Resenha do livro “Comece pelo porquê” de Simon Sinek

Vivemos em um mundo repleto de complexos fenômenos e, talvez, nosso principal hobby seja o de construir explicações para dar sentido a eles. É exatamente a isto que se propõe o livro de Simon Sinek, ou seja, explicar o fenômeno de organizações, movimentos e pessoas que conseguem influenciar outras pessoas a seguir suas ideias, adotar seus produtos e apoiar suas causas.

Sinek ganhou significatico destaque depois de expor sua teoria em um TED Talk em 2009 (que já tem mais de 50 milhões de visualizações) e, desde então, tem levado suas ideias a diversos públicos, de vários setores, em todo o mundo.

A ideia central do livro, como o próprio título deixa claro, é a de que todos os nossos empreendimentos, sejam eles pessoais ou corporativos, devem ter seu início assentado em um claro “porquê”, em um propósito original que dê sentido ao agir. A partir deste “porque”, e sempre alinhado a ele, é que virão o “como” e os “o quês”, os quais servem para dar concretude ao “porquê”.

O autor lança mão de alguns exemplos de sucesso corporativo, como Apple e Harley Davidson, para ilustrar sua tese sobre a importância do porquê, defendendo que, mais do que clientes, estas empresas conquistam adeptos para sua causa, a qual são capazes de manterem-se fiéis ao longo de toda sua trajetória. Há uma argumentação intensa e incisiva de que se você descobrir e seguir seu porquê, então os outros seguirão você. Será mesmo???

Achei a ideia muito bonita e não duvido da crença e nem das nobres intenções de Simon, contudo, vivemos em um mundo cada vez mais individualista e superficial… tenho a triste impressão de que as pessoas tendem a seguir o que mais lhes convém em cada momento, aquilo que aplaca suas paixões e seus apetites imediatos e não algo que esteja relacionado a valores mais elevados ou que demande qualquer tipo de sacrifício ou renúncia.

O livro é interessante e até oferece alguns insights úteis, mas temo que flerte com a ingenuidade ao desconsiderar a complexa rede de causalidades que moldam as grandiosas realizações humanas, bem como a liquidez que tem pautado nossas relações contemporâneas.

abraço,

Marcelo Mello

Resenha do livro “Calma” (The School of Life)

Quando li o famoso livro de Daniel Goleman, Inteligência Emocional, fui formalmente apresentado a uma poderosa distinção, o “sequestro emocional” (aquele momento crucial em que a amígdala cortical assume o controle de nossas reações antes que nosso neocórtex tenha a chance de avaliar minimamente a situação). As explicações de Goleman lançaram uma necessária luz sobre determinados comportamentos que, eventualmente, eu demonstro e dos quais não me orgulho.

Os sequestros emocionais geralmente não acabam bem pois o impulso de atacar o outro pode até ter sido útil para a sobrevivência de nossos ancentrais mais remotos, mas não combina muito com a vida moderna em uma sociedade dita civilizada e, seguramente, não é a melhor forma de zelar pelas nossas relações.

Há algum tempo, venho me esforçando para trilhar uma jornada de aprendizagem e evolução, buscando aprimorar minha autoconsciência, minha autoregulação e minha capacidade de empatia (não por acaso, alguns dos pilares do modelo de Inteligência Emocional proposto por Goleman). Meu propósito é ser uma presença mais positiva no mundo, contribuindo para que, de alguma forma, ele seja um lugar melhor. Neste sentido, tenho procurado beber de diversas fontes e, recentemente, pesquisando sobre o trabalho realizado pela The Scholl of Live São Paulo, acabei me deparando com este título tão sugestivo.

Trata-se de um livro curto, dividido em apenas quatro capítulos. Os três primeiros exploram algumas das possíveis causas de nossos arroubos emocionais: nossos relacionamentos amorosos, o comportamento das outras pessoas e nosso ambiente de trabalho. Em cada um destes contextos, são exploradas situações cotidianas que costumam abalar nossa serenidade, bem como são apresentadas interpretações alternativas para que tais fenômenos não se transformem em gatilhos para os tão indesejáveis sequestros emocionais.

Já o capítulo quatro foca no outro lado desta balança emocional: as potenciais fontes de ampliação ou manutenção de nossa calma. Nossos sentidos (visão, audição e tato) são apresentados como potenciais canais para aquietar nossa mente e dissipar nossas augústias e inquietudes. Da mesma forma, um olhar mais amplo para o passado, para nossa história, também é uma das formas sugeridas para se alcançar a serenidade. O texto nos lembra que a humanidade já passou por muitos períodos difíceis, mas que, de um jeito ou de outro, sempre conseguimos seguir adiante.

“As notícias já foram muito piores e, no fim, deu tudo certo… sempre houve líderes decepcionantes e magnatas gananciosos. Sempre houve ameaças existenciais à raça e à civilização humana. Não faz sentido, e é uma forma de narcisismo, imaginar que nossa época tenha algum tipo de monopólio da perversidade ou do caos.”

A conclusão proposta é a de que o atingimento de um estado de calma e tranquilidade depende fundamentalmente de nossas escolhas, nem sempre fáceis.

“Calma” é um livro simples e objetivo e, apesar de sua abordagem relativamente superficial, nos brinda com algumas ideias bastante úteis para avançarmos na busca pela manutenção da compostura e da cabeça no lugar, mesmo diante de um mundo cada vez mais conturbado.

abraço,

Marcelo Mello

Onde estaremos quando tudo isso passar?

Caros amigos, estamos vivenciando um dos períodos mais desafiadores das últimas décadas. A pandemia global do coronavírus tem gerado um cenário de medo, sofrimento e incerteza sem precedentes em nossa história recente. As autoridades ao redor do mundo buscam compreender a extensão da crise e todos os seus impactos, ao mesmo tempo que precisam tomar decisões extremamente difíceis e, cujos efeitos colaterais, são altamente preocupantes.

“Essa tempestade vai passar. Mas as escolhas que fizermos agora podem mudar nossas vidas nos próximos anos.” (Iuval Noah Harari)

São inúmeras as dúvidas que todos temos acerca de quais caminhos adotar para superação deste trágico evento, contudo, em que pese a urgência que este cenário impõe, algumas perguntas de mais longo prazo começam a surgir: que mundo teremos quando isso ocorrer? Quais os impactos de nossas decisões imediatas? O que queremos preservar e o que desejamos mudar em nosso modo de vida? Na esteira destas questões, gostaria de compartilhar aqui um artigo que li no site Papo de Homem e que foi publicado (originalmente) no Financial Times pelo filósofo e escritor israelense Yuval Noah Harari, autor dos best sellers Sapiens e Homo Deus. Com a perspicácia e profundidade características de seus livros, ele nos brinda com um texto brilhante, que nos leva a uma necessária reflexão sobre o impacto de nossas escolhas como sociedade para o futuro da humanidade.

Artigo “o mundo após o coronavírus”

Espero que usufruam desta leitura e que as ideias de Yuval possam, de alguma maneira, lhes ajudar a enfrentar esta tempestade sem perder de vista a bonança que, esperamos todos, virá.

abraço fraterno,

Marcelo Mello

Caracterizando a Liderança VIII – Porque ela é tão importante

Caros amigos,

o pequeno texto abaixo, extraído de um dos artigos que compõem o livro “Liderança baseada em Valores” não se propõe exatamente a definir o que vem a ser a Liderança, mas apresenta algumas de suas possíveis finalidades e benefícios:

“A liderança é fundamental para levar o potencial ao fato, pois, ao mesmo tempo em que integra e alinha, reduzindo custos de transação entre os indivíduos, constrói o caminho para o sucesso porque abre mão do poder burocrático tradicional e utiliza a autoridade do cargo para exercer a orquestração das competências.”

A citação acima, apesar de curta, é extremamente poderosa, pois abarca três distinções fundamentais para o exercício da liderança: a geração de resultados, a construção de confiança (que reduz os custos de transação) e a orquestração de ações, seja entre indivíduos, equipes, organizações ou até mesmo nações (a depender do escopo do desafio).

grande abraço,

Marcelo Mello

O que dá sentido ao texto…

Meus amigos,

se eu tivesse que resumir meu curso de Mestrado em uma única frase, seguramente ela seria: “o que dá sentido ao texto é o contexto”. A primeira vez ouvi isso foi em uma das aulas iniciais da disciplina de GRO – Gestão de Relacionamentos nas Organizações. Um professor de voz tranquila e olhar sereno (que viria a se tornar meu orientador e melhor amigo) proferiu estas palavras de forma tão simples e natural que, num primeiro momento, eu não dei a devida importância. Contudo, com o passar do tempo e o aprofundar das minhas reflexões, compreendi o quão poderosa é esta sentença, dadas todas as possibilidades que ela encerra.

Entre o que alguém fala e o que outro escuta, existe uma lacuna significativa (por vezes, um abismo) que impõe severos riscos à efetividade das conversações. Uma das formas para se tentar diminuir tal lacuna é por meio da construção de um contexto compartilhado, no qual as informações intercâmbiadas possam encontrar amparo.

“O fenômeno da comunicação não depende daquilo que se entrega, mas sim do que se passa com quem recebe. E isto é algo muito diferente do que a mera transmissão de informação.” (Humberto Maturana)

O ambiente organizacional é predominantemente conversacional. Em um nível mais operacional, são constantes as determinações, orientações, direcionamentos, feedbacks e esclarecimentos fornecidos pelos gestores a seus colaboradores. Da mesma forma, são abundantes os pedidos, ofertas, sugestões e reclamações, dos membros da equipe para seus gestores. Para que este constante fluxo de comunicação seja efetivo, ou seja, produza os resultados desejados tanto para a organização quanto para seus indivíduos, é fundamental que as informações façam sentido e, para isso, o contexto é imprescindível. Sem um contexto adequado, a chance de que uma interação venha a produzir resultados indesejados, gerando o que comumente chamamos de “ruídos de comunicação”, é muito grande.

Se analisarmos esta questão num plano mais estratégico, a existência de um contexto compartilhado claro e bem definido se torna ainda mais crucial para a existência da organização, na medida em que a vivência de seu propósito (razão de existir) e o engajamento na busca de seus objetivos estratégicos, por parte das pessoas que a compõem, dependem fundamentalmente da geração de sentido. A motivação (motivo para a ação) somente virá, com a potência necessária, se as pessoas compreenderem para onde estão indo e porque é importante ir naquela direção. É justamente isso que um contexto adequadamente compartilhado pode ajudar a clarificar.

Dedicar-se a construção de contextos compartilhados suficientemente poderosos para tornar efetivas as conversações, sejam elas operacionais ou estratégicas, deve ser uma preocupação cotidiana dos líderes em todos os níveis hierárquicos. Neste sentido, é imprescindível cuidar com extremo zelo do que se diz e do que se faz, a todo instante. Incoerência, desrespeito, confusão, desatenção, falta de reconhecimento, entre outras posturas, além de totalmente inadequadas, são verdadeiros pecados capitais, que minam a confiança nas relações e destroem (rapidamente) qualquer possibilidade de existência de um contexto adequado para suportar as interações e a coordenação de ações entre os diversos atores do cenário organizacional.

As pessoas, sobretudo nesta era do conhecimento e de profunda transformação digital que vivemos, demandam por sentido, propósito e valorização. Se tais demandas não forem adequadamente atendidas, dificilmente as organizações conseguirão que seus times superem os complexos desafios de nosso tempo e construam o futuro do qual elas dependem para prosperar.

Feliz Natal,

Marcelo Mello

Das tripas coração (Humberto Gessinger)

Hoje pela manhã, no caminho de casa para o trabalho, estava eu absorto em reflexões sobre as diversas e fascinantes possibilidades que a vida constantemente nos apresenta, ainda bastante impactado por uma conversa (como de costume) profunda e significativa com meu amigo e mestre Gentil Lucena. Neste momento, uma canção começou a tocar no som do carro e, com fascinante sincronicidade, se integrou completamente aos pensamentos e sentimentos que me tomavam. Este é o contexto e esta é a canção:

“Águas passadas não movem moinhos. Águas paradas também não…”

Abraço,

Marcelo Mello

Um poema sobre a tristeza

Acolha a tristeza

Triste é não escutar a tristeza.

Existem lições que

só ela pode ensinar.

Triste é escolher

ignorar a sabedoria.

Triste é falsificar a felicidade.

É entristecer a felicidade.

Triste é não reconhecer

o outono e o inverno das coisas.

Por isso escolha ouvir.

Sente nas folhas douradas

que estão no chão.

Aprenda as lições que estão na voz

silenciosa de um momento triste.

Ali também há sabedoria.

E, quando essas lições são aprendidas, há paz.

Há gratidão.

Paz em saber que a vida

é repleta de estações.

Gratidão por ter aprendido

as lições, e agora os pés

podem seguir em frente.

Já é primavera.

Zack Magiezi, poeta – @zackmagiezi

via revista Vida Simples – ed. 210, pág. 58

grande e fraterno abraço,

Marcelo Mello

Resenha do livro “Comunicação não-violenta” de Marshall B. Rosenberg

O tema da comunicação não-violenta tem ganho considerável espaço no meio organizacional ao longo dos últimos anos. Seus conceitos e práticas tem sido objeto de estudo e (tentativas de) aplicação em diversas organizações que buscam aprimorar suas relações e construir ambientes de trabalho e negócios mais efetivos e sustentáveis.

Eu já havia ouvido o termo CNV algumas vezes, tanto em minha organização, quanto referenciado em textos e notícias no mercado em geral, contudo, foi durante minha formação em Coaching no Território Appana que tive oportunidade de conhecer e interagir com pessoas que já conheciam e até mesmo trabalhavam com este assunto. Isto fez com que meu interesse pelo tema crescesse e que eu incluísse o livro de Marshall Rosenberg em minha lista de leituras.

Marshall Bertram Rosenberg (1934 – 2015) foi um psicólogo americano que desenvolveu o processo da CNV em 1963, tendo-o aplicado e aprimorado desde então. Segundo a página do CNVC (Center for Nonviolent Communication), organização sem fins lucrativos fundada por Marshall, seu método de comunicação já foi objeto de treinamento e aplicação em mais de 60 países, visando a resolução de conflitos tanto em organizações (dos mais variados setores), quanto em núcleos familiares.

“Em um mundo violento, cheio de preconceitos e mal-entendidos, buscamos ansiosamente soluções. Pois a boa comunicação é uma das armas mais poderosas, econômicas e de fácil aplicação.

Segundo seu criador, o processo da CNV está fundamentado em quatro componentes:

  1. Observação;
  2. Sentimento;
  3. Necessidades;
  4. Pedido.

De forma resumida, primeiramente devemos observar o que está ocorrendo, sem nenhum julgamento prévio. Em seguida, identificamos como estamos nos sentindo em relação àquela situação. Na sequência, buscamos identificar a quais de nossas necessidades estes sentimentos estão conectados e, por fim, formulamos um pedido específico visando atender a estas necessidades.

Ao longo de sua obra, o autor explora e detalha cada uma destas etapas do processo, exemplificando situações e sugerindo possíveis cursos de ação para colocar em prática a CNV. De forma simples e eficaz, Marshall demonstra todo o potencial desta abordagem para a construção e/ou restauração das relações em quaisquer esferas da vida.

“Para além das nossas ideias de certo e errado, existe um campo. Eu me encontrarei com você lá.” (Rumi)

Apesar de ter sido concebida há quase seis décadas, a CNV me parece extremamente atual e pertinente. Em um mundo cada vez mais individualista, polarizado e intolerante, é fundamental que possamos encontrar mecanismos para a promoção de empatia e de uma verdadeira conexão entre os seres humanos, independentemente de suas culturas, crenças ou hábitos individuais. Sem isso, corremos o sério risco de sermos os responsáveis por nossa própria extinção.

fraterno abraço,

Marcelo Mello

Caracterizando a Liderança VII – Jack Welch e o papel do líder

Hoje me deparei com este pequeno vídeo na timeline do meu Linkeln, no qual o famoso empresário Jack Welch apresenta uma visão muito interessante acerca do papel do líder em nossas organizações. Para além da tradicional visão heroica e romantizada, tão comum na literatura e no discurso desta área, Welch propõem uma atuação fortemente calcada em questões práticas e relevantes do dia a dia organizacional: significado do trabalho, burocracia (ou fardo organizacional), generosidade e diversão (como parte do processo produtivo).

Jack Welch e o papel do líder

Gerar bons resultados em um mundo tão complexo e repleto de incertezas como o que vivenciamos atualmente é, sem dúvida alguma, uma tarefa extremamente desafiadora, mas as ideias de Welch me parecem bastante úteis para aqueles que desejam verdadeiramente fazer a diferença como líderes do Século XXI.

grande abraço,

Marcelo Mello