscoito. Acintosamente, fitando o rapaz nos olhos, ela comeu o biscoito.

Como resposta, o rapaz pegou outro biscoito e, olhando a senhora nos olhos, sorriu e comeu o biscoito.

A senhora, já enfurecida e com visíveis sinais de raiva, manteve os olhos fixos no rosto do rapaz e comeu outro biscoito.

E assim continuou aquele silencioso diálogo de olhares e sorrisos entremeado por biscoito e biscoito, ela cada vez mais irritada e ele cada vez mais sorridente.

Finalmente, a senhora percebeu que só restava um biscoito. “Ele não pode ser tão cara-de-pau”, pensou, olhando alternadamente para o rapaz e para o pacote.

Com toda a calma, o rapaz estendeu a mão, pegou o último biscoito e delicadamente quebrou-o ao meio.

Com um gesto amoroso, ofereceu uma parte à sua companheira de banco.

- Obrigada! – disse a senhora, pegando a metade de biscoito com rudeza.

- De nada – respondeu o rapaz com um sorriso doce, enquanto comia sua metade.

E então o trem anunciou sua partida.

A senhora se levantou, furiosa, e embarcou.

O trem partiu e a senhora, pela janela do vagão, viu o rapaz ainda sentado na plataforma e pensou: “Mas que insolente, que mal-educado! O que será do mundo com uma juventude assim?!”

Ainda olhando o rapaz, cheia de ressentimento, a senhora sentiu a boca seca, tamanha era a raiva que aquela situação lhe tinha provocado. Abriu a bolsa para pegar a garrafa de água e ficou totalmente surpresa ao encontrar lá dentro, intacto, o seu pacote de biscoitos.

união

Grande abraço e boas inferências a todos,

Marcelo Mello

Leia outros posts sobre Inferências publicados neste blog:

Uma vida e muitas sentenças
Inferências

Prof. Mário Sergio Cortella

Prof. Mário Sergio Cortella

Caríssimos amigos,

na última quinta-feira tive o privilégio de participar de uma palestra com o filósofo, professor e escritor Mário Sergio Cortella. O evento ocorreu no auditório do Complexo de Tecnologia do Banco do Brasil em Brasília (meu local de trabalho) como parte da edição 2009 do “Ciclo do Conhecimento”, promovida pela Diretoria de Tecnologia do Banco do Brasil.

O auditório estava lotado para receber o sempre simpático professor Cortella que com seu imenso carisma e vastíssimo conhecimento conduziu a audiência durante aproximadamente 2 horas por reflexões, ao mesmo tempo simples e profundas, acerca de nossa responsabilidade perante nosso planeta. Com muito bom humor e inteligência ele nos falou sobre o ritmo acelerado das mudanças que caracteriza nossa sociedade atual, assim como explicitou sua posição de que a crise pela qual o mundo atravessa é muito mais uma crise ética do que econômica e instigou-nos a refletir intensamente sobre a formação que temos dado aos nossos filhos. Acerca deste ponto em especial, ele citou uma frase bastante impactante: “O mundo que vamos deixar para nossos filhos depende fundamentalmente dos filhos que vamos deixar para esse mundo“.

Cortella afirmou ainda que a Sustentabilidade depende de cada um de nós, de nossas pequenas ações, as quais devem ser fundamentadas naquilo que é eticamente certo e não apenas no que se apresenta operacionalmente prático. Ele salientou ainda que todos devemos buscar empreender as nossas ações com capricho, ou seja, fazendo sempre o nosso melhor e afastando-nos assim da mediocridade que ocorre exatamente quando, deliberadamente, deixamos de imprimir o melhor de nós em nossas realizações.

Ciclo do Conhecimento

Cortella ainda repetiu por diversas vezes que não podemos esperar que “alguém faça alguma coisa” diante das injustiças e do sofrimento de nossos semelhantes, mas que devemos todos ter uma postura ativa e proativa na solução dos problemas que estão ao nosso alcance, ou seja, “eu tenho que fazer alguma coisa!!!”.

A síntese da palestra de Cortella, a meu ver, pode ser descrita da seguinte forma: cada um de nós é responsável por fazer desse mundo um lugar sustentável, e o faremos por meio da consciência de que somos responsáveis por fazer de nossos filhos seres humanos dignos e solidários, ao agirmos de maneira ética e caprichosa em nosso dia-a-dia e ao compreendermos que a sustentabilidade do planeta passa, necessariamente, pelo respeito à vida e pelo amor aos nossos semelhantes.

grande abraço,

Marcelo Mello

Pessoal,

estou lendo – na realidade o termo mais adequado seria me deliciando – com o livro “Nascimento da era caórdica” de Dee Hock, fundador e CEO emérito da gigante dos cartões VISA. Dentre os vários tesouros com os quais já me deparei, um texto em especial chamou minha atenção. Eu diria que vibrei ao lê-lo pois ele aborda de forma genial uma de minhas principais inquietudes organizacionais: Para que tanto controle???

Compartilho abaixo essa brilhante reflexão de Dee Hock:

“Durante décadas, Macaco Velho e eu tentamos descobrir a natureza essencial e a origem do desejo de certeza e de controle. Por que lutamos para estruturar instituições como se fossem máquinas previsíveis e controláveis e para levar as pessoas a se comportarem como se fossem engrenagens previsíveis? Isso levou-nos a uma questão fascinante. Como seria se tivéssemos total capacidade de comandar e controlar?
Seria preciso conhecer cada coisa e cada acontecimento passado, pois como seria possível saber o que significa controle total sem um conhecimento infinito dos acontecimentos passados e de suas conseqüências? Seria necessário ter onisciência em relação ao futuro, conhecer com absoluta certeza cada coisa que pudesse existir e cada evento que pudesse ocorrer, quando e como, e cada nuança de seus possíveis efeitos. Não daria para controlar o desconhecido antes que acontecesse. O mistério e a surpresa não poderiam ser tolerados.
O perfeito conhecimento do passado, do presente e do futuro não seria suficiente para atingir o controle perfeito. Seria necessário conhecer os pensamentos, as emoções e os desejos de todos os seres humanos: suas esperanças, alegrias, medos e necessidades. E não somente dos outros. Seria necessário conhecer tudo o que o eu sente, pensa, sabe ou experimenta, no passado, no presente e no futuro. Mais ainda: seria necessário eliminar todas as emoções, sentimentos, crenças e valores, pois tais coisas nos pegam desprevenidos e afetam o nosso comportamento. A compaixão precisaria acabar, o amor precisaria acabar, a admiração, a inveja, o desejo, o ódio, a nostalgia, a esperança – juntamente com toda sensibilidade estética. Se o controle perfeito existisse, as emoções não poderiam ser convocadas e controladas à vontade? Mas como saber qual delas convocar, em que grau e por quê? Tais empecilhos seriam intoleráveis. O controle perfeito exigiria conhecimento absoluto de tudo o que veio antes e de tudo o que virá depois e depois, e assim ad absurdum.
Mas tudo isso nada revela. São apenas condições. Ainda deixa a pergunta sem resposta. Como seria ter o controle total, infinito, absoluto? O primeiro pensamento é que seria como ser deus, pelo menos da maneira que os deuses normalmente são concebidos. Pensando mais intensamente e com muito maior intuição, a resposta nos atinge como um raio. Seria a morte. Previsão e controle absolutos e perfeitos, só no caixão. Algo que requer a completa negação da vida. A vida é incerteza, surpresa, ódio, perplexidade, especulação, amor, alegria, pena, dor, mistério, beleza e milhares de outras coisas que nem conseguimos imaginar. Vida não é controlar. Não é conseguir. Não é ter. Não é saber. Não é nem mesmo ser. Vida é um eterno e perpétuo vir-a-ser, ou não é nada. O vir-a-ser não é algo a ser conhecido ou controlado. É uma odisséia magnífica e misteriosa a ser experimentada.
No fundo, o desejo de comandar e controlar é um compulsão destrutiva e mortal de roubar de si mesmo e dos outros as alegrias da vida. É de se admirar que uma sociedade, cuja visão de mundo, cujo modelo interno de realidade, se baseia na noção do universo como máquina, se torne destrutiva? É de se admirar que uma sociedade que venera a primazia da medida, da previsão e do controle leve à destruição do ambiente, à má distribuição de riqueza e poder, à destruição em massa de espécies, ao Holocausto, à bomba de hidrogênio e a inúmeros outros horrores? Como poderia ser diferente, se há séculos nos condicionamos com noções ainda mais poderosas de soluções fabricadas, de dominação, de comportamento forçado e de interesse próprio isolável? Tirania é tirania, por mais trivial, mais bem-racionalizada, mais inconsciente ou mais bem-intencionada que seja. É aquilo a que nos acostumamos há séculos, de milhares de maneiras sutis, dia após dia, mês após mês, ano após ano. Não precisava ser assim, nunca. Não precisa ser assim agora. Não pode ser assim para sempre.”

(extraído do livro “Nascimento da era caórdica”, de Dee Hock, págs. 34 e 35)

Lourdes Vaz Afonso CAOS&ORDEM VI-IX, ( versão II ) Acrílico s.tela, 200x200cm, (4 paineis)

Lourdes Vaz Afonso CAOS&ORDEM VI-IX, ( versão II ) Acrílico s.tela, 200x200cm, (4 paineis)

Caros leitores, minha percepção está em completa consonância com o expresso por Dee Hock no brilhante texto acima: na busca exacerbada pelo controle e pela conformidade de processos, nossas organizações estão roubando das pessoas a alegria e o prazer na execução de seu trabalho e, com isso, estão produzindo e sorvendo o veneno que as vai levar ao único lugar em que poderão alcançar a previsibilidade e o pleno controle que tanto almejam, a MORTE.  Para evitar sua própria queda, faz-se mister que as organizações consigam sufocar dentro de si esta insaciável sede de controle e padronização e que, em seu lugar, façam emergir uma cultura organizacional mais fundamentada na liberdade, na criatividade, na responsabilidade e, sobretudo, na confiança mútua.

abraço e até nosso próximo post,

Marcelo Mello

Publicado por: Marcelo Mello | 23/05/2009

Nascimento da era caórdica – Democracia segundo Peter Senge

“Democracia é um processo coletivo contínuo em que aprendemos a viver uns com os outros – muito mais do que um conjunto de valores estimulantes ou de mecanismos simples, como eleições e o ato de votar. É algo que se faz e não se herda. E, até que esse processo de aprendizado penetre nas principais instituições da sociedade, é prematuro chamar a nossa sociedade de democrática.”

Extraído do Prefácio (escrito por Peter Senge)

do livro “Nascimento da era caórdica” de Dee Hock, fundador e CEO emérito da empresa VISA.

Publicado por: Marcelo Mello | 21/05/2009

Moralidade já!!!

Eu aderi à essa campanha que está rolando na internet. Quem sabe assim os políticos possam resgatar um mínimo de respeito pelos cidadãos que os elegem. Vamos fazer uma LIMPEZA geral no Congresso Nacional!!!

congresso_naoreeleja

Publicado por: Marcelo Mello | 19/05/2009

Dilbert – Enquanto isso em muitas organizações…

Amigos,

O eterno abismo entre teoria e prática…

TeoriaPratica

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