Resenha do livro Teoria U de C. Otto Scharmer

Caríssimos amigos,

acabei de reler o livro Teoria U de C. Otto Scharmer, obra que foi uma das principais referências de minha dissertação de Mestrado, a fim de escrever um artigo para meu recente curso de MBA em Gestão Empresarial.

É muito interessante notar o quanto a releitura de um texto, sobretudo um tão denso como este, nos propicia aprofundar sua compreensão e captar distinções que nos passaram despercebidas quando do primeiro contato.

A Teoria U é apresentada por Scharmer como uma jornada rumo ao exercício da liderança a partir de nossas mais altas possibilidades futuras, iluminando o que ele chama de ‘ponto cego’, a fonte de onde se origina nossa atenção e ação. O autor afirma que “a mesma pessoa na mesma situação fazendo a mesma coisa pode produzir um resultado totalmente diferente dependendo do lugar interior a partir do qual essa ação está vindo.”

O movimento completo do U é composto por seis pontos de inflexão, além de um limiar de transformação, na base do U, como pode ser verificado na figura abaixo:

Imagem Movimento do U

Ao longo desta instigante obra, Otto C. Scharmer vai gradualmente apresentando sua poderosa teoria, como uma nova tecnologia social para que os líderes possam atuar de forma efetiva em um mundo caracterizado pela mudança constante e pela crescente complexidade, passando a operar a partir de um futuro emergente.

O movimento do U é profundamente explorado e cada uma de suas etapas (Recuperação, Visão, Sentir, Presencing, Cristalizar, Prototipar e Atuar) é tratada em detalhes pelo autor, associando-as a temas relevantes como complexidade, aprendizagem, mudanças e níveis de escuta, além de apresentar os fundamentos filosóficos que sustentam sua teoria.

 

“… para lidar com os desafios de nosso tempo, precisamos aprender a deslocar o modo como prestamos atenção, a estrutura de campo de nossa atenção. O modo como prestamos atenção – o lugar do qual operamos – é o ponto cego em todos os níveis da sociedade.”

Scharmer sintetiza sua teoria em um conjunto de proposições, princípios e práticas, os quais reproduzo abaixo:

21 proposições sobre a Teoria do Campo Social:

  1. Os sistemas sociais são “colocados em prática” ou “encenados” (enacted) pelos seus membros em um contexto;
  2. O ponto cego das ciências sociais, dos sistemas sociais e da teoria de campo hoje em dia diz respeito às fontes nas quais os sistemas sociais têm origem;
  3. Há quatro fontes diferentes de atenção da qual pode emergir a ação social:
    1. Eu em mim;
    2. Eu no objeto;
    3. Eu em você;
    4. Eu no agora;
  4. As quatro fontes e estruturas de atenção dão origem a quatro diferentes fluxos ou campos de emergência;
  5. Os quatro campos de encenação da realidade social aplicam-se a todas as esferas de criação da realidade social (Micro, Meso, Macro e Mundo);
  6. Os pontos de inflexão movendo-se de um campo para outro são idênticos em todos os níveis;
  7. Quanto maior a hipercomplexidade de um sistema, mais crítica é a capacidade para operar a partir dos campos mais profundos da emergência social;
  8. A inovação profunda que trata os três tipos de complexidade exige um processo que integre três movimentos: abrir-se para contextos que importam (cossentir), conectar-se à fonte de quietude (co-presencing) e prototipar o novo (cocriação);
  9. Para acessar e ativar as fontes mais profundas dos campos sociais três instrumentos devem ser ajustados, ou “afinados”: a mente aberta, o coração aberto e a vontade aberta;
  10. Abrir esses níveis mais profundos exige a superação de três barreiras: a Voz de Julgamento (VOJ), a Voz do Cinismo (VOC) e a Voz do Medo (VOF):
    • VOJ (Voz do Julgamento): Os velhos e limitantes padrões do julgamento e pensamento. Sem a capacidade de desligar ou suspender a VOJ, não faremos nenhum progresso para acessar a criatividade e nunca atingiremos os níveis mais profundos do U.
    • VOC (Voz do Cinismo): As emoções da desconexão, tais como cinismo, arrogância e frieza que nos impedem de mergulhar nos campos em volta de nós.
    • VOF (Voz do Medo): O medo de deixar ir o eu familiar e o mundo conhecido; o medo de ir em frente; medo de se render no espaço do nada.
  11. Subir o lado direito do U (cocriação) exige um compromisso de servir o todo e a capacidade de reintegrar a inteligência da cabeça, do coração e das mãos;
  12. Quanto maior o intervalo entre a complexidade sistêmica exterior e a capacidade interior de acessar os fluxos mais profundos da emergência, é mais provável que um sistema sairá dos trilhos e reverterá para um espaço destrutivo de antiemergência;
  13. O espaço social da antiemergência é manifestado em um movimento reacionário conhecido como fundamentalismo (que pode ser religioso, político ou econômico);
  14. O campo social é um todo em desenvolvimento que pode ser observado e experimentado pelas cinco dimensões. São eles: espaço social, tempo social, o coletivo, o eu e o espaço envolvente (Terra);
  15. À medida que um campo social se desenvolve e começa a incluir os mais profundos níveis e fluxos da emergência, a experiência de tempo, espaço, eu, coletivo e Terra funde-se por meio de um processo escultural de inversão;
  16. A abertura das fontes e dos fluxos de emergência mais profundos inverte a relação entre o indivíduo e o coletivo;
  17. A abertura das fontes mais profundas e dos campos de emergência transformam a relação entre o conhecedor e o conhecido;
  18. O campo social é uma escultura de tempo na criação;
  19. O desenvolvimento do campo social é uma função da ressonância mórfica sem escala;
  20. O futuro de um sistema é uma função do Campo (fonte) a partir do qual escolhemos operar;
  21. A força revolucionária neste século é o despertar de uma capacidade humana geradora profunda – o “eu no agora”;

Princípios e práticas do Presencing para conduzir inovação e mudanças profundas:

  1. Atenda: ouça o que a vida o convida a fazer;
  2. Conecte-se: ouça e dialogue com participantes interessantes no campo;
  3. Coinicie um grupo central diversificado que inspire uma intenção comum;
  4. Forme uma equipe central de protótipo altamente comprometida e esclareça questões essenciais;
  5. Faça jornadas de mergulho profundo aos lugares de maior potencial;
  6. Observe, observe, observe: suspenda a Voz do Julgamento (VOJ) e conecte-se ao estado de deslumbramento;
  7. Pratique o ouvir profundo e o diálogo: conecte-se a outros com mente, coração e vontade abertos;
  8. Crie órgãos de sensibilização coletiva que permitam ao sistema ver a si próprio;
  9. Deixe ir: deixe ir seu velho eu e coisas que devem morrer;
  10. Deixe vir: conecte-se e renda-se ao futuro que quer emergir por você;
  11. Silêncio intencional: adquira uma prática que o ajude a se conectar com a sua fonte;
  12. Siga a sua jornada: faça o que ama, ame o que faz;
  13. Lugares de presença: crie círculos nos quais vocês mantenham uns aos outros na futura intenção mais elevada;
  14. O poder da intenção: conecte-se ao futuro que precisa de você – cristalize sua visão e sua intenção;
  15. Forme grupos centrais. Cinco pessoas podem mudar o mundo;
  16. Esboce microcosmos estratégicos como uma pista de aterrissagem para o futuro emergente;
  17. Integre cabeça, coração e mãos: busque isso com as mãos; não pense, sinta;
  18. Itere, itere, itere: crie e adapte-se e sempre permaneça em diálogo com o universo;
  19. Codesenvolva ecossistemas de inovação que conectem e renovem vendo a partir do todo emergente no todo emergente;
  20. Crie infraestruturas de inovação modelando ritmo e lugares seguros para treinamento por pares/colegas (com o suporte da tecnologia social);
  21. Teatro do Presencing: desenvolva a consciência coletiva via mídias de nível 4;

 

Se você tem interesse em conhecer e refletir sobre novas formas de compreensão da maneira como percebemos a agimos no mundo, recomendo fortemente a leitura desta obra.

 

 

grande abraço,

 

 

Marcelo Mello

Resenha do livro “Foco” de Daniel Goleman

Queridos leitores,

Em seu mais recente livro, Daniel Goleman, pesquisador mundialmente conhecido por seus trabalhos relacionados à Inteligência Emocional, explora o tema da atenção como peça chave para o sucesso de indivíduos e organizações.

A exemplo de seus trabalhos anteriores, as proposições de Goleman estão fundamentadas em amplos estudos na área da Neurociência, os quais têm avançado sensivelmente no que se refere à compreensão do funcionamento do cérebro humano em toda sua complexidade.

Foco

O livro explora inicialmente alguns conceitos básicos daquilo que Goleman chama de “anatomia da atenção”. Dentre as distinções mais importantes apresentadas pelo autor, estão as de mente ascendente e mente descendente, em referência às diferentes regiões cerebrais que controlam o funcionamento, respectivamente, de nossa capacidade de atenção involuntária (mente a deriva) e atenção voluntária (foco intencional).

Todo o livro está assentado em uma distinção chave chamada de Foco Triplo da Atenção: o foco interno, o foco no outro e o foco externo. Segundo Goleman, “o foco interno nos põe em sintonia com nossas intuições, nossos valores principais e nossas melhores decisões. O foco no outro facilita nossas ligações com as pessoas das nossas vidas. E o foco externo nos ajuda a navegar pelo mundo que nos rodeia”. Goleman ainda afirma ser fundamental buscar um equilíbrio entre estes três focos, a fim de que possamos atingir um nível pleno de atenção.

O autor ainda aborda a relação entre atenção e liderança, tendo como pano de fundo a necessidade de construção de modelos de liderança e de negócios mais conscientes e sustentáveis.

Trata-se, sem dúvida alguma, de um livro muito interessante e que apresenta distinções bastante relevantes e úteis para o contexto atual de nossa humanidade, repleto de desafios extremamente complexos e demandante por decisões cruciais para o futuro de nossas organizações, comunidades e do planeta como um todo.

 

Grande abraço,

 

Marcelo Mello (Direto de Natal – RN)

Diplo – Módulo Multicultural en Chile

Hola,

escrevo este post aqui do Chile, onde tive a grata satisfação de participar do Módulo Multicultural do Diplomado Internacional em Logros Organizacionales – Diplo, em Viña del Mar (para mais informações sobre o Diplo no Brasil, clique aqui).

Anteriormente, já havia participado dos Módulos de Gestão Ontológica com Ivonne Hidalgo e de Desenho de Futuros com Elena Espinal, os quais foram, sem dúvida alguma, profundas experiências de aprendizagem e, agora, tive novamente o privilégio de estar junto a Ivonne e Elena, além de Fernando Sanz Ford, que irá conduzir o quarto e último módulo do Diplo, em Maio próximo, acerca do tema da Liderança.

Mas antes de falar um pouco sobre o evento, gostaria de compartilhar algo que me impressionou profundamente durante meu voo até Santiago: a travessia da Cordilheira dos Andes. Vislumbrar a magnitude e imponência daquele vasto conjunto de montanhas foi, sem dúvida alguma, uma experiência única e profundamente impactante, a qual veio reforçar um tema sobre o qual tenho refletido nos últimos meses: a necessidade de desenvolvermos níveis mais amplos de consciência a fim de construirmos uma relação sustentável com o nosso Planeta.

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Retomando ao Módulo Multicultural, confesso que estava bastante apreensivo com esta viagem ao Chile, em grande parte, creio, por se tratar de minha primeira viagem ao exterior, contudo, o acolhimento que recebi, acompanhado de um senso de pertencimento característico do ambiente do DIPLO rapidamente dissolveram todo e qualquer medo e imediatamente pude me conectar ao lugar do evento e às pessoas que vieram dos mais variados países da América Latina para participar desta fantástica experiência.

multicultural

Ao longo de uma semana, estudamos a instigante Teoria da Dinâmica Espiral, visitamos uma Vinícola que pratica a agricultura Bio Dinâmica, bem como um Porto Pesqueiro onde os pescadores estão aprendendo como formar uma organização efetiva e que traga melhorias para sua qualidade de vida. Tive o privilégio de estabelecer conversas muito significativas com diversas pessoas, de diferentes lugares e com distintas culturas, mas todas com belas e ricas histórias de vida.

Foram muitas as emoções, distinções e ações que tiveram lugar nos cinco dias de evento e, certamente, voltarei ao Brasil (depois de uma rápida visita a Santiago), muito diferente de como parti.

Agora penso que os desafios são aprofundar a compreensão acerca das distinções apresentadas e colocá-las em prática nos significativos desafios adaptativos que se apresentam cotidianamente em nossa caminhada.

Quero ainda registrar meu sincero e profundo agradecimento a todos que realizaram este módulo Multicultural, seja organizando, facilitando ou participando, por todo o cuidado e generosidade que caracterizou nossa convivência, e dizer que tenho convicção de que em breve estaremos aprendendo e celebrando juntos novamente.

Um especial agradecimento cabe a meu Mestre Gentil Lucena, Diretor do Labcon (Laboratório de Conversas), que o parceiro estratégico do Diplo no Brasil e tem sido o grande responsável pelas profundas transformações que tenho vivenciado ao longo dos últimos anos. Vale a pena conhecer o trabalho do Labcon!

 

abraço,

Marcelo Mello (preparando-me para retornar ao Brasil!)

Imagine organizações diferentes…

Caros amigos,

foi por meio do Twitter que tomei conhecimento do livro que se tornou minha mais nova leitura: Capitalismo Consciente de John Mackey e Raj Sisodia. Apesar de estar ainda nos primeiros capítulos desta obra, já pude perceber que se trata de um texto impactante, carregado de ideias instigantes e poderosas.

Capitalismo

Compartilho abaixo um trecho em especial que me marcou profundamente. Trata-se de um convite, ou melhor, um verdadeiro chamado para que repensemos a maneira como concebemos e conduzimos nossas organizações, a fim de que elas venham a exercer seu verdadeiro potencial em prol da humanidade:

Imagine…

Imagine uma empresa nascida do sonho de como o mundo poderia e deveria ser. Seus fundadores estão ávidos por criar algo com relevância, ressonância e permanência – um negócio que vai sobreviver a eles, entregando valor real de múltiplas maneiras a todos que puder alcançar. Eles querem construir um negócio do qual seus pais e filhos se orgulharão, que aspire muito mais do que ganhar dinheiro, que contribua para melhorar a saúde e o bem-estar da sociedade. Eles sonham com a consolidação de um negócio que, por sua simples existência, enriqueça o mundo e proporcione alegria, satisfação e senso de significado para todos os que estão à sua volta.

Imagine um negócio construído sobre o amor e o cuidado (e não sobre o estresse e o medo), tocado por uma equipe cujos membros são apaixonados e comprometidos com o trabalho e cuja rotina transcorra em clima de intensidade focada, colaboração e camaradagem. Em vez de esgotados e tensos, esses trabalhadores se encontram no final do dia reenergizados com a inspiração e o compromisso que os atraiu para o negócio desde o início – a oportunidade de se sentir como parte de algo maior do que eles mesmos, de fazer a diferença, de agregar um propósito à forma como se ganha a vida.

Pense em uma empresa que se preocupa profundamente com o bem-estar de seus clientes, encarando-os não como consumidores, mas como seres humanos de carne e osso a quem tem o privilégio de servir. Isso significaria não mais enganar, maltratar ou ignorar seus clientes, mas, sim, dedicar a eles o cuidado que qualquer pessoa daria a seus entes queridos. A equipe da empresa, assim, experimentaria a alegria de servir, de enriquecer a vida dos outros.

Visualize um negócio que envolva também as pessoas de fora da empresa, inserindo-as de verdade no círculo íntimo de relacionamento e tratando-as com o mesmo amor e o mesmo cuidado dispensado aos clientes e à equipe. Imagine uma empresa comprometida com os valores da cidadania em todas as comunidades em que atua, elevando e contribuindo de várias maneiras para o aperfeiçoamento da vida cívica. Imagine uma empresa que vê seus concorrentes não como inimigos a ser derrotados, mas como professores com quem se pode aprender muito e companheiros de viagem na jornada rumo à excelência. Projete um negócio realmente preocupado com o planeta e com todos os seres sencientes que nele habitam – uma empresa que celebre as glórias da natureza, que vá além do carbono neutro para tornar-se uma força de cura capaz de devolver a vitalidade sustentada à ecosfera.

Imagine um empresa extremamente cuidadosa com as pessoas que contrata, uma companhia na qual todos desejam entrar e ninguém quer sair. Imagine um negócio com pouquíssimos gerentes, que não precisam olhar por cima dos ombros das pessoas para se certificar de que estão trabalhando ou sabem o que fazer. Um negócio autogerido, automotivado, auto-organizado e autocurável, como qualquer ser senciente evoluído.

Enxergue dentro de sua mente um negócio que escolha e promova líderes pela sabedoria, pela capacidade de amar e cuidar de seus comandados, por orientar e inspirar as pessoas, e não por iludi-las ou puni-las. Esses líderes têm um vivo entusiasmo pela equipe e pelo propósito do negócio, importando-se menos com poder ou enriquecimento pessoal.

Imagine uma empresa na qual existia um ciclo virtuoso de criação multifacetada de valor, gerando impacto social, intelectual, emocional, espiritual, cultural e físico, além de riqueza ecológica e bem-estar para todos, ao mesmo tempo em que obtém resultados superiores ano após ano, década após década. Pense em uma empresa que, embora reconheça a limitação dos recursos do planeta, saiba que a criatividade humana é ilimitada, promovendo continuamente condições para as pessoas explorarem seu extraordinário, quase milagroso, potencial.

Bem-vindo ao novo mundo heroico do capitalismo consciente.

Acredito plenamente que este novo paradigma de empresa tão brilhantemente descrito pelos autores não se constitui em uma utopia delirante, como pode parecer a alguns, mas sim representa um caminho viável e absolutamente necessário para que nossa sociedade supere os desvios e mazelas causados pela deturpação do modelo capitalista.

Grande abraço,

Marcelo Mello

Por que é tão importante aprender (constantemente)?

Caros amigos,

compartilho convosco uma possível (e significativa) resposta para a questão acima:

“O século XXI está se caracterizando por promover mudanças cada vez mais rápidas em todos os domínios da vida humana. É assim que o futuro nos aguarda. Tanto indivíduos como organizações se veem cercados pela constante ameaça do descompasso entre o que se sabe e o que se requer saber. Essa ameaça põe em risco a viabilidade dos empreendimentos humanos. Nossas competências tornam-se obsoletas muito rapidamente. A efetividade de nossas ações se vê comprometida. Aquilo que antes resultava em garantia de êxito perde seu poder e converte-se em condição de fracasso. Os acertos do passado se desgastam e são rapidamente imitados por todos. Isso nos leva a perder nossas antigas vantagens competitivas. O surgimento de práticas e produtos mais eficazes muitas vezes é mais rápido que nossa capacidade de absorção.

A resposta a esse desafio chama-se aprendizagem.”

(extraído do livro Coaching Ontológico – A doutrina fundamental, de Homero Reis)

Entendo que não poderiam ser mais acertadas as palavras do grande Alvin Toffler, ao afirmar que “os analfabetos do século XXI não serão os que não souberem ler ou escrever, mas os que não souberem aprender, desaprender e reaprender.”

Grande abraço,

Marcelo Mello

Vivendo as mudanças

Caros amigos,

durante todo o tempo em que tenho utilizado este blog como um espaço de aprendizagem, compartilhamento de informações e fomento à criação de conhecimentos, em várias oportunidades mencionei a mudança como um aspecto sempre presente e de crescente importância, seja no contexto organizacional, seja no domínio pessoal.

Vivemos uma época ímpar da história, em que praticamente nada é estático ou permanente. Tudo está sendo sempre alterado, renovado, reorganizado, reinventado, evoluído, enfim, tudo muda, e muda em um ritmo quase alucinante. E neste ambiente em constante mutação, entendo que podemos adotar basicamente três posturas bem distintas: a resistência, a adaptação ou a liderança.

A resistência tem por característica principal o medo de se deixar para trás uma situação ou estrutura conhecida. Resistir, em muitos casos, parece ser a reação mais natural diante de uma situação de mudança, como que em um ato de preservação daquilo que já está conquistado e estabelecido, afinal, muitos acreditam que não é prudente trocar o “certo” pelo “duvidoso”. Contudo, a efervescência do mundo atual trás consigo uma tal carga de desafios, pessoais, profissionais e comunitários, para os quais a adoção de uma postura de resistência pode nos tornar incapazes de fazer frente. A resistência cega e indiscriminada às mudanças tende a nos tornar profissionais inefetivos, cidadãos alienados e pessoas infelizes.

Já a postura de adaptação requer uma destacada capacidade de resiliência, bem como uma abertura para o constante aprendizado. Adaptar-se não se restringe à mera aceitação do novo, mas demanda o desenvolvimento de outras competências, mais adequadas aos novos contextos e estruturas. Aliás, é fundamental ressaltar que a aprendizagem é, ao mesmo tempo, causa e consequência dos processos de mudança. Mudamos em função daquilo que aprendemos e podemos aprender muito com as mudanças que vivenciamos.

Por fim, uma postura de liderança em relação à mudança está relacionada à capacidade de influir no rumo dos acontecimentos, por meio da identificação de possibilidades de ação, da criação de novas possibilidades, da tomada de decisões e, sobretudo, da realização de ações, seja de forma individual, seja de forma coordenada como outros indivíduos.

Liderar o processo de mudança requer o exercício pleno do papel de protagonista de nossa história, o qual é indissociável da responsabilidade pela efetiva observação (e reflexão) dos fatos e consequente execução de ações em resposta a eles. Trata-se de um ciclo contínuo que tem por objetivo influir e guiar os processos de mudança na direção que julgamos ser a mais adequada.

Contudo, é bastante salutar a lembrança de que a vida é uma complexa teia de cenários e possibilidades, na qual as decisões não se limitam a escolhas simples e opções estanques. Me parece claro que no curso de nossas vidas, acabemos por lançar mão de todas as posturas acima, bem como de um mix delas. O que devemos ter em mente é a necessidade de uma constante reflexão sobre a postura que temos adotado diante das situações e os resultados que temos obtido com essa forma de agir.

Grande abraço,

Marcelo Mello

P.S.: escrevo este post em meio a um significativo processo de mudança pessoal. Depois de 10 anos vivendo em Brasília (DF) estou me mudando com minha família para Curitiba (PR). Acredito que tal mudança seja resultado das possibilidades que criamos e das ações que realizamos, e espero que possamos explorar plenamente as oportunidades de aprendizado e evolução que surgirão como resultado desse processo.