Cartas entre amigos – O reconhecimento do não saber é o primeiro passo do aprendizado

Caríssimos,

quero compartilhar com vocês mais um belíssimo trecho do livro Cartas entre amigos, escrito pelo educador Gabriel Chalita e pelo Pe. Fábio de Melo. Essa parte do texto nos fala da importância do ato de reconhecermos nossas fragilidades e nossas ignorâncias como forma de alavancarmos nossa aprendizagem:

“Meu amigo, o reconhecimento da fragilidade requer força. Paradoxal, não é mesmo? Você sabe bem de tudo isso. Sabe porque não é indiferente às fragilidades do mundo. Seu ofício de educador o fez profundo conhecedor dos paradoxos que são próprios da vida. O aluno é o território das contradições, mas isso não é motivo para desestimular o educar – ao contrário. É nesse território de contrários que o mestre desempenhará o seu ofício de endireitar os caminhos. É nesse território tão cheio de mistérios, porque é alteridade, que o educador vai partejar a beleza do conhecimento. Aprender é reconstruir, como tão bem nos sugeriu Piaget. E nesse constante processo de reconstrução o erro tem papel fundamental. Não há educação sem a experiência do erro. O reconhecimento do não saber é o primeiro passo para construção de um conhecimento sólido.

Meu amigo, não sei quem foi que nos desvirtuou assim, para que tivéssemos medo de nossos limites. Desde muito cedo aprendemos a falsear nossos sentimentos. Choros estancados porque não sabíamos ser fracos. Essa lição nos foi omitida. Esqueceram de nos dizer que é bonito saber chorar e que todo soldado, por mais valente e corajoso que seja, sempre terá o direito de chorar e dizer que está com medo. Quiseram nos ensinar o sucesso, mas esqueceram de nos dizer que ele é processual e que as partes que o constituem costumam ser feitas de pequenas derrotas. Mostraram o pódio iluminado, indicaram o primeiro lugar, mas omitiram que, para conquistá-lo, é preciso saber enfrentar o desapontamento de ser o último. Esqueceram de nos dizer que não é nenhum problema a gente reconhecer que não sabe ou que não conseguiu entender.”

Amigos, que possamos aprender a declarar nossos não saberes sem medo ou vergonha, entendendo que esse é o primeiro passo na bela jornada rumo ao conhecimento.

grande abraço,

Marcelo Mello

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