KM BRASIL 2008 – Parte II (28/08/2008)


Olá amigos,

estou de volta para compartilhar com vocês as atividades realizadas no segundo dia do KM BRASIL 2008. O dia começou com uma das palestras mais aguardadas do evento, “PEOPLE 2.0 – trabalhando em um mundo 2.0”, com o pesquisador britânico David Gurteen. Foi uma palestra, ou como David prefere chamar, uma conversa bastante produtiva. Ele nos apresentou seu entendimento de que, para viabilizar a efetiva utilização de ferramentas sociais da WEB 2.0, nós precisamos de “gerentes 2.0” que formem “pessoas 2.0”. Ele afirmou saber que esta mudança não é fácil, mas que as organizações já estão começando a experimentar estas ferramentas. Para David, não apenas a WEB agora é 2.0, mas o conjunto de mudanças ocorridas nos últimos anos resultaram em um “mundo 2.0”, ou seja, um mundo no qual os paradigmas tradicionais já não são suficientes e que demanda das organizações novas e revolucionárias formas de fazer as coisas. Neste contexto, também a Gestão do conhecimento, que em seu início era centrada em tecnologia e posteriormente passou a fundamentar-se nas pessoas, entra agora em sua fase 2.0, passando a focar as redes sociais como mecânismo para a criação e o compartilhamento do conhecimento. Ainda segundo Gurteen, estas são algumas das principais características da GC 2.0:

– diz respeito à estimular as redes sociais e a interação entre os membros destas redes;
– não é substituta, mas sim complementar às visões anteriores da GC (focadas em ferramentas e pessoas);
– está muito mais centrada em conversas e estórias organizacionais;
– não busca controlar, mas estimular e confiar nas pessoas;

David afirmou ainda que, graças às mudanças ocorridas no mundo, nós hoje temos voz, nós podemos influenciar o destino da humanidade, nós somos participantes dos processos sociais e, de maneira geral, nós queremos fazer a diferença no mundo. Além disso, a revolução da informação resultou em um cenário no qual nós não podemos mais ser enganados ou controlados e que nos dá a liberdade para colaborarmos com quem quisermos sobre o que quisermos. Desta forma, reforça-se o grande desafio: como conseguir a participação e a mútua colaboração entre as pessoas da organização, dado o grau de autonomia e independência que os novos trabalhadores do conhecimento possuem? Esta ainda é uma questão que demanda alguma reflexão.

Esta conversa com David Gurteen veio corroborar a maioria dos conceitos apresentados no primeiro dia do evento: as redes sociais devem ser o foco das organizações que querem promover uma GC efetiva e agregadora de valor; a organização deve fomentar a criação e o fortalecimento destas redes sociais e, para tanto, as ferramentas sociais disponibilizadas pela tecnologia de WEB 2.0 são bastante úteis. Gurteen encerrou sua participação com uma frase que sintetiza muito bem suas idéias: “We are moving to a participatory ‘we world'”.

Após a excelente palestra de David Gurteen, participei de outra interessante mesa de discussão sobre rede de conhecimento na inovação, a qual contou com a participação Ricardo Kahan da Telefônica, Eduardo Rezende da INATEL, Prof. Guilherme Ary Plonski da ANPROTEC, Ingrid Stoeckicht da INEI e André Saito da FGV que atuou como coordenador dos debates. Os participantes destacaram as diferenças entre a inovação incremental, que se limita a aprimorar produtos/serviços/processos já existentes e a inovação chamada disruptiva ou radical, que se propõe a ser uma verdadeira quebra de paradigma, a qual irá garantir a sustentabilidade da organização no longo prazo. Segundo informações de Ingrid Stoechicht, cerca de 80% das tentativas de inovação fracassam e, ainda segundo ela, isto ocorre porque as organizações não adotam processos formais para gerir a inovação. Ricardo Kahan descreveu rapidamente os processos de inovação da Telefônica e salientou que a organização deve ter em mente que o processo de inovação sustenta-se muito mais em um conceito de perdas admissíveis do que em ganhos potenciais.

Ainda na temática da inovação, após o almoço participei de outra mesa de discussão sobre open innovation, na qual Naldo Dantas (Grupo Votorantim), Thomas Canova (Rhodia) e Gilson Manfio (Natura) apresentaram as iniciativas de inovação aberta em suas organizações. A inovação aberta é uma proposta de se buscar a inovação para além das fronteiras organizacionais, por meio de parcerias com universidades, centros de pesquisa públicos e privados e até mesmo em sites como o Innocentive, que funcionam como mercados globais de idéias. O que pude perceber é que, pelo menos nas organizações acima, a inovação aberta ainda é um conceito embrionário, desenvolvido por meio de contratos de parceria entre as organizações e determinados centros de pesquisa ou universidades, mas que ainda preservam características tradicionais com o regras rígidas de sigilo, garantias de exclusividade e sistema de patentes. Nenhuma das organizações acima se mostrou muito animada a efetivamente utilizar, pelo menos não a curto prazo, alternativas mais radicais como o Innocentive ou parcerias de pesquisa com empresas concorrentes. Como foi dito pelo próprio Thomas Canova da Rhodia, “a inovação aberta, seja por meio de parcerias com a Academia, seja com outras empresas, requer disciplina e, sobretudo, mudança de cultura por parte da organização”. Bem, sabemos que mudar a cultura de uma organização não é uma tarefa simples nem tampouco rápida.

Na sequência, participei de uma nova mesa de discussões, esta acerca do tema “Critérios de excelência em Gestão do conhecimento e da informação”. Esta mesa contou com a participação de Cezar Mendes (Susano Celulose e Papel), José Luiz Abasolo (IPEG – Instituto Paulista de Excelência da Gestão), Marcelo Yamada (Promon Engenharia) e foi coordenada por Filipe Cassapo (FNQ – Fundação Nacional da Qualidade). Abasolo iniciou os trabalhos explicando como funciona o modelo de avaliação de Excelência da Gestão do FNQ e sobre a importância dos prêmios de Excelência em Gestão promovidos pela FNQ e pelo IPEG. Na sequência, tanto os representantes da PROMON quanto da SUZANO falaram sobre seus programas de excelência em gestão, seus destacados resultados e complexos desafios. Por fim, o coordenador Filipe Cassapo fez uma síntese da discussão abordando a importância de práticas de excelência em gestão também para a viabilização de programas de gestão do conhecimento e inovação eficazes;

Por fim, para encerrar o dia, participei de outra interessante discussão sobre inovação no setor público, esta coordenada por Roberto Agune (Sec. de Gestão Pública de São Paulo) e com a participação de Paulo Fresneda (Ministério da Agricultura e Universidade Católica de Brasília), José Cláudio Cyrineu Terra (TerraFórum consultoria e autor de diversos livros sobre GC e Inovação), além de representantes dos governos dos estados de São Paulo e Minas Gerais. Foram discutidos os grandes desafios para obtenção de uma cultura inovativa dentro do governo, seja ele federal, estadual ou municipal, com destaque para o prof. Paulo Fresneda que com a objetividade que lhe é peculiar descreveu as colossais barreiras culturais que ele tem enfrentado em sua batalha para implementar ações inovadoras de Gestão no âmbito do Governo Federal. Foram apresentadas também as iniciativas dos governos estaduais de São Paulo e de Minas Gerais, que utilizando portais interativos para interagir com seus principais stakeholders (servidores e população) estão tentanto dar os primeiros passos no sentido de dinamizar sua forma atuação e aumentar sua velocidade de resposta às demandas da sociedade. Para mais informações sobre as iniciativas desenvolvidas por São Paulo e Minas Gerais, acesse http://www.igovsp.net e http://www.simi.org.br, respectivamente.

Bem, com isso encerrou-se o 2o. dia do evento, o qual foi bastante intenso e repleto de discussões sobre a necessidade inovar e de modernizar com urgência a forma de gestão tanto das organizações privadas quanto nas públicas. Já estou preparando o post com o resumo do terceiro e último dia do evento e pretendo disponibilizá-lo o mais brevemente possível.

Grande abraço,

Marcelo Mello

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