Apenas alguns conceitos…

Estou na reta final de minha formação em Coaching Ontológico e, como parte das atividades requeridas para conclusão do curso, fomos demandados a escolher três conceitos dentre os muitos abordados e explorados durante a formação para falar um pouco sobre eles. Compartilho com vocês os conceitos que escolhi e minhas breves considerações:

Confiança: a construção de um clima de confiança entre coach e coachee é fundamental para que o processo de Coaching transcorra de forma fluida e adequada. Neste sentido, o coach deve cuidar com muita atenção para que o coachee não se sinta julgado ou acuado e nem tampouco manipulado. O coach deve conduzir o processo com respeito pela legitimidade do coachee, por sua história e modelo mental, prezando pela neutralidade e pela ética em todas as interações, afinal, fazer coaching é fazer ética. Deve ainda honrar os compromissos firmados com seu coachee, sobretudo o compromisso mútuo de dedicação total para com o processo.

 

Quiebre: Segundo Echeverria, um quiebre “é uma interrupção no fluir transparente da vida”. Trata-se de um juízo de que o que ocorreu não era o que eu (implicitamente) esperava que ocorresse. Neste momento, quebra-se a transparência e nos tornamos conscientes da relação sujeito-objeto em que estamos envolvidos. Os quiebres são parte fundamental de nosso desenho de vida. Ao declararmos um quiebre, nos vemos diante de várias possibilidades de ação para dar conta dele. Tais possibilidades remetem, no contexto da ontologia da linguagem, a diferentes tipos de conversação, a saber:

  • Conversas de juízos pessoais;
  • Conversas para coordenação de ações;
  • Conversas para possíveis ações;
  • Conversas para possíveis conversas.

Concordo plenamente com Echeverria, quando este argumenta que uma boa relação não é uma relação sem quiebres, mas sim uma relação que desenvolveu a capacidade de coordenar e empreender ações que deem conta destes quiebres de forma efetiva.

 

Amor (Maturana): Para Maturana, “amar é reconhecer o outro como legítimo outro, na convivência”. Talvez este seja um dos maiores desafios de nossa sociedade, sobretudo nos dias atuais, marcados por tanto individualismo, competição e ódio. Contudo, esta singela definição “Maturânica” de amor me parece ser o pilar fundamental do Coaching Ontológico. Não podemos ser território para nossos coachees se não os reconhecermos como legítimos seres humanos, com legítimas trajetórias, legítimas visões de mundo, legítimos desejos e, tudo isso, imersos no complexo e imprevisível espaço da convivência. Se fazer Coaching (pelo menos o Ontológico) é fazer ética, então, entendo que precisamos aprender a viver, verdadeiramente, o amor de Maturana, para que possamos servir aos nossos coachees, ajudando-os a cuidar de seus quiebres e a conduzir suas demandas.

 

Grande abraço,

 

Marcelo Mello

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