Resenha do livro “O enigma de Espinosa” de Irvin D. Yalom

Baruch, Bento, Benedictus… são vários os nomes pelos quais podemos nos referir a Espinosa, de acordo com o idioma que se prefira adotar. Um dos principais nomes da filosofia moderna, suas ideias revolucionaram a forma de pensar da humanidade e influenciaram muitos outros filósofos e pensadores. Viveu uma vida curta e bastante modesta e isolada, resultado do choque que suas ideias causaram em uma sociedade supersticiosa e intolerante, contudo, certamente ele diria que as coisas foram como só poderiam ter sido.

O livro adota um estilo já característico do autor, empregado em outras obras suas, como “Quando Nietzsche chorou” e “A cura de Schopenhauer”, e que consiste em entremear uma história muito bem elaborada com as ideias e parte da vida do filósofo. No caso de Nietzsche, ele próprio é o protagonista do romance, apresentando diretamente suas ideias e reflexões. Já Schopenhauer e sua filosofia pessimista surgem como modelo e resposta propostos por um dos personagens da história para os problemas que emergem em sua vida e na vida daqueles que o cercam.

Em “O enigma de Espinosa”, Yalom alterna entre duas histórias, separadas no tempo e no espaço, mas que se cruzam pela força das ideias. De um lado, temos uma espécie de mini biografia romanceada de Espinosa, acompanhada de uma pequena parte de sua impactante filosofia. De outro, acompanhamos a evolução de um dos ícones do nazismo, o escritor e político alemão Alfred Ernst Rosenberg, conselheiro de Hitler e principal teórico das ideias antisemitas que fundamentaram o Holocausto.

Com muita habilidade e inteligência, Yalom nos brinda com uma narrativa rica e sedutora, explorando toda a inquietação que as ideias de Espinosa provocam em Rosenberg. Ao mesmo tempo, somos também impactados pelas diversas formas de manifestação do ódio e da ignorância ao longo da história. Não há dúvida de que a perseguição e o extermínio em massa de Judeus pelos Nazistas foi um dos maiores e mais horrendos crimes já cometidos na Humanidade, contudo, a excomunhão de Espinosa por parte de sua comunidade judaica não deixa de ter sua raiz na intolerância e na incapacidade de legitimar o outro, com suas ideias e modo de vida diferentes do considerado “correto” ou “melhor”.

“O Enigma de Espinosa” é um livro sensível e impactante sob vários aspectos. Além de uma sempre necessária lembrança do potencial terror dos regimes totalitários, ele também serve como uma belíssima introdução ao profundo e fundamental pensamento de Baruch Espinosa, ao qual vale a pena dedicarmos tempo e atenção, sobretudo se desejamos ampliar nossas possibilidades de compreensão e intervenção no mundo.

grande e fraterno abraço,

Marcelo Mello

Resenha do livro “Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas” de Robert M. Pirsig

Caros amigos, escrevo este post ainda fortemente impactado pela leitura deste livro, concluída há poucas horas. Não é, definitivamente, um livro comum ou só mais uma leitura “interessante”… Trata-se de uma jornada profunda e altamente reflexiva pela alma humana e pelos castelos, aparentemente sólidos, de nosso conhecimento. Mas quem melhor que seu próprio criador para nos apresentar sua obra??? Em um texto complementar, anexado à edição comemorativa dos 25 anos de lançamento de ZAMM (Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas), Robert Pirsig assim caracteriza seu texto, recusado por mais de cem editores antes de ser aceito e lançado por uma pequena editora, para então alcançar o status de best-seller com mais de 5 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo:

“Zen e a arte da manutenção de motocicletas são essencialmente três livros: o relato de uma viagem de moto de Minnesota à Califórnia, uma meditação filosófica sobre o conceito de Qualidade e a história de um homem perseguido pelo fantasma de seu eu anterior. Nesses três livros encontramos alegorias e tensões psicológicas, uma lição sobre as escolas de pensamento do Oriente e do Ocidente, uma charada sobre o sentido da existência, um comentário sobre a paisagem física e social dos Estados Unidos e algumas dicas bastante úteis sobre a manutenção de uma motocicleta.”

Dotado de uma estrutura altamente complexa e cuidadosamente elaborada, o livro leva o leitor a uma profunda imersão na mente do protagonista, seus conflitos, angústias, fugas e contradições. O estilo de narrativa em primeira pessoa é a estratégia usada pelo autor para realizar este feito. É por meio do olhar enviesado do narrador que conhecemos Fedro (o fantasma que o atormenta) e sua conturbada jornada em busca do conhecimento, contra a hipocrisia das instituições…

“Sentia ele (Fedro) que as instituições, como as escolas, igrejas, governos e organizações políticas de toda espécie, tendem a direcionar o pensamento para outras finalidades que não a verdade: para a perpetuação de suas funções e para a subordinação dos indivíduos a essas funções.”

“Quando você é educado para desprezar ‘o que lhe agrada’, torna-se um servo muito mais obediente – um excelente servo. Quando aprende a não fazer ‘ o que lhe agrada’, o Sistema passa a amá-lo.”

…e contra a ignorância e a superficialidade dos indivíduos…

“Para as ovelhas, Qualidade é o que o pastor diz. E, se você levar um ovelha para o alto das montanhas à noite, com o zunir do vento, a ovelha entrará em pânico e balirá desesperadamente até o pastor chegar, ou chegar o lobo.”

“Fedro visualiza essas almas sozinhas, à noite, depois de tirar os sapatos, as meias e as roupas de baixo que lhes foram vendidas bem caro pela propaganda, a contemplar, através de fuligem que se acumula nas janelas, as cascas grotescas que além destas se revelam – quando a pose se desfaz e a verdade se apresenta, a única verdade que existe aqui, a clamar aos céus: meu Deus, aqui não há nada a não ser este néon sem vida, este cimento e estes tijolos!”

A profunda investigação sobre a Qualidade, um dos três pilares do livro, brinda o leitor com poderosas reflexões filosóficas e complexas análises acerca das tradicionais estruturas de pensamento que moldam o padrão de comportamento da sociedade. Ao longo de sua jornada, enriquecedora e turbulenta, Fredo conclui que a Qualidade, seu objeto de pesquisa e verdadeira obcessão, é a causa geradora de sujeitos e objetos e não uma mera consequência derivada destes. Como tal, a Qualidade não é passível de definição e jamais se submeteria às convenções da tal Igreja da Razão (como Fedro chamava as tradicionais Instituições de Ensino).

“Em nosso estado orgânico altamente complexo, nós, organismos avançados, respondemos ao nosso ambiente inventando muitas analogias maravilhosas. Inventamos a terra e o céu, as árvores, as rochas e o mar, os deuses, a música, as artes, a linguagem, a filosofia, a engenharia, a civilização e a ciência. Damos a essas analogias o nome de realidade. E elas são a realidade. Em nome da verdade, hiponotizamos nossos filhos para levá-los a saber que elas são a realidade. Os que não aceitam essas analogias, nós os colocamos num hospício. Porém, o que nos leva a inventar as analogias é a Qualidade. A Qualidade é o estímulo contínuo que o ambiente nos impõe para criar o mundo em que vivemos: o mundo todo, em cada uma de suas partes.”

Além da instigante jornada intelectual, o leitor acompanha também uma bela jornada territorial, ao longo das estradas e diversas paisagens dos Estados Unidos, de pai e filho, dividindo a mesma motocicleta, mas emocionalmente separados por anos de aflições, desencontros e frustrações. Porém, a grata surpresa é descobrir que, ao final, o que cura tais feridas não é a prevalência da aparente normalidade que caracteriza a vida presente do pai, mas sim o retorno de Fedro, este sim a presença paterna genuína da qual o filho tanto sentia a falta.

“Evidentemente, as aflições nunca acabam. Enquanto estivermos vivos, estaremos fadados a padecer a infelicidade e o sofrimento, mas tenho agora um sentimento que não tinha antes e que não está apenas na superfície das coisas, mas penetra até o fundo: vencemos. Agora, tudo vai melhorar. Dá para sentir essas coisas.”

ZAMM é uma obra atemporal, capaz de nos fazer refletir sobre as questões mais profundas da humanidade, com extrema levaza e com humor. É, seguramente, um daqueles livros que merecem ser lidos pelo maior número possível de pessoas.

grande e fraterno abraço,

Marcelo Mello

No templo da ciência…

No templo da ciência há muitas moradas… e muito diferentes entre si, de fato, são os que lá residem e os motivos pelos quais ali chegaram.

Muitos encetam sua caminhada científica por se julgarem dotados de faculdades intelectuais superiores; desses, a ciência é o esporte no qual buscam experiências vívidas e a satisfação de suas ambições. No templo se encontram, ainda, muitos outros que ofereceram no altar os produtos de seu saber por motivos puramente utilitários. Viesse um anjo do Senhor para expulsar do templo quantos pertencem a essas duas categorias, ele achar-se-ia sensivelmente mais vazio, mas ainda restariam alguns homens tanto do presente quanto de épocas passadas… Se os tipos que expulsamos fossem os únicos, o templo jamais teria existido, da mesma meneira que não pode haver uma floresta feita somente de plantas trepadeiras… os que mereceram o favor do anjo… são sujeitos bastante excêntricos, solitários e pouco comunicativos; na realidade, são bem menos semelhantes uns aos outros do que o batalhão dos rejeitados são entre si.

Não há uma resposta única à pergunta de… o que os trouxe ao templo… a fuga da vida cotidiana, com sua dolorosa brutalidade e sua monotonia sem esperanças; a fuga aos grilhões dos seus próprios desejos mutáveis. Uma natureza refinada busca escapar de seu ambiente ruidoso e limitado e alçar-se ao silêncio das altas montanhas, onde os olhos descortinam livremente a paisagem revelada por um ar ainda puro e distinguem apaixonamente os repousantes contornos, construídos aparentemente para toda a eternidade.

O texto acima é parte de um discurso proferido em 1918 por um jovem cientista alemão chamado Albert Einstein e foi extraído do livro “Zen a arte da manutenção de motocicletas” de Robert M. Pirsig. Compartilho aqui porque sua leitura me tocou e me incitou reflexões diversas, sobretudo acerca do desde onde fazemos o que fazemos

abraço fraterno,

Marcelo Mello

Minha pergunta a Deus

Ontem, enquanto navegava meio sem rumo pelo mar de conteúdos do YouTube, acabei sendo contemplado com um trecho de uma entrevista do grande escritor paraibano Ariano Suassuna.

Quando indagado se ele acreditava em Deus, prontamente respondeu que sim e explicou que não seria capaz de ver sentido em um mundo com tanta crueldade e dor sem a existência de Deus. Mas o que mais me chamou a atenção foi a citação, ou melhor, a belíssima declamação de um poema que ele utilizou para ilustrar seu raciocínio:

Se eu conversasse com Deus
Iria lhe perguntar:
Por que é que sofremos tanto
Quando viemos pra cá?
Que dívida é essa
Que a gente tem que morrer pra pagar?

Perguntaria também
Como é que ele é feito
Que não dorme, que não come
E assim vive satisfeito.
Por que foi que ele não fez
A gente do mesmo jeito?

Por que existem uns felizes
E outros que sofrem tanto?
Nascemos do mesmo jeito,
Moramos no mesmo canto.
Quem foi temperar o choro
E acabou salgando o pranto?

As perguntas acima, expressas de forma tão sublime pelo poeta Leandro Gomes de Barros, refletem muito fortemente minhas próprias inquietudes acerca de Deus e de seu papel neste mundo. Hoje, não tenho convicção de que Deus seja uma necessidade, contudo, tal qual Ariano, penso que todo o mal e a infindável carga de sofrimento que assolam nossa humanidade colocam em xeque a própria existência de Deus e, sem dúvida alguma, se eu tivesse a oportunidade de com ele conversar, seria esta a natureza dos meus questionamentos.

abraço,

Marcelo Mello

O deus de Espinoza

Baruch Espinoza foi um filósofo racionalista holandês, cuja construção filosófica é considerada uma das mais relevantes da filosofia moderna. Sua concepção de Deus é um dos pilares de todo seu pensamento e foi a razão de boa parte da rejeição e perseguição que sofreu durante sua vida.

Hoje não tenho mais convicção acerca da existência de Deus, contudo, se ele existe, a visão de Espinoza me faz muito mais sentido do que as descrições dogmáticas das teologias religiosas tradicionais.

Eis o deus de Espinoza:

Grande e fraternal abraço,

Marcelo Mello

P.S.: para conhecer um pouco mais sobre o pensamento de Espinoza, recomendo assistir também aos vídeos abaixo:

Resenha do livro “O mundo de Sofia” de Jostein Gaarder

Este romance norueguês, publicado originalmente em 1991 (e que já foi traduzido para mais de 60 idiomas) entrou no meu radar de leituras após meu interesse pela filosofia tem sido despertado durante minha formação em Coaching Ontológico no Território Appana. Em minhas pesquisas sobre livros de filosofia, acabei me deparando com este título, sobre o qual já tinha ouvido falar, mas nunca devotei atenção.

É importante ressaltar que não se trata de uma obra de referência sobre filosofia, mas sim de um romance que transita, de forma bastante leve, pela história do pensamento ocidental, abordando desde os filósofos clássicos, como Sócrates e Platão, passando pela Idade Média e pelo Renascentismo, explorando também pensadores racionalistas como Descartes e Baruch Espinosa, empiristas como Locke e Hume, bem como nomes consagrados nas ciências como Marx, Darwin e Freud.

É interessante destacar que esta viagem pela história da filosofia se dá dentro das histórias de Sofia e Hilde, duas garotas prestes a completar 15 anos, e cujos caminhos e mundos se cruzam em meio a reflexões filosóficas e existenciais. Cada situação vivida pelas protagonistas é, em algum grau, uma tentativa de responder à questões que instigam os pensadores desde a antiguidade: como o mundo foi criado? Existe vida após a morte? Como devemos viver? Refletir e buscar respostas coerentes para estas e outras questões é o grande desafio apresentado à Sofia, à Hilde e aos leitores que acompanham sua jornada.

“A única coisa de que necessitamos para ser filósofos é a capacidade de nos admirarmos com as coisas.”

Trata-se de uma leitura bastante agradável e interessante para quem quer ter um panorama geral da história do pensamento filosófico, funcionando como um ponto de partida para futuros aprofundamentos em períodos, correntes filosóficas e pensadores específicos. Seguramente é uma obra que gostaria que meus filhos lessem.

grande e fraterno abraço,

Marcelo Mello

Um poema sobre a tristeza

Acolha a tristeza

Triste é não escutar a tristeza.

Existem lições que

só ela pode ensinar.

Triste é escolher

ignorar a sabedoria.

Triste é falsificar a felicidade.

É entristecer a felicidade.

Triste é não reconhecer

o outono e o inverno das coisas.

Por isso escolha ouvir.

Sente nas folhas douradas

que estão no chão.

Aprenda as lições que estão na voz

silenciosa de um momento triste.

Ali também há sabedoria.

E, quando essas lições são aprendidas, há paz.

Há gratidão.

Paz em saber que a vida

é repleta de estações.

Gratidão por ter aprendido

as lições, e agora os pés

podem seguir em frente.

Já é primavera.

Zack Magiezi, poeta – @zackmagiezi

via revista Vida Simples – ed. 210, pág. 58

grande e fraterno abraço,

Marcelo Mello

E a vida?

“Viver é o grande desafio, mas é preciso que o fascínio da vida possa nos seduzir, nos embriagar, nos fortalecer para que sejamos capazes de empreender as grandes jornadas em direção a nós mesmos e ao mundo. A arte é um antídoto para o sofrimento, somente a arte nos torna capazes de afirmar a vida com todas as suas contradições e desconhecimentos.”

Viviane Mosé em Nietzsche Hoje.

Nietzsche e a Complexidade

Meus amigos,

ao contrário do que o título deste post possa dar a entender, não pretendo aqui apresentar nenhuma análise da relação entre a filosofia de Nietzsche e os conceitos inerentes à teoria da complexidade.   O objetivo aqui é tão somente compartilhar minhas principais impressões e destaques acerca de dois livros cuja leitura conclui recentemente: “Quando Nietzsche chorou” de Irvin Yalom e “As paixões do ego” de Humberto Mariotti.

O livro de Irvin Yalom é um clássico mundial e retrata o fictício encontro entre dois personagem reais: o filósofo alemão Friedrich Nietzsche e o médico austríaco Josef Breuer. Enquanto Nietzsche e sua avassaladora filosofia dispensam maiores apresentações, é importante destacar que Breuer foi contemporâneo e amigo de Sigmund Freud, tendo exercido significativa influência na concepção e desenvolvimento dos fundamentos da psicoterapia. Aliás, o livro explora bastante a relação entre Breuer e Freud, à época ainda um médico em início de carreira.

Os belíssimos diálogos que se desenvolvem entre Nietzsche e Breuer revelam uma complexidade emocional e uma profundidade intelectual fascinantes. Nietzsche vai  bradando, com gradativa intensidade, seu impiedoso martelo filosófico, promovendo a destruição dos ídolos e das ilusões de Breuer. Este, por sua vez, vai delineando, por meio da cuidadosa observação do comportamento de Nietzsche e de intervenções delicadamente planejadas, os conceitos fundamentais do que viria a ser a prática da psicologia. E tudo isso ocorre em meio a um complexo processo de construção de confiança e afetos mútuos.

Sem dúvida alguma, “Quando Nietzsche chorou” é um daqueles livros cuja leitura é capaz de incitar reflexões profundas e, me arrisco dizer, transformações significativas na estrutura do leitor.

Quando Nietzsche chorou

 

 

“…odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia.” (Friedrich Nietzsche)

 

 

 

 

 

As paixões do ego

 

 

“Discordando, concordando na aparência, ou apenas fingindo ouvir, o propósito é sempre o mesmo: negar a existência do interlocutor que questiona, afastar a possibilidade de que ele possa trazer algo novo e útil – fugir à diferença, enfim.” (Humberto Mariotti)

 

Já a obra de Humberto Mariotti, denominada “As paixões do ego”, tem como tema central o pensamento complexo e, ao longo do texto, o autor apresenta inúmeras distinções relacionadas e que compõem um grande panorama sobre este tema. Agregando as ideias de importantes pensadores como Gregory Bateson, Edgar Morin, Humberto Maturana, Francisco Varela, David Bohm, entre outros, Mariotti analisa o pensamento linear, característico de da cultura patriarcal, bem como sua alternativa sistêmica, não com o intuito de confrontá-los, mas sim de propor o caminho da complementariedade entre ambos os modelos, o que, segundo ele, resultaria no que ele distingue como pensamento complexo.

À luz do pensamento complexo, Mariotti aborda questões sociais, políticas e éticas, suscitando reflexões profundas e bastante pertinentes para nossa sociedade. Dois pontos, ao meu ver, merecem maior destaque:

1) Automatismo do modelo concordo/discordo: Mariotti alerta para a os riscos de reagirmos de forma automática e instantânea em nossas interações classificando o que ouvimos em “concordo” ou “discordo” sem abrir espaço para uma escuta sincera e uma reflexão mais profunda;

2) Os cinco saberes do pensamento complexo: segundo o autor, para se viver em plenitude o pensamento complexo, é preciso saber ver, saber esperar, saber conversar, saber amar e saber abraçar;

Sem dúvida alguma, a obra de Humberto Mariotti é extremamente útil e recomendada para quem deseja iniciar uma exploração do tema da complexidade e suas distinções relacionadas, o que me parece bastante pertinente em um mundo em constante ebulição como o que vivemos hoje.

 

grande abraço,

 

Marcelo Mello