Resenha do livro Teoria U de C. Otto Scharmer

Caríssimos amigos,

acabei de reler o livro Teoria U de C. Otto Scharmer, obra que foi uma das principais referências de minha dissertação de Mestrado, a fim de escrever um artigo para meu recente curso de MBA em Gestão Empresarial.

É muito interessante notar o quanto a releitura de um texto, sobretudo um tão denso como este, nos propicia aprofundar sua compreensão e captar distinções que nos passaram despercebidas quando do primeiro contato.

A Teoria U é apresentada por Scharmer como uma jornada rumo ao exercício da liderança a partir de nossas mais altas possibilidades futuras, iluminando o que ele chama de ‘ponto cego’, a fonte de onde se origina nossa atenção e ação. O autor afirma que “a mesma pessoa na mesma situação fazendo a mesma coisa pode produzir um resultado totalmente diferente dependendo do lugar interior a partir do qual essa ação está vindo.”

O movimento completo do U é composto por seis pontos de inflexão, além de um limiar de transformação, na base do U, como pode ser verificado na figura abaixo:

Imagem Movimento do U

Ao longo desta instigante obra, Otto C. Scharmer vai gradualmente apresentando sua poderosa teoria, como uma nova tecnologia social para que os líderes possam atuar de forma efetiva em um mundo caracterizado pela mudança constante e pela crescente complexidade, passando a operar a partir de um futuro emergente.

O movimento do U é profundamente explorado e cada uma de suas etapas (Recuperação, Visão, Sentir, Presencing, Cristalizar, Prototipar e Atuar) é tratada em detalhes pelo autor, associando-as a temas relevantes como complexidade, aprendizagem, mudanças e níveis de escuta, além de apresentar os fundamentos filosóficos que sustentam sua teoria.

 

“… para lidar com os desafios de nosso tempo, precisamos aprender a deslocar o modo como prestamos atenção, a estrutura de campo de nossa atenção. O modo como prestamos atenção – o lugar do qual operamos – é o ponto cego em todos os níveis da sociedade.”

Scharmer sintetiza sua teoria em um conjunto de proposições, princípios e práticas, os quais reproduzo abaixo:

21 proposições sobre a Teoria do Campo Social:

  1. Os sistemas sociais são “colocados em prática” ou “encenados” (enacted) pelos seus membros em um contexto;
  2. O ponto cego das ciências sociais, dos sistemas sociais e da teoria de campo hoje em dia diz respeito às fontes nas quais os sistemas sociais têm origem;
  3. Há quatro fontes diferentes de atenção da qual pode emergir a ação social:
    1. Eu em mim;
    2. Eu no objeto;
    3. Eu em você;
    4. Eu no agora;
  4. As quatro fontes e estruturas de atenção dão origem a quatro diferentes fluxos ou campos de emergência;
  5. Os quatro campos de encenação da realidade social aplicam-se a todas as esferas de criação da realidade social (Micro, Meso, Macro e Mundo);
  6. Os pontos de inflexão movendo-se de um campo para outro são idênticos em todos os níveis;
  7. Quanto maior a hipercomplexidade de um sistema, mais crítica é a capacidade para operar a partir dos campos mais profundos da emergência social;
  8. A inovação profunda que trata os três tipos de complexidade exige um processo que integre três movimentos: abrir-se para contextos que importam (cossentir), conectar-se à fonte de quietude (co-presencing) e prototipar o novo (cocriação);
  9. Para acessar e ativar as fontes mais profundas dos campos sociais três instrumentos devem ser ajustados, ou “afinados”: a mente aberta, o coração aberto e a vontade aberta;
  10. Abrir esses níveis mais profundos exige a superação de três barreiras: a Voz de Julgamento (VOJ), a Voz do Cinismo (VOC) e a Voz do Medo (VOF):
    • VOJ (Voz do Julgamento): Os velhos e limitantes padrões do julgamento e pensamento. Sem a capacidade de desligar ou suspender a VOJ, não faremos nenhum progresso para acessar a criatividade e nunca atingiremos os níveis mais profundos do U.
    • VOC (Voz do Cinismo): As emoções da desconexão, tais como cinismo, arrogância e frieza que nos impedem de mergulhar nos campos em volta de nós.
    • VOF (Voz do Medo): O medo de deixar ir o eu familiar e o mundo conhecido; o medo de ir em frente; medo de se render no espaço do nada.
  11. Subir o lado direito do U (cocriação) exige um compromisso de servir o todo e a capacidade de reintegrar a inteligência da cabeça, do coração e das mãos;
  12. Quanto maior o intervalo entre a complexidade sistêmica exterior e a capacidade interior de acessar os fluxos mais profundos da emergência, é mais provável que um sistema sairá dos trilhos e reverterá para um espaço destrutivo de antiemergência;
  13. O espaço social da antiemergência é manifestado em um movimento reacionário conhecido como fundamentalismo (que pode ser religioso, político ou econômico);
  14. O campo social é um todo em desenvolvimento que pode ser observado e experimentado pelas cinco dimensões. São eles: espaço social, tempo social, o coletivo, o eu e o espaço envolvente (Terra);
  15. À medida que um campo social se desenvolve e começa a incluir os mais profundos níveis e fluxos da emergência, a experiência de tempo, espaço, eu, coletivo e Terra funde-se por meio de um processo escultural de inversão;
  16. A abertura das fontes e dos fluxos de emergência mais profundos inverte a relação entre o indivíduo e o coletivo;
  17. A abertura das fontes mais profundas e dos campos de emergência transformam a relação entre o conhecedor e o conhecido;
  18. O campo social é uma escultura de tempo na criação;
  19. O desenvolvimento do campo social é uma função da ressonância mórfica sem escala;
  20. O futuro de um sistema é uma função do Campo (fonte) a partir do qual escolhemos operar;
  21. A força revolucionária neste século é o despertar de uma capacidade humana geradora profunda – o “eu no agora”;

Princípios e práticas do Presencing para conduzir inovação e mudanças profundas:

  1. Atenda: ouça o que a vida o convida a fazer;
  2. Conecte-se: ouça e dialogue com participantes interessantes no campo;
  3. Coinicie um grupo central diversificado que inspire uma intenção comum;
  4. Forme uma equipe central de protótipo altamente comprometida e esclareça questões essenciais;
  5. Faça jornadas de mergulho profundo aos lugares de maior potencial;
  6. Observe, observe, observe: suspenda a Voz do Julgamento (VOJ) e conecte-se ao estado de deslumbramento;
  7. Pratique o ouvir profundo e o diálogo: conecte-se a outros com mente, coração e vontade abertos;
  8. Crie órgãos de sensibilização coletiva que permitam ao sistema ver a si próprio;
  9. Deixe ir: deixe ir seu velho eu e coisas que devem morrer;
  10. Deixe vir: conecte-se e renda-se ao futuro que quer emergir por você;
  11. Silêncio intencional: adquira uma prática que o ajude a se conectar com a sua fonte;
  12. Siga a sua jornada: faça o que ama, ame o que faz;
  13. Lugares de presença: crie círculos nos quais vocês mantenham uns aos outros na futura intenção mais elevada;
  14. O poder da intenção: conecte-se ao futuro que precisa de você – cristalize sua visão e sua intenção;
  15. Forme grupos centrais. Cinco pessoas podem mudar o mundo;
  16. Esboce microcosmos estratégicos como uma pista de aterrissagem para o futuro emergente;
  17. Integre cabeça, coração e mãos: busque isso com as mãos; não pense, sinta;
  18. Itere, itere, itere: crie e adapte-se e sempre permaneça em diálogo com o universo;
  19. Codesenvolva ecossistemas de inovação que conectem e renovem vendo a partir do todo emergente no todo emergente;
  20. Crie infraestruturas de inovação modelando ritmo e lugares seguros para treinamento por pares/colegas (com o suporte da tecnologia social);
  21. Teatro do Presencing: desenvolva a consciência coletiva via mídias de nível 4;

 

Se você tem interesse em conhecer e refletir sobre novas formas de compreensão da maneira como percebemos a agimos no mundo, recomendo fortemente a leitura desta obra.

 

 

grande abraço,

 

 

Marcelo Mello

Resenha do livro “Foco” de Daniel Goleman

Queridos leitores,

Em seu mais recente livro, Daniel Goleman, pesquisador mundialmente conhecido por seus trabalhos relacionados à Inteligência Emocional, explora o tema da atenção como peça chave para o sucesso de indivíduos e organizações.

A exemplo de seus trabalhos anteriores, as proposições de Goleman estão fundamentadas em amplos estudos na área da Neurociência, os quais têm avançado sensivelmente no que se refere à compreensão do funcionamento do cérebro humano em toda sua complexidade.

Foco

O livro explora inicialmente alguns conceitos básicos daquilo que Goleman chama de “anatomia da atenção”. Dentre as distinções mais importantes apresentadas pelo autor, estão as de mente ascendente e mente descendente, em referência às diferentes regiões cerebrais que controlam o funcionamento, respectivamente, de nossa capacidade de atenção involuntária (mente a deriva) e atenção voluntária (foco intencional).

Todo o livro está assentado em uma distinção chave chamada de Foco Triplo da Atenção: o foco interno, o foco no outro e o foco externo. Segundo Goleman, “o foco interno nos põe em sintonia com nossas intuições, nossos valores principais e nossas melhores decisões. O foco no outro facilita nossas ligações com as pessoas das nossas vidas. E o foco externo nos ajuda a navegar pelo mundo que nos rodeia”. Goleman ainda afirma ser fundamental buscar um equilíbrio entre estes três focos, a fim de que possamos atingir um nível pleno de atenção.

O autor ainda aborda a relação entre atenção e liderança, tendo como pano de fundo a necessidade de construção de modelos de liderança e de negócios mais conscientes e sustentáveis.

Trata-se, sem dúvida alguma, de um livro muito interessante e que apresenta distinções bastante relevantes e úteis para o contexto atual de nossa humanidade, repleto de desafios extremamente complexos e demandante por decisões cruciais para o futuro de nossas organizações, comunidades e do planeta como um todo.

 

Grande abraço,

 

Marcelo Mello (Direto de Natal – RN)

Resenha do livro “Dignidade!” (vários autores)

Meus amigos,

confesso que algumas vezes chego (mesmo que só por alguns momentos) a perder a fé na humanidade. São tantas mentiras, iniquidades, violências, tragédias, maldades, arbitrariedades, injustiças, mandos e desmandos acontecendo cotidianamente ao nosso redor que não é tarefa trivial manter-se otimista quanto ao nosso futuro.

Por outro lado, nem tudo é escuridão e tristeza. Existem várias pessoas e organizações agindo com o único e nobre objetivo de ajudar ao próximo, e eles são muitos, espalhados pelo mundo inteiro, embora localizados em maior número, não por acaso, nos países mais pobres.

Uma dessas organizações é a MSF – Médicos Sem Fronteiras – a qual mantém um impressionante trabalho assistencial em mais de 70 países com mais de 28 mil profissionais de diferentes especialidades.

Dignidade

E é justamente este belo e inspirador trabalho o tema do livro Dignidade!, no qual nove escritores foram convidados a visitar diferentes iniciativas da MSF e contar sobre suas experiências ao entrar em contato com situações extremamente chocantes como os estupros no Congo, a epidemia de doença de Chagas na Bolívia, as vítimas de tuberculose e HIV na África do Sul, o combate à leishmaniose visceral em Bangladesh e os imigrantes ilegais presos na Grécia.

São histórias carregadas de muita dor, sofrimento e injustiça social, mas também são relatos que demonstram o poder da solidariedade, materializada em pessoas que deixam de lado todas as coisas que nossa sociedade contemporânea tanto valoriza (status, conforto, poder, dinheiro, etc) para dedicar seu tempo, energia e conhecimento em prol do bem estar de seus semelhantes.

Dignidade! é um livro cuja leitura nos causa diferentes emocionalidades. Se por um lado os relatos nele contidos nos trazem alento e esperança quanto à possibilidade de um futuro melhor, mais justo, humano e digno para todos, por outro, ele deixa latente uma inquietante pergunta: o que eu estou fazendo para concretizar este futuro?

 

abraços,

Marcelo Mello

Resenha do livro “Source: The Inner Path of Knowledge Creation” de Joseph Jaworski

Caros amigos,

A ideia deste post é compartilhar com vocês uma breve resenha do livro “Source: The inner path of knowledge creation”, bem como algumas reflexões pessoais sobre esta instigante obra.

Desde que soube que Joseph Jaworski iria lançar um novo livro, fiquei bastante ansioso para saber o que este brilhante autor, que já havia nos brindado com valiosas distinções e insights poderosos em sua obra anterior (“Sincronicidade”, cuja resenha publiquei neste blog – clique aqui para ler), teria a nos dizer agora.

Tão logo o livro foi lançado, adquiri uma cópia em formato eletrônico (ebook) e mergulhei em uma experiência que realmente desafiou significativamente meus paradigmas.

Source

“Source” não é, seguramente, uma obra que possa ser assimilada ou aceita com facilidade, e me arrisco a afirmar que sua compreensão, mesmo que parcial, requer um conjunto prévio de distinções que está longe de ser trivial. Ainda assim, mesmo para aqueles que eventualmente possuam tais distinções, as ideias propostas por Jaworski provavelmente irão a causar algum nível de estranheza e dúvida.

O livro, a exemplo do que já havia ocorrido com sua obra anterior, é escrito basicamente na forma de relatos acerca de experiências vivenciadas pelo autor ao longo de sua vida, desta feita, em uma jornada pessoal que tinha por objetivo responder a duas questões fundamentais: i) Qual a fonte de nossa capacidade para acessar o conhecimento de que necessitamos para agir em um dado momento? ii) Como podemos aprender a ativar tal capacidade, tanto individual quanto coletivamente?

O texto de Jaworski pode parecer, a primeira vista, um tanto o quanto místico e, de fato, a dimensão espiritual se faz presente nas ideias expostas pelo autor. Porém, os conceitos que suportam tais ideias são oriundos de trabalhos de grandes pesquisadores e estudiosos, sobretudo do renomado físico David Bohm, autor de livros como “On Dialogue” e “Wholeness and the Implicate Order”, entre vários outros.

O trabalho de Bohm está fundamentado, entre outras ideias, na premissa de que a base ou essência do Cosmos não é composta de partículas elementares, mas trata-se de puro processo, um fluído movimento do todo, ou seja, Bohm tinha plena convicção de que o Universo todo está intrinsecamente conectado. Para ele, os seres humanos possuem uma capacidade nata para a inteligência coletiva, podendo aprender e pensar juntos e assim coordenar ações de forma efetiva para a modelar o futuro.

Jaworki discorre sobre suas reflexões e descobertas a partir das conversas que manteve com o próprio Bohn, bem como com diversos outros cientistas e estudiosos que trabalharam com ele ou que formam de alguma forma influenciados por suas ideias.

Como resultado de sua longa e profunda jornada, Jaworski formulou quatro princípios que endereçam as questões fundamentais por ele apresentadas, a saber:

1. O universo possui uma característica aberta e emergente;

2. O universo é um todo indivisível; tanto o mundo material quanto a consciência fazem parte de um todo indivisível;

3. Existe uma Fonte criativa de infinito potencial no universo;

4. Os seres humanos podem aprender a criar a partir do infinito potencial da Fonte, desde que decidam seguir um disciplinado caminho rumo à auto-realização e ao amor, esta que é a mais poderosa energia no universo.

Não tenho aqui a pretensão de abordar todas as ideias e conceitos presentes neste livro, até mesmo porque, tenho que confessar, minha compreensão sobre vários deles ainda é parcial e limitada. Contudo, não tenho receio em afirmar que se trata de uma obra revolucionária e que se propõe a desbravar um território pouquíssimo explorado no campo da liderança e da ação humana.

Grande abraço,

Marcelo Mello

Resenha do livro “The Happiness Manifesto: how nations and people can nurture well-being” de Nic Marks

Caríssimos,

em 2010 o Senador Cristovam Buarque apresentou uma Proposta de Emenda a Constituição (PEC 19/10), a qual visa alterar o artigo 6˚ da Constituição, passando a explicitar que os direitos sociais, já expressos na nossa Carta Magna, são essenciais à busca da felicidade. Esta PEC, que foi motivo de piada na mídia nacional e recebeu várias críticas negativas de boa parte da sociedade, está fortemente relacionada a um livro que li recentemente, entitulado “The Happiness Manifesto”.

Em sua essência, o livro questiona, de forma veemente, o pressuposto de que a felicidade e o bem-estar advém exclusivamente da prosperidade financeira, seja para indivíduos ou para nações. Afirma ainda que o Produto Interno Bruto (PIB) não pode ser considerado como a única fonte de avaliação do progresso de uma nação. Aliás, o autor Nic Marks chama a atenção para os impactos sociais e ambientais de uma sociedade que, na ânsia de fazer crescer o PIB, fomenta nas pessoas o desejo de “gastar um dinheiro que não possuem, em coisas que não precisam, para impressionar pessoas com as quais não se importam”.

Em lugar do PIB, ou pelo menos de forma complementar a ele, o autor propõe que o bem-estar das pessoas passe a fazer parte dos debates que direcionam as políticas públicas. Nessa linha é que ele apresenta seu “Manifesto da Felicidade”, o qual, nas suas palavras, “oferece às nações e às pessoas potenciais formas de se mover o foco principal da busca de prosperidade financeira para o crescimento do bem-estar”.

São vários os argumentos apresentados pelo autor para defender seu ponto de vista, dentre os quais destaco:

  • Nosso consumo dos recursos naturais tem crescido num ritmo mais rápido que os ganhos obtidos em nosso bem-estar;
  • As pessoas acolherão melhor a idéia de um futuro sustentável se entenderem que este será um futuro mais feliz;
  • Pesquisas demonstram que pessoas em estados de ânimo positivos são mais flexíveis e mais criativas, aumentam seu nível de atenção e estão mais abertas a construção de relações, ou seja, têm um maior repertório de respostas aos estímulos do dia a dia;
  • Efetivamente, nossas emoções são parte central do nosso mecanismos de sobrevivência. Elas são essenciais para a forma como nos adaptamos às mudanças, como encaramos os desafios e as oportunidades e como solucionamos os problemas;
  • Existem fortes indícios de que pessoas mais felizes são mais bem sucedidas em todos os domínios de suas vidas, além de contribuírem mais para a sociedade;

Por fim, o autor propõe cinco formas para se elevar o bem estar pessoal, bem como sete estratégias para se aprimorar o bem estar coletivo das nações:

  • Bem estar pessoal:
    1. Conecte-se… com as pessoas ao seu redor. Com sua família, amigos, colegas e vizinhos. Em casa, no trabalho, na escola ou em sua comunidade. Pense nessas relações como os pilares de sua vida e invista tempo no seu desenvolvimento. A construção dessas conexões irá te dar suporte e aprimorar sua qualidade de vida no dia a dia;
    2. Seja ativo… saia para caminhar ou para correr. Pedale, jogue, cuide do jardim, dance. A atividade física faz você se sentir bem. E o mais importante, descubra uma atividade física que você goste e que combine com seu nível de mobilidade e condicionamento;
    3. Perceba… seja curioso. Capte os sinais de beleza e dê atenção para aquilo que não é comum. Note a mudança das estações do ano. Aprecie o momento, seja quando estiver indo para o trabalho, comendo um lanche ou conversando com os amigos. Esteja consciente do mundo ao seu redor e do que você está sentindo. A reflexão sobre suas experiências irá ajudá-lo a aproveitar melhor o que realmente importa para você;
    4. Mantenha-se aprendendo… tente algo novo. Redescubra uma antigo interesse. Inscreva-se em um curso. Assuma uma nova responsabilidade no trabalho. Conserte sua bicicleta. Aprenda a tocar um instrumento ou a cozinhar seu prato predileto. Estabeleça um desafio que você deseje superar. Aprender coisas novas tornará você mais confiante, além de ser divertido;
    5. Doe-se… faça algo bom para um amigo ou mesmo para um estranho. Agradeça alguém. Sorria. Seja voluntário no seu tempo livre. Se junte a um grupo da comunidade. Olhe para dentro e para fora. Ver a você mesmo e à sua felicidade, ligados a uma comunidade mais ampla pode ser incrivelmente recompensador e cria fortes conexões com as pessoas ao seu redor.
  • Bem estar das nações:
    1. Criação de bons empregos;
    2. Reforma dos nossos sistemas financeiros;
    3. Desenvolvimento de escolas florescentes;
    4. Promoção da saúde completa;
    5. Engajamento dos cidadãos;
    6. Construção de boas fundações;
    7. Medir o que realmente importa.

Trata-se de uma leitura instigante e que nos leva a refletir sobre os propósitos de nossas vidas e sobre a forma como temos conduzido nossas ações, bem como sobre os resultados que temos obtido, tanto no contexto pessoal, quanto como sociedade.

Será que a busca incessante pelo lucro e pelo crescimento (exclusivamente) econômico tem nos trazido bem estar e felicidade? Quais as consequências de nosso atual modo de vida para o planeta? O que realmente nos importa e nos faz felizes???

Que possamos refletir profunda e sinceramente sobre essas e outras questões e, juntos,  buscarmos evoluir constantemente nossa compreensão acerca da complexa teia da vida, bem como aprimorarmos nossa capacidade de ação, individual e coletiva, aplicando nossas competências em prol do bem estar coletivo e de uma vida mais feliz.

grande abraço,

Marcelo Mello

Resenha do livro “Sincronicidade, o caminho interior para a liderança” de Joseph Jaworski

Caríssimos,

Durante a fascinante jornada do meu Mestrado e, sobretudo, da construção da minha dissertação, me deparei com muitos livros e artigos profundamente interessantes e inspiradores e, certamente, um dos que mais me influenciou foi o livro “Sincronicidade, o caminho interior para a liderança” de Joseph Jaworski.

Eu já havia tido contato com as idéia de Jaworski quando li o instigante livro “Presença”, escrito por ele, Peter Senge, Betty Sue Flowers e Otto Scharmer (obra sobre a qual oportunamente escreverei por aqui). Aliás, “Sincronicidade” já começa com uma brilhante introdução escrita por Peter Senge, na qual ele afirma, entre outras coisas, que este livro é leitura obrigatória para qualquer pessoa que leve a liderança a sério. Senge apresenta ainda seu entendimento de que vivemos em um mundo de possibilidades e que é necessário substituir os tradicionais e rígidos modelos mentais mecânico-newtonianos por uma visão de mundo que privilegie o comprometimento e o protagonismo para com a vida. É neste contexto que Senge introduz o termo Sincronicidade, apresentando-o como um resultado de uma nova forma de pensar sobre a vida e seus fenômenos.

Para conceituar o que vem a ser a Sincronicidade, Jaworki recorre às idéias de  C. Jung em sua clássica obra “Sinchronicity: An Acausal Connecting Principle”, na qual o autor define a sincronicidade como “uma coincidência significativa de dois ou mais eventos em que algo mais do que a probabilidade do acaso está envolvida”. O livro de Jaworki explora as distinções e conceitos relacionados à Sincronicidade no contexto de sua própria história de vida, iniciando por sua bem sucedida (porém carente de significado) carreira de advogado, passando pelo quiebre de seu divórcio do primeiro casamento e descrevendo então a profunda jornada de auto-conhecimento e transformação de seus modelos mentais que o levaram a “jogar tudo para o alto” e seguir em busca da construção e consolidação do American Leadership Forum, sua contribuição para o futuro que, como ele veio a descobrir, ansiava por emergir.

Ao longo de sua jornada, Jaworki relata alguns encontros “mágicos” (pontuados como evidências da Sincronicidade) com pessoas que o ajudaram e inspiraram na compreensão e concretização de sua missão. Dentre tais encontros, ele destaca suas conversas com David Bohm, John Gardner e Francisco Varela, as quais foram poderosas forças catalisadoras para a continuidade do seu trabalho.

Jaworski apresenta também o que ele chama de armadilhas, ou nas suas próprias palavras, “qualquer coisa que cause um retrocesso à velha forma de pensar e agir, retardando assim nosso desenvolvimento como parte do processo generativo em desdobramento”.

A primeira armadilha é a da Responsabilidade, a qual nos leva a sentirmo-nos responsáveis por tudo e por todos que estão envolvidos em nossos projetos, ou seja, trata-se de uma supervalorização do nosso papel no processo em curso. Esse senso de responsabilidade excessiva acaba por afetar nossa produtividade e limitar nossa capacidade de atuação.

A segunda armadilha identificada pelo autor é a da Dependência, a qual nos leva a acreditarmos que todo o processo depende de algumas pessoas ou processos-chave e que se esses elementos não estiverem presentes, tudo estará perdido. Para superar essa armadilha, Jaworski afirma que é preciso focar no resultado e não ficar preso a nenhum processo ou pessoa em particular para alcançá-lo, ou seja, é preciso ter flexibilidade diante dos obstáculos. Ele afirma ainda que tanto a armadilha da responsabilidade quanto a da dependência surgem a partir do medo de não haverem alternativas. Todavia, sempre existem alternativas, nós é que, muitas vezes, não somos capazes de enxergá-las.

Jaworski apresenta ainda uma terceira armadilha, a da hiperatividade. Essa armadilha consiste no risco de nos perdermos em meio ao grande volume de atividades e compromissos gerados pelo processo que estamos conduzindo e, dessa forma, nos desconectarmos de nosso propósito original.

Uma das principais mensagens desta obra de Jaworski é a de que a liderança consiste em descobrirmos como podemos moldar coletivamente o nosso futuro. Ainda segundo ele, “a liderança diz respeito à criação, dia a dia, de um domínio no qual nós e os que se encontram ao nosso redor continuamente aprofundemos nossa compreensão da realidade e sejamos capazes de participar da formação do futuro”.

Caros amigos, “Sincronicidade” é um livro poderoso, cheio de conceitos e distinções que nos instigam e que desafiam a visão de mundo tradicional e fragmentada. Compartilho da opinião do grande Peter Senge de que está é, sem dúvida, uma obra obrigatória para todos aqueles que levam a sério o tema da Liderança ou que, de alguma forma, desejam contribuir para a construção de um futuro melhor.

grande abraço,

Marcelo Mello

As competências conversacionais a serviço do Gerenciamento de Projetos

Caríssimos amigos,

a mais recente edição da revista Mundo Project Management (Ago/Set 2010) traz, entre seus destaques, um artigo escrito pelo Prof. Dr. Gentil Lucena, detentor de um currículo invejável e de uma longa e mui frutífera trajetória como pesquisador nas áreas de coaching, gestão do conhecimento, aprendizagem organizacional e, sobretudo, competências conversacionais. Essa verdadeira personalidade, conhecida nacional e internacionalmente (e que me concedeu o incomensurável privilégio de ser o orientador da minha Dissertação de Mestrado no programa em Gestão do Conhecimento e de TI da Universidade Católica de Brasília), escreveu um artigo fantástico, demonstrando como as competências conversacionais são, de fato, a tecnologia social que constitui e impulsiona as organizações e seus projetos.

Utilizando um referencial teórico extremamente consistente, bem como uma efetiva análise prática do cenário organizacional, o artigo caracteriza as próprias organizações (e os projetos) como “redes dinâmicas de conversações” e demonstra que tanto a Gestão, de forma geral, quanto, mais especificamente, a Gestão do Conhecimento e a Gestão de Projetos podem ser vistas como formas de gestão de processos conversacionais.

“… para assegurar processos efetivos, eficazes e eficientes, é necessário avaliar também a maneira como distintos trabalhos individuais se coordenam e reconhecer que essa coordenação de ações é um processo tipicamente conversacional. Pessoas coordenam trabalhos individuais conversando! Esse fenômeno tem sido reconhecidamente assinalado na literatura como uma das áreas de maior potencial para elevar o desempenho das organizações.”

O autor discorre ainda sobre várias distinções relativas às conversações, demonstrando o quão vasto é o território a ser explorado em torno desse tema e, por fim, conclui afirmando que não há que se pensar em bons projetos sem a presença das competências conversacionais.

Vale muito a pena comprar a revista Mundo PM e curtir na íntegra este belíssimo artigo, além de vários outros textos muito úteis sobre Gestão de Projetos.

Hoje não tenho nenhuma dúvida acerca do enorme potencial das conversas nas organizações e na vida, como um todo. É por meio das conversas que moldamos e concretizamos o nosso futuro e é por meio delas que nos constituímos nos seres que somos. Foi essa crença que me levou a eleger as Competências Conversacionais como tema de minha dissertação, buscando investigar sua relação com outro aspecto crucial para as organizações: a liderança.

Espero, com a ajuda do Prof. Gentil e de vários outros membros do recém constituído LABCON (Laboratório de Conversas da Universidade Católica de Brasília), contribuir para o avanço das pesquisas sobre as conversas e seus impactos na vida das organizações.

grande abraço e boa leitura,

Marcelo Mello