Resenha do livro Teoria U de C. Otto Scharmer

Caríssimos amigos,

acabei de reler o livro Teoria U de C. Otto Scharmer, obra que foi uma das principais referências de minha dissertação de Mestrado, a fim de escrever um artigo para meu recente curso de MBA em Gestão Empresarial.

É muito interessante notar o quanto a releitura de um texto, sobretudo um tão denso como este, nos propicia aprofundar sua compreensão e captar distinções que nos passaram despercebidas quando do primeiro contato.

A Teoria U é apresentada por Scharmer como uma jornada rumo ao exercício da liderança a partir de nossas mais altas possibilidades futuras, iluminando o que ele chama de ‘ponto cego’, a fonte de onde se origina nossa atenção e ação. O autor afirma que “a mesma pessoa na mesma situação fazendo a mesma coisa pode produzir um resultado totalmente diferente dependendo do lugar interior a partir do qual essa ação está vindo.”

O movimento completo do U é composto por seis pontos de inflexão, além de um limiar de transformação, na base do U, como pode ser verificado na figura abaixo:

Imagem Movimento do U

Ao longo desta instigante obra, Otto C. Scharmer vai gradualmente apresentando sua poderosa teoria, como uma nova tecnologia social para que os líderes possam atuar de forma efetiva em um mundo caracterizado pela mudança constante e pela crescente complexidade, passando a operar a partir de um futuro emergente.

O movimento do U é profundamente explorado e cada uma de suas etapas (Recuperação, Visão, Sentir, Presencing, Cristalizar, Prototipar e Atuar) é tratada em detalhes pelo autor, associando-as a temas relevantes como complexidade, aprendizagem, mudanças e níveis de escuta, além de apresentar os fundamentos filosóficos que sustentam sua teoria.

 

“… para lidar com os desafios de nosso tempo, precisamos aprender a deslocar o modo como prestamos atenção, a estrutura de campo de nossa atenção. O modo como prestamos atenção – o lugar do qual operamos – é o ponto cego em todos os níveis da sociedade.”

Scharmer sintetiza sua teoria em um conjunto de proposições, princípios e práticas, os quais reproduzo abaixo:

21 proposições sobre a Teoria do Campo Social:

  1. Os sistemas sociais são “colocados em prática” ou “encenados” (enacted) pelos seus membros em um contexto;
  2. O ponto cego das ciências sociais, dos sistemas sociais e da teoria de campo hoje em dia diz respeito às fontes nas quais os sistemas sociais têm origem;
  3. Há quatro fontes diferentes de atenção da qual pode emergir a ação social:
    1. Eu em mim;
    2. Eu no objeto;
    3. Eu em você;
    4. Eu no agora;
  4. As quatro fontes e estruturas de atenção dão origem a quatro diferentes fluxos ou campos de emergência;
  5. Os quatro campos de encenação da realidade social aplicam-se a todas as esferas de criação da realidade social (Micro, Meso, Macro e Mundo);
  6. Os pontos de inflexão movendo-se de um campo para outro são idênticos em todos os níveis;
  7. Quanto maior a hipercomplexidade de um sistema, mais crítica é a capacidade para operar a partir dos campos mais profundos da emergência social;
  8. A inovação profunda que trata os três tipos de complexidade exige um processo que integre três movimentos: abrir-se para contextos que importam (cossentir), conectar-se à fonte de quietude (co-presencing) e prototipar o novo (cocriação);
  9. Para acessar e ativar as fontes mais profundas dos campos sociais três instrumentos devem ser ajustados, ou “afinados”: a mente aberta, o coração aberto e a vontade aberta;
  10. Abrir esses níveis mais profundos exige a superação de três barreiras: a Voz de Julgamento (VOJ), a Voz do Cinismo (VOC) e a Voz do Medo (VOF):
    • VOJ (Voz do Julgamento): Os velhos e limitantes padrões do julgamento e pensamento. Sem a capacidade de desligar ou suspender a VOJ, não faremos nenhum progresso para acessar a criatividade e nunca atingiremos os níveis mais profundos do U.
    • VOC (Voz do Cinismo): As emoções da desconexão, tais como cinismo, arrogância e frieza que nos impedem de mergulhar nos campos em volta de nós.
    • VOF (Voz do Medo): O medo de deixar ir o eu familiar e o mundo conhecido; o medo de ir em frente; medo de se render no espaço do nada.
  11. Subir o lado direito do U (cocriação) exige um compromisso de servir o todo e a capacidade de reintegrar a inteligência da cabeça, do coração e das mãos;
  12. Quanto maior o intervalo entre a complexidade sistêmica exterior e a capacidade interior de acessar os fluxos mais profundos da emergência, é mais provável que um sistema sairá dos trilhos e reverterá para um espaço destrutivo de antiemergência;
  13. O espaço social da antiemergência é manifestado em um movimento reacionário conhecido como fundamentalismo (que pode ser religioso, político ou econômico);
  14. O campo social é um todo em desenvolvimento que pode ser observado e experimentado pelas cinco dimensões. São eles: espaço social, tempo social, o coletivo, o eu e o espaço envolvente (Terra);
  15. À medida que um campo social se desenvolve e começa a incluir os mais profundos níveis e fluxos da emergência, a experiência de tempo, espaço, eu, coletivo e Terra funde-se por meio de um processo escultural de inversão;
  16. A abertura das fontes e dos fluxos de emergência mais profundos inverte a relação entre o indivíduo e o coletivo;
  17. A abertura das fontes mais profundas e dos campos de emergência transformam a relação entre o conhecedor e o conhecido;
  18. O campo social é uma escultura de tempo na criação;
  19. O desenvolvimento do campo social é uma função da ressonância mórfica sem escala;
  20. O futuro de um sistema é uma função do Campo (fonte) a partir do qual escolhemos operar;
  21. A força revolucionária neste século é o despertar de uma capacidade humana geradora profunda – o “eu no agora”;

Princípios e práticas do Presencing para conduzir inovação e mudanças profundas:

  1. Atenda: ouça o que a vida o convida a fazer;
  2. Conecte-se: ouça e dialogue com participantes interessantes no campo;
  3. Coinicie um grupo central diversificado que inspire uma intenção comum;
  4. Forme uma equipe central de protótipo altamente comprometida e esclareça questões essenciais;
  5. Faça jornadas de mergulho profundo aos lugares de maior potencial;
  6. Observe, observe, observe: suspenda a Voz do Julgamento (VOJ) e conecte-se ao estado de deslumbramento;
  7. Pratique o ouvir profundo e o diálogo: conecte-se a outros com mente, coração e vontade abertos;
  8. Crie órgãos de sensibilização coletiva que permitam ao sistema ver a si próprio;
  9. Deixe ir: deixe ir seu velho eu e coisas que devem morrer;
  10. Deixe vir: conecte-se e renda-se ao futuro que quer emergir por você;
  11. Silêncio intencional: adquira uma prática que o ajude a se conectar com a sua fonte;
  12. Siga a sua jornada: faça o que ama, ame o que faz;
  13. Lugares de presença: crie círculos nos quais vocês mantenham uns aos outros na futura intenção mais elevada;
  14. O poder da intenção: conecte-se ao futuro que precisa de você – cristalize sua visão e sua intenção;
  15. Forme grupos centrais. Cinco pessoas podem mudar o mundo;
  16. Esboce microcosmos estratégicos como uma pista de aterrissagem para o futuro emergente;
  17. Integre cabeça, coração e mãos: busque isso com as mãos; não pense, sinta;
  18. Itere, itere, itere: crie e adapte-se e sempre permaneça em diálogo com o universo;
  19. Codesenvolva ecossistemas de inovação que conectem e renovem vendo a partir do todo emergente no todo emergente;
  20. Crie infraestruturas de inovação modelando ritmo e lugares seguros para treinamento por pares/colegas (com o suporte da tecnologia social);
  21. Teatro do Presencing: desenvolva a consciência coletiva via mídias de nível 4;

 

Se você tem interesse em conhecer e refletir sobre novas formas de compreensão da maneira como percebemos a agimos no mundo, recomendo fortemente a leitura desta obra.

 

 

grande abraço,

 

 

Marcelo Mello

Construindo inferências a partir de modelos mentais pré-estabelecidos

Um homem quer pendurar um quadro. Ele tem um prego, mas nenhum martelo. O vizinho tem um, portanto nosso homem decide pedir emprestado. Mas então uma dúvida lhe ocorre. “E se o vizinho não quiser me emprestar? Ontem ele mal acenou com a cabeça quando o saudei. Possivelmente, ele estava com pressa. Mas possivelmente fingia estar com pressa porque não gosta de mim. E por que ele poderia não gostar de mim? Eu sempre fui gentil com ele; obviamente, ele imaginava algo. Se alguém quisesse pedir alguma de minhas ferramentas emprestada, eu naturalmente emprestaria. Então, por que ele não quer emprestar-me seu martelo? Como alguém pode recusar uma solicitação tão simples? Pessoas como ele realmente envenenam a vida dos outros. Ele provavelmente até imagina que depende dele apenas porque ele tem um martelo. Eu lhe direi poucas e boas.” E, assim, nosso homem vai ao apartamento do vizinho e toca a campainha. O vizinho abre a porta, mas, antes que ele possa até dizer “Bom dia”, nosso homem começa a gritar: “Pode ficar com seu maldito martelo, que eu não preciso dele, seu idiota!”

Citação do filósofo Paul Watzlawick, extraída do livro Teoria U de C. Otto Scharmer

Para refletir: A partir de onde se origina nossa ação? Desde onde fazemos o que fazemos?

Abraço,

Marcelo Mello

Resenha do livro “Foco” de Daniel Goleman

Queridos leitores,

Em seu mais recente livro, Daniel Goleman, pesquisador mundialmente conhecido por seus trabalhos relacionados à Inteligência Emocional, explora o tema da atenção como peça chave para o sucesso de indivíduos e organizações.

A exemplo de seus trabalhos anteriores, as proposições de Goleman estão fundamentadas em amplos estudos na área da Neurociência, os quais têm avançado sensivelmente no que se refere à compreensão do funcionamento do cérebro humano em toda sua complexidade.

Foco

O livro explora inicialmente alguns conceitos básicos daquilo que Goleman chama de “anatomia da atenção”. Dentre as distinções mais importantes apresentadas pelo autor, estão as de mente ascendente e mente descendente, em referência às diferentes regiões cerebrais que controlam o funcionamento, respectivamente, de nossa capacidade de atenção involuntária (mente a deriva) e atenção voluntária (foco intencional).

Todo o livro está assentado em uma distinção chave chamada de Foco Triplo da Atenção: o foco interno, o foco no outro e o foco externo. Segundo Goleman, “o foco interno nos põe em sintonia com nossas intuições, nossos valores principais e nossas melhores decisões. O foco no outro facilita nossas ligações com as pessoas das nossas vidas. E o foco externo nos ajuda a navegar pelo mundo que nos rodeia”. Goleman ainda afirma ser fundamental buscar um equilíbrio entre estes três focos, a fim de que possamos atingir um nível pleno de atenção.

O autor ainda aborda a relação entre atenção e liderança, tendo como pano de fundo a necessidade de construção de modelos de liderança e de negócios mais conscientes e sustentáveis.

Trata-se, sem dúvida alguma, de um livro muito interessante e que apresenta distinções bastante relevantes e úteis para o contexto atual de nossa humanidade, repleto de desafios extremamente complexos e demandante por decisões cruciais para o futuro de nossas organizações, comunidades e do planeta como um todo.

 

Grande abraço,

 

Marcelo Mello (Direto de Natal – RN)

Caracterizando a liderança VII – Fernando Saenz Ford no DIpLO Brasil

Caros Amigos,

no fim de Maio/2014 participei do último módulo do Programa DIpLO Brasil 2014/2014, organizado pelo LabCon – Laboratório de Conversas – e conduzido pelo sensacional coach argentino Fernando Saenz Ford.

Durante quatro dias, nos dedicamos a reflexão profunda sobre diversos temas relacionados à Gestão de si mesmo, de equipes e de sistemas, bem como conversamos sobre emoções e também sobre Liderança.

As distinções compartilhadas por Fernando foram muito impactantes e incrivelmente pertinentes tanto no contexto pessoal quanto na esfera organizacional/profissional de nossas vidas.

Entre tantos aportes significativos, gostaria de compartilhar dois, em especial, que buscam caracterizar o fascinante fenômeno da Liderança:

“A liderança surge quando há pessoas dispostas a assumir a responsabilidade inclusive por aquilo que não produziram com sua ação direta.”

“A liderança surge quando há pessoas dispostas a se comprometer com algo que ainda não tem ideia de como irão realizar.”

Creio que as distinções da Responsabilidade e o do Compromisso estão, de fato, no cerne do fenômeno da Liderança e que compreender e praticar tais distinções pode nos fazer avançar rumo a um modelo de Liderança efetivo nos complexos cenários em que atuamos hoje.

 

Grande abraço,

Marcelo Mello

Resenha do livro “Capitalismo Consciente”de John Mackey e Raj Sisodia

Caríssimos amigos,

a obra sobre a qual irei falar neste post também chegou ao meu conhecimento por meio das redes sociais. Após ler inúmeros comentários positivos, sobretudo no meu Twitter, fui até um livraria e comprei uma cópia de “Capitalismo Consciente – como libertar o espírito heróico dos negócios”, escrito por John Mackey e Raj Sisodia.

Mackey é o CEO da Whole Foods Market, líder mundial na venda de alimentos naturais e orgânicos, com mais de 340 lojas espalhadas pelos Estados Unidos, Reino Unido e Canadá e cujas prateleiras são reconhecidas por abrigar somente produtos de altíssima qualidade e, de forma geral, relacionados a uma alimentação saudável. Já Raj é professor e pesquisador, além de autor de sete livros sobre organizações e negócios.

“Negócios não têm a ver com fazer o máximo de dinheiro possível. Têm a ver com a criação de valor para as partes interessadas.” (pág. 23)

A proposta central do livro é apresentar uma forma diferente de se operar o modelo Capitalista, na qual o lucro não seja a única ou principal razão de ser das organizações. Segundo os autores, uma empresa consciente deve possuir propósitos mais elevados e buscar a geração de valor, de maneira equilibrada e sustentável, para todas as partes interessadas (stakeholders).

“Ser consciente significa estar totalmente desperto e lúcido para enxergar realidade com clareza e para entender todas as consequências de nossas ações, a curto e a longo prazo. Significa estar atento ao que se passa dentro de nós mesmos e na realidade externa, bem como aos impactos disso tudo sobre o mundo. Significa, também, ter um forte compromisso com a verdade e agir do modo mais responsável, de acordo com o que entendemos ser verdadeiro.” (pág. 31)

Os modelo proposto pelos dois autores e chamado por eles de Capitalismo Consciente está alicerçado em quatro princípios, a saber:

  1.  Propósito maior: ao atuarem segundo um propósito maior, as empresas vão além da simples geração/maximização do lucro e passam a criar um impacto positivo muito maior para todos os seus stakeholders. O propósito e os valores constituem o núcleo de uma empresa consciente.
  2. Integração de stakeholders: para os autores, stakeholders são todas as entidades que impactam ou são impactadas por uma organização, as quais são igualmente importantes e estão conectadas por um senso de propósito e valores compartilhados. Dessa forma, a relação entre esses atores deve ser pautada pela busca de soluções do tipo “ganha-ganha”, preservando a harmonia e a integração entre as partes.
  3. Liderança consciente: A concretização do Capitalismo Consciente requer a plena atuação de líderes conscientes, dotados de elevados níveis de inteligência analítica, emocional e espiritual, de forma que sejam capazes de refletir sobre o negócio e conduzi-lo de forma sofisticada e complexa.
  4. Cultura e gestão conscientes: Tanto a forma de gestão quanto a cultura organizacional são fatores fundamentais para a prática do Capitalismo Consciente, na medida em que devem garantir a força e a estabilidade necessárias para a preservação do propósito maior da empresa. Confiança, responsabilidade, transparência, integridade, igualitarismo, justiça, crescimento pessoal, amor e cuidado são algumas das características comuns de uma cultura consciente.

“As organizações florescem a partir do compromisso e da criatividade do ser humano.” (pág. 77)

A maior parte do livro destina-se a aprofundar cada um desses quatro princípios, citando, com frequência, algumas organizações que vivenciam essas distinções e, por isso, são consideradas pelos autores como exemplos de empresas conscientes.

Após apresentar os princípios do Capitalismo Consciente, bem como seus argumentos em prol desse modelo, os autores fazem uma exortação para que todos contribuam para a difusão desse novo paradigma, argumentando que a atual forma de se pensar os negócios e as organizações é insustentável em vários aspectos e que, portanto, precisa ser substituída por uma nova abordagem, capaz de produzir valor com ética e justiça.

“Um dia, praticamente todas as empresas irão funcionar com uma orientação para seus propósitos maiores, integrando os interesses de todas as partes interessadas, desenvolvendo e promovendo líderes conscientes e construindo uma cultura de confiança responsabilidade e cuidado.” (pág. 286)

Na minha opinião, trata-se de um obra bastante oportuna para o contexto atual da humanidade. Notadamente, enfrentamos uma crise em nossa forma de ser no mundo, a qual tem se manifestado de diversas maneiras e nas mais variadas áreas.

Particularmente, sou defensor do capitalismo por entender que trata-se de um modelo capaz de recompensar o esforço, a dedicação a criatividade de indivíduos e organizações, permitindo que todos tenham a chance de realizar seu potencial. Contudo, me parece claro que o atual paradigma capitalista está carregado de vícios e falhas éticas, que não só comprometem suas mais elevadas virtudes como o tornam causa de inaceitáveis injustiças. Dessa forma, faz-se necessário um redesenho desse modelo de maneira a que possamos retomar sua essência baseada na livre iniciativa, oferta de oportunidades e criação de valor partilhado e sustentável.

“Capitalismo Consciente” é uma obra que apresenta uma proposta de evolução para o modelo capitalista e propõe uma interessante reflexão sobre os propósitos e valores que balizam nossa forma de ser/atuar no mundo. Recomendo a leitura!

 

abraço,

 

Marcelo Mello

Diplo – Módulo Multicultural en Chile

Hola,

escrevo este post aqui do Chile, onde tive a grata satisfação de participar do Módulo Multicultural do Diplomado Internacional em Logros Organizacionales – Diplo, em Viña del Mar (para mais informações sobre o Diplo no Brasil, clique aqui).

Anteriormente, já havia participado dos Módulos de Gestão Ontológica com Ivonne Hidalgo e de Desenho de Futuros com Elena Espinal, os quais foram, sem dúvida alguma, profundas experiências de aprendizagem e, agora, tive novamente o privilégio de estar junto a Ivonne e Elena, além de Fernando Sanz Ford, que irá conduzir o quarto e último módulo do Diplo, em Maio próximo, acerca do tema da Liderança.

Mas antes de falar um pouco sobre o evento, gostaria de compartilhar algo que me impressionou profundamente durante meu voo até Santiago: a travessia da Cordilheira dos Andes. Vislumbrar a magnitude e imponência daquele vasto conjunto de montanhas foi, sem dúvida alguma, uma experiência única e profundamente impactante, a qual veio reforçar um tema sobre o qual tenho refletido nos últimos meses: a necessidade de desenvolvermos níveis mais amplos de consciência a fim de construirmos uma relação sustentável com o nosso Planeta.

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Retomando ao Módulo Multicultural, confesso que estava bastante apreensivo com esta viagem ao Chile, em grande parte, creio, por se tratar de minha primeira viagem ao exterior, contudo, o acolhimento que recebi, acompanhado de um senso de pertencimento característico do ambiente do DIPLO rapidamente dissolveram todo e qualquer medo e imediatamente pude me conectar ao lugar do evento e às pessoas que vieram dos mais variados países da América Latina para participar desta fantástica experiência.

multicultural

Ao longo de uma semana, estudamos a instigante Teoria da Dinâmica Espiral, visitamos uma Vinícola que pratica a agricultura Bio Dinâmica, bem como um Porto Pesqueiro onde os pescadores estão aprendendo como formar uma organização efetiva e que traga melhorias para sua qualidade de vida. Tive o privilégio de estabelecer conversas muito significativas com diversas pessoas, de diferentes lugares e com distintas culturas, mas todas com belas e ricas histórias de vida.

Foram muitas as emoções, distinções e ações que tiveram lugar nos cinco dias de evento e, certamente, voltarei ao Brasil (depois de uma rápida visita a Santiago), muito diferente de como parti.

Agora penso que os desafios são aprofundar a compreensão acerca das distinções apresentadas e colocá-las em prática nos significativos desafios adaptativos que se apresentam cotidianamente em nossa caminhada.

Quero ainda registrar meu sincero e profundo agradecimento a todos que realizaram este módulo Multicultural, seja organizando, facilitando ou participando, por todo o cuidado e generosidade que caracterizou nossa convivência, e dizer que tenho convicção de que em breve estaremos aprendendo e celebrando juntos novamente.

Um especial agradecimento cabe a meu Mestre Gentil Lucena, Diretor do Labcon (Laboratório de Conversas), que o parceiro estratégico do Diplo no Brasil e tem sido o grande responsável pelas profundas transformações que tenho vivenciado ao longo dos últimos anos. Vale a pena conhecer o trabalho do Labcon!

 

abraço,

Marcelo Mello (preparando-me para retornar ao Brasil!)

Imagine organizações diferentes…

Caros amigos,

foi por meio do Twitter que tomei conhecimento do livro que se tornou minha mais nova leitura: Capitalismo Consciente de John Mackey e Raj Sisodia. Apesar de estar ainda nos primeiros capítulos desta obra, já pude perceber que se trata de um texto impactante, carregado de ideias instigantes e poderosas.

Capitalismo

Compartilho abaixo um trecho em especial que me marcou profundamente. Trata-se de um convite, ou melhor, um verdadeiro chamado para que repensemos a maneira como concebemos e conduzimos nossas organizações, a fim de que elas venham a exercer seu verdadeiro potencial em prol da humanidade:

Imagine…

Imagine uma empresa nascida do sonho de como o mundo poderia e deveria ser. Seus fundadores estão ávidos por criar algo com relevância, ressonância e permanência – um negócio que vai sobreviver a eles, entregando valor real de múltiplas maneiras a todos que puder alcançar. Eles querem construir um negócio do qual seus pais e filhos se orgulharão, que aspire muito mais do que ganhar dinheiro, que contribua para melhorar a saúde e o bem-estar da sociedade. Eles sonham com a consolidação de um negócio que, por sua simples existência, enriqueça o mundo e proporcione alegria, satisfação e senso de significado para todos os que estão à sua volta.

Imagine um negócio construído sobre o amor e o cuidado (e não sobre o estresse e o medo), tocado por uma equipe cujos membros são apaixonados e comprometidos com o trabalho e cuja rotina transcorra em clima de intensidade focada, colaboração e camaradagem. Em vez de esgotados e tensos, esses trabalhadores se encontram no final do dia reenergizados com a inspiração e o compromisso que os atraiu para o negócio desde o início – a oportunidade de se sentir como parte de algo maior do que eles mesmos, de fazer a diferença, de agregar um propósito à forma como se ganha a vida.

Pense em uma empresa que se preocupa profundamente com o bem-estar de seus clientes, encarando-os não como consumidores, mas como seres humanos de carne e osso a quem tem o privilégio de servir. Isso significaria não mais enganar, maltratar ou ignorar seus clientes, mas, sim, dedicar a eles o cuidado que qualquer pessoa daria a seus entes queridos. A equipe da empresa, assim, experimentaria a alegria de servir, de enriquecer a vida dos outros.

Visualize um negócio que envolva também as pessoas de fora da empresa, inserindo-as de verdade no círculo íntimo de relacionamento e tratando-as com o mesmo amor e o mesmo cuidado dispensado aos clientes e à equipe. Imagine uma empresa comprometida com os valores da cidadania em todas as comunidades em que atua, elevando e contribuindo de várias maneiras para o aperfeiçoamento da vida cívica. Imagine uma empresa que vê seus concorrentes não como inimigos a ser derrotados, mas como professores com quem se pode aprender muito e companheiros de viagem na jornada rumo à excelência. Projete um negócio realmente preocupado com o planeta e com todos os seres sencientes que nele habitam – uma empresa que celebre as glórias da natureza, que vá além do carbono neutro para tornar-se uma força de cura capaz de devolver a vitalidade sustentada à ecosfera.

Imagine um empresa extremamente cuidadosa com as pessoas que contrata, uma companhia na qual todos desejam entrar e ninguém quer sair. Imagine um negócio com pouquíssimos gerentes, que não precisam olhar por cima dos ombros das pessoas para se certificar de que estão trabalhando ou sabem o que fazer. Um negócio autogerido, automotivado, auto-organizado e autocurável, como qualquer ser senciente evoluído.

Enxergue dentro de sua mente um negócio que escolha e promova líderes pela sabedoria, pela capacidade de amar e cuidar de seus comandados, por orientar e inspirar as pessoas, e não por iludi-las ou puni-las. Esses líderes têm um vivo entusiasmo pela equipe e pelo propósito do negócio, importando-se menos com poder ou enriquecimento pessoal.

Imagine uma empresa na qual existia um ciclo virtuoso de criação multifacetada de valor, gerando impacto social, intelectual, emocional, espiritual, cultural e físico, além de riqueza ecológica e bem-estar para todos, ao mesmo tempo em que obtém resultados superiores ano após ano, década após década. Pense em uma empresa que, embora reconheça a limitação dos recursos do planeta, saiba que a criatividade humana é ilimitada, promovendo continuamente condições para as pessoas explorarem seu extraordinário, quase milagroso, potencial.

Bem-vindo ao novo mundo heroico do capitalismo consciente.

Acredito plenamente que este novo paradigma de empresa tão brilhantemente descrito pelos autores não se constitui em uma utopia delirante, como pode parecer a alguns, mas sim representa um caminho viável e absolutamente necessário para que nossa sociedade supere os desvios e mazelas causados pela deturpação do modelo capitalista.

Grande abraço,

Marcelo Mello