Resenha do livro “The Happiness Manifesto: how nations and people can nurture well-being” de Nic Marks

Caríssimos,

em 2010 o Senador Cristovam Buarque apresentou uma Proposta de Emenda a Constituição (PEC 19/10), a qual visa alterar o artigo 6˚ da Constituição, passando a explicitar que os direitos sociais, já expressos na nossa Carta Magna, são essenciais à busca da felicidade. Esta PEC, que foi motivo de piada na mídia nacional e recebeu várias críticas negativas de boa parte da sociedade, está fortemente relacionada a um livro que li recentemente, entitulado “The Happiness Manifesto”.

Em sua essência, o livro questiona, de forma veemente, o pressuposto de que a felicidade e o bem-estar advém exclusivamente da prosperidade financeira, seja para indivíduos ou para nações. Afirma ainda que o Produto Interno Bruto (PIB) não pode ser considerado como a única fonte de avaliação do progresso de uma nação. Aliás, o autor Nic Marks chama a atenção para os impactos sociais e ambientais de uma sociedade que, na ânsia de fazer crescer o PIB, fomenta nas pessoas o desejo de “gastar um dinheiro que não possuem, em coisas que não precisam, para impressionar pessoas com as quais não se importam”.

Em lugar do PIB, ou pelo menos de forma complementar a ele, o autor propõe que o bem-estar das pessoas passe a fazer parte dos debates que direcionam as políticas públicas. Nessa linha é que ele apresenta seu “Manifesto da Felicidade”, o qual, nas suas palavras, “oferece às nações e às pessoas potenciais formas de se mover o foco principal da busca de prosperidade financeira para o crescimento do bem-estar”.

São vários os argumentos apresentados pelo autor para defender seu ponto de vista, dentre os quais destaco:

  • Nosso consumo dos recursos naturais tem crescido num ritmo mais rápido que os ganhos obtidos em nosso bem-estar;
  • As pessoas acolherão melhor a idéia de um futuro sustentável se entenderem que este será um futuro mais feliz;
  • Pesquisas demonstram que pessoas em estados de ânimo positivos são mais flexíveis e mais criativas, aumentam seu nível de atenção e estão mais abertas a construção de relações, ou seja, têm um maior repertório de respostas aos estímulos do dia a dia;
  • Efetivamente, nossas emoções são parte central do nosso mecanismos de sobrevivência. Elas são essenciais para a forma como nos adaptamos às mudanças, como encaramos os desafios e as oportunidades e como solucionamos os problemas;
  • Existem fortes indícios de que pessoas mais felizes são mais bem sucedidas em todos os domínios de suas vidas, além de contribuírem mais para a sociedade;

Por fim, o autor propõe cinco formas para se elevar o bem estar pessoal, bem como sete estratégias para se aprimorar o bem estar coletivo das nações:

  • Bem estar pessoal:
    1. Conecte-se… com as pessoas ao seu redor. Com sua família, amigos, colegas e vizinhos. Em casa, no trabalho, na escola ou em sua comunidade. Pense nessas relações como os pilares de sua vida e invista tempo no seu desenvolvimento. A construção dessas conexões irá te dar suporte e aprimorar sua qualidade de vida no dia a dia;
    2. Seja ativo… saia para caminhar ou para correr. Pedale, jogue, cuide do jardim, dance. A atividade física faz você se sentir bem. E o mais importante, descubra uma atividade física que você goste e que combine com seu nível de mobilidade e condicionamento;
    3. Perceba… seja curioso. Capte os sinais de beleza e dê atenção para aquilo que não é comum. Note a mudança das estações do ano. Aprecie o momento, seja quando estiver indo para o trabalho, comendo um lanche ou conversando com os amigos. Esteja consciente do mundo ao seu redor e do que você está sentindo. A reflexão sobre suas experiências irá ajudá-lo a aproveitar melhor o que realmente importa para você;
    4. Mantenha-se aprendendo… tente algo novo. Redescubra uma antigo interesse. Inscreva-se em um curso. Assuma uma nova responsabilidade no trabalho. Conserte sua bicicleta. Aprenda a tocar um instrumento ou a cozinhar seu prato predileto. Estabeleça um desafio que você deseje superar. Aprender coisas novas tornará você mais confiante, além de ser divertido;
    5. Doe-se… faça algo bom para um amigo ou mesmo para um estranho. Agradeça alguém. Sorria. Seja voluntário no seu tempo livre. Se junte a um grupo da comunidade. Olhe para dentro e para fora. Ver a você mesmo e à sua felicidade, ligados a uma comunidade mais ampla pode ser incrivelmente recompensador e cria fortes conexões com as pessoas ao seu redor.
  • Bem estar das nações:
    1. Criação de bons empregos;
    2. Reforma dos nossos sistemas financeiros;
    3. Desenvolvimento de escolas florescentes;
    4. Promoção da saúde completa;
    5. Engajamento dos cidadãos;
    6. Construção de boas fundações;
    7. Medir o que realmente importa.

Trata-se de uma leitura instigante e que nos leva a refletir sobre os propósitos de nossas vidas e sobre a forma como temos conduzido nossas ações, bem como sobre os resultados que temos obtido, tanto no contexto pessoal, quanto como sociedade.

Será que a busca incessante pelo lucro e pelo crescimento (exclusivamente) econômico tem nos trazido bem estar e felicidade? Quais as consequências de nosso atual modo de vida para o planeta? O que realmente nos importa e nos faz felizes???

Que possamos refletir profunda e sinceramente sobre essas e outras questões e, juntos,  buscarmos evoluir constantemente nossa compreensão acerca da complexa teia da vida, bem como aprimorarmos nossa capacidade de ação, individual e coletiva, aplicando nossas competências em prol do bem estar coletivo e de uma vida mais feliz.

grande abraço,

Marcelo Mello

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Um comentário sobre “Resenha do livro “The Happiness Manifesto: how nations and people can nurture well-being” de Nic Marks

  1. Caríssimo amigo, como comentei noutro de seus belos posts, estou literalmente estudando seu site, procurando “ver” sua estrutura, “escutar” seus recados, me “encantar” com seus conteúdos e, com tudo isso e muito mais, … “praticar meu aprender a aprender”! Bem Maturânico não é? Amigo, gracias por mais este belo post!!
    Abraço grande
    Gentil

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