Resenha do livro “Dignidade!” (vários autores)

Meus amigos,

confesso que algumas vezes chego (mesmo que só por alguns momentos) a perder a fé na humanidade. São tantas mentiras, iniquidades, violências, tragédias, maldades, arbitrariedades, injustiças, mandos e desmandos acontecendo cotidianamente ao nosso redor que não é tarefa trivial manter-se otimista quanto ao nosso futuro.

Por outro lado, nem tudo é escuridão e tristeza. Existem várias pessoas e organizações agindo com o único e nobre objetivo de ajudar ao próximo, e eles são muitos, espalhados pelo mundo inteiro, embora localizados em maior número, não por acaso, nos países mais pobres.

Uma dessas organizações é a MSF – Médicos Sem Fronteiras – a qual mantém um impressionante trabalho assistencial em mais de 70 países com mais de 28 mil profissionais de diferentes especialidades.

Dignidade

E é justamente este belo e inspirador trabalho o tema do livro Dignidade!, no qual nove escritores foram convidados a visitar diferentes iniciativas da MSF e contar sobre suas experiências ao entrar em contato com situações extremamente chocantes como os estupros no Congo, a epidemia de doença de Chagas na Bolívia, as vítimas de tuberculose e HIV na África do Sul, o combate à leishmaniose visceral em Bangladesh e os imigrantes ilegais presos na Grécia.

São histórias carregadas de muita dor, sofrimento e injustiça social, mas também são relatos que demonstram o poder da solidariedade, materializada em pessoas que deixam de lado todas as coisas que nossa sociedade contemporânea tanto valoriza (status, conforto, poder, dinheiro, etc) para dedicar seu tempo, energia e conhecimento em prol do bem estar de seus semelhantes.

Dignidade! é um livro cuja leitura nos causa diferentes emocionalidades. Se por um lado os relatos nele contidos nos trazem alento e esperança quanto à possibilidade de um futuro melhor, mais justo, humano e digno para todos, por outro, ele deixa latente uma inquietante pergunta: o que eu estou fazendo para concretizar este futuro?

 

abraços,

Marcelo Mello

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A multiplicação das cotas – artigo de Hélio Schwartsman

Caros amigos,

dia desses li um artigo muito interessante, publicado na Folha de São Paulo, sobre a ampliação dos programas de cotas raciais, o qual quero compartilhar aqui (clique aqui para ler).

Concordo com o autor, não apenas na sua proposição de se utilizar a renda como critério para distribuição das cotas, mas também quanto a inadequação do emprego de tais benefícios como mecanismo reparador das injustiças raciais do passado.

Acrescento ainda a fundamental necessidade de investirmos na construção de um sistema educacional mais efetivo e adequado aos novos tempos, desde a educação fundamental, a fim de garantirmos que todo e qualquer indivíduo que venha a ingressar em uma Universidade tenha condições de cursá-la em sua plenitude.

Abraço,

Marcelo Mello

Resenha do livro “The Happiness Manifesto: how nations and people can nurture well-being” de Nic Marks

Caríssimos,

em 2010 o Senador Cristovam Buarque apresentou uma Proposta de Emenda a Constituição (PEC 19/10), a qual visa alterar o artigo 6˚ da Constituição, passando a explicitar que os direitos sociais, já expressos na nossa Carta Magna, são essenciais à busca da felicidade. Esta PEC, que foi motivo de piada na mídia nacional e recebeu várias críticas negativas de boa parte da sociedade, está fortemente relacionada a um livro que li recentemente, entitulado “The Happiness Manifesto”.

Em sua essência, o livro questiona, de forma veemente, o pressuposto de que a felicidade e o bem-estar advém exclusivamente da prosperidade financeira, seja para indivíduos ou para nações. Afirma ainda que o Produto Interno Bruto (PIB) não pode ser considerado como a única fonte de avaliação do progresso de uma nação. Aliás, o autor Nic Marks chama a atenção para os impactos sociais e ambientais de uma sociedade que, na ânsia de fazer crescer o PIB, fomenta nas pessoas o desejo de “gastar um dinheiro que não possuem, em coisas que não precisam, para impressionar pessoas com as quais não se importam”.

Em lugar do PIB, ou pelo menos de forma complementar a ele, o autor propõe que o bem-estar das pessoas passe a fazer parte dos debates que direcionam as políticas públicas. Nessa linha é que ele apresenta seu “Manifesto da Felicidade”, o qual, nas suas palavras, “oferece às nações e às pessoas potenciais formas de se mover o foco principal da busca de prosperidade financeira para o crescimento do bem-estar”.

São vários os argumentos apresentados pelo autor para defender seu ponto de vista, dentre os quais destaco:

  • Nosso consumo dos recursos naturais tem crescido num ritmo mais rápido que os ganhos obtidos em nosso bem-estar;
  • As pessoas acolherão melhor a idéia de um futuro sustentável se entenderem que este será um futuro mais feliz;
  • Pesquisas demonstram que pessoas em estados de ânimo positivos são mais flexíveis e mais criativas, aumentam seu nível de atenção e estão mais abertas a construção de relações, ou seja, têm um maior repertório de respostas aos estímulos do dia a dia;
  • Efetivamente, nossas emoções são parte central do nosso mecanismos de sobrevivência. Elas são essenciais para a forma como nos adaptamos às mudanças, como encaramos os desafios e as oportunidades e como solucionamos os problemas;
  • Existem fortes indícios de que pessoas mais felizes são mais bem sucedidas em todos os domínios de suas vidas, além de contribuírem mais para a sociedade;

Por fim, o autor propõe cinco formas para se elevar o bem estar pessoal, bem como sete estratégias para se aprimorar o bem estar coletivo das nações:

  • Bem estar pessoal:
    1. Conecte-se… com as pessoas ao seu redor. Com sua família, amigos, colegas e vizinhos. Em casa, no trabalho, na escola ou em sua comunidade. Pense nessas relações como os pilares de sua vida e invista tempo no seu desenvolvimento. A construção dessas conexões irá te dar suporte e aprimorar sua qualidade de vida no dia a dia;
    2. Seja ativo… saia para caminhar ou para correr. Pedale, jogue, cuide do jardim, dance. A atividade física faz você se sentir bem. E o mais importante, descubra uma atividade física que você goste e que combine com seu nível de mobilidade e condicionamento;
    3. Perceba… seja curioso. Capte os sinais de beleza e dê atenção para aquilo que não é comum. Note a mudança das estações do ano. Aprecie o momento, seja quando estiver indo para o trabalho, comendo um lanche ou conversando com os amigos. Esteja consciente do mundo ao seu redor e do que você está sentindo. A reflexão sobre suas experiências irá ajudá-lo a aproveitar melhor o que realmente importa para você;
    4. Mantenha-se aprendendo… tente algo novo. Redescubra uma antigo interesse. Inscreva-se em um curso. Assuma uma nova responsabilidade no trabalho. Conserte sua bicicleta. Aprenda a tocar um instrumento ou a cozinhar seu prato predileto. Estabeleça um desafio que você deseje superar. Aprender coisas novas tornará você mais confiante, além de ser divertido;
    5. Doe-se… faça algo bom para um amigo ou mesmo para um estranho. Agradeça alguém. Sorria. Seja voluntário no seu tempo livre. Se junte a um grupo da comunidade. Olhe para dentro e para fora. Ver a você mesmo e à sua felicidade, ligados a uma comunidade mais ampla pode ser incrivelmente recompensador e cria fortes conexões com as pessoas ao seu redor.
  • Bem estar das nações:
    1. Criação de bons empregos;
    2. Reforma dos nossos sistemas financeiros;
    3. Desenvolvimento de escolas florescentes;
    4. Promoção da saúde completa;
    5. Engajamento dos cidadãos;
    6. Construção de boas fundações;
    7. Medir o que realmente importa.

Trata-se de uma leitura instigante e que nos leva a refletir sobre os propósitos de nossas vidas e sobre a forma como temos conduzido nossas ações, bem como sobre os resultados que temos obtido, tanto no contexto pessoal, quanto como sociedade.

Será que a busca incessante pelo lucro e pelo crescimento (exclusivamente) econômico tem nos trazido bem estar e felicidade? Quais as consequências de nosso atual modo de vida para o planeta? O que realmente nos importa e nos faz felizes???

Que possamos refletir profunda e sinceramente sobre essas e outras questões e, juntos,  buscarmos evoluir constantemente nossa compreensão acerca da complexa teia da vida, bem como aprimorarmos nossa capacidade de ação, individual e coletiva, aplicando nossas competências em prol do bem estar coletivo e de uma vida mais feliz.

grande abraço,

Marcelo Mello

Só de sacanagem (Ana Carolina)

Caros,

já que estamos falando desse terrível mal chamado Corrupção, compartilho com vocês este belo e profundo vídeo, no qual a voz marcante de Ana Carolina nos convida a responder ao malfeito reforçando ainda mais nosso comportamento ético e honesto.

O texto “Só de sacanagem” é de Elisa Lucinda e a canção é fruto da parceria de Ana Carolina e Tom Zé.

É isso aí galera, ainda dá pra mudar o final!!!

abraço,

Marcelo Mello

A corrupção e a inércia nossa de cada dia…

Caríssimos,

falar sobre corrupção no Brasil é, como diz o ditado, “chover no molhado”. Dia após dia somos bombardeados com várias notícias sobre esquemas, conluios e maracutaias de toda sorte. Dia após dia, o erário público, fruto da pesadíssima carga tributária vigente no país, é ferozmente atacado de todas formas possíveis, e em todas as esferas do governo.

Até mesmo o PT, que um dia foi um partido sério e comprometido com o bom combate, ao chegar ao poder se entregou de corpo e alma ao mal feito e incorporou a máxima de que “os fins justificam os meios”. Adotou e institucionalizou as práticas que antes combatia e fez da defesa dos corruptos, desde que pertencentes à base aliada, uma de suas principais bandeiras.

A corrupção é um câncer que se espalhou por todos os cantos do Brasil e que é alimentado, em grande parte, pela certeza da impunidade por parte dos bandidos que diariamente “metem a mão” no dinheiro público. Esses pilantras sabem que não serão punidos pela justiça, graças a infinidade de brechas existentes nas leis, habilmente utilizadas por advogados de pouco caráter e muito bem pagos. Eles também confiam que não serão punidos por seus pares, pois a maioria comete os mesmos “deslizes”, e, afinal de contas, ninguém vai querer criar um precedente que venha a lhe prejudicar no futuro (está aí a excelentíssima Deputada Jaqueline Roriz, corrupta ao quadrado e singelamente absolvida pelos colegas, que não me deixa mentir). E o pior, estes meliantes também sabem que dificilmente serão punidos nas urnas, pois  mesmo que seus mal feitos sejam expostos pela imprensa, continuarão a ser eleitos graças à inércia de uma população que não dá a devida importância à política e ao país.

Preferimos discutir exaustivamente a escalação da seleção a debater a atuação de nossos parlamentares. Acompanhamos religiosamente as novelas da Globo, mas não sabemos como têm se comportado os deputados e senadores em quem votamos. Nos revoltamos e xingamos o motorista que nos dá uma “fechada” no trânsito, mas nada fazemos contra as atitudes e omissões de nossos governantes que nos ferem e prejudicam.

Somos co-responsáveis pelo estado atual das coisas na política brasileira e damos nossa significativa parcela de contribuição para o alastramento desse câncer chamado corrupção. Precisamos nos mexer e fazer mais se quisermos que, um dia, as coisas mudem!!!

Sim, ainda acredito que elas podem mudar. Ainda há esperança, e ela vem de parlamentares que têm executado seu trabalho de forma séria e honesta. Tenho acompanhado pela imprensa e pelas redes sociais o trabalho do Senador Cristovam Buarque e dos Deputados Federais Reguffe e Manuela D’Ávila e tenho me surpreendido positivamente com sua postura e compremetimento. Como eles, acredito que haja outros que honrem os votos que receberam e atuem de forma digna.

Que possamos ampliar o número de políticos pautados pela ética e pela honestidade e, assim, superarmos a severa crise de valores que se abate sobre nosso país.

grande abraço,

Marcelo Mello

A eleição presidencial e a galinha atravessando a rua…

Caríssimos,

acabei de realizar meu sacro santo dever democrático para com nossa pátria mãe gentil, votei. Votei em uma eleição marcada pelo tédio, pelo “vale-tudo” eleitoreiro e pela ausência de conversas verdadeiramente significativas sobre o futuro do país. Uma eleição na qual os dois candidatos que chegaram ao 2o. turno demonstraram não estar a altura do cargo que postulam, protagonizando discussões que estão mais para uma briga entre crianças da quarta série do que uma disputa entre pessoas que disputam o cargo mais alto da nação.

No primeiro turno, dei meu voto à Marina Silva, por seu discurso e prática coerentes e inovadores. Mas neste segundo turno a coisa ficou difícil. Não sou fã do PSDB de Serra, com seu elitismo e soberba, que não combinam em nada com um país (ainda) muito pobre como o Brasil. Mas também não tenho encantos pelo PT de Dilma que, é preciso admitir, fez um bom governo nesses últimos 8 anos, mas que vendeu a alma ao demônio da corrupção, na ânsia de se perpetuar no poder. Além disso, concordo com Marina Silva quando ela afirma que Serra e Dilma são muito parecidos. Esta semana, recebi de uma amigo uma anedota que acredito ilustra bem o despreparo de ambos:

Serra e Dilma respondem: “Por que a galinha atravessou a rua?”

Dilma Rousseff: “No que se refere ao fato de a galinha ter cruzado a rua, eu considero que este é mais um ganho do governo do presidente Lula. Eu considero que foi apenas depois que o presidente Lula me pediu para coordenar o PAC das Ruas é que as galinhas no que se refere ao cruzamento das ruas tiveram a oportunidade de poder cruzar as ruas, coisa que, aliás, só as galinhas com maior poder aquisitivo podiam no governo FHC, no qual o meu adversário foi ministro do Planejamento e da Saúde”.

José Serra: “Olha, este é mais um trolóló da campanha petista. Veja bem, as galinhas cruzam as ruas no Brasil, há anos. Eu mesmo coordenei a emenda na Constituição que permite o direito de ir e vir das galinhas. Eles ficam falando que foram eles que inventaram esse cruzamento de ruas, mas já no governo Montoro, quando eu era secretário do Planejamento, as galinhas cruzaram as ruas com maior segurança. Eu, por exemplo, criei o programa Galinha Paulistana, que permitiu que milhares de galinhas pudessem cruzar as ruas e, agora no meu governo, vou criar o ‘Galinha Brasileira’, em que toda galinha terá direito de cruzar as ruas quantas vezes quiser”.

Contudo, acredito que não podemos nos omitir e que, mesmo com opções longe das ideais, é preciso decidir. Tomei minha decisão, a qual, espero, seja a melhor para o meu país.

grande abraço,

Marcelo Mello

P.S.: #QualquerRorizNuncaMais

Nascimento da era caórdica – Democracia segundo Peter Senge

“Democracia é um processo coletivo contínuo em que aprendemos a viver uns com os outros – muito mais do que um conjunto de valores estimulantes ou de mecanismos simples, como eleições e o ato de votar. É algo que se faz e não se herda. E, até que esse processo de aprendizado penetre nas principais instituições da sociedade, é prematuro chamar a nossa sociedade de democrática.”

Extraído do Prefácio (escrito por Peter Senge)

do livro “Nascimento da era caórdica” de Dee Hock, fundador e CEO emérito da empresa VISA.