Construindo inferências a partir de modelos mentais pré-estabelecidos

Um homem quer pendurar um quadro. Ele tem um prego, mas nenhum martelo. O vizinho tem um, portanto nosso homem decide pedir emprestado. Mas então uma dúvida lhe ocorre. “E se o vizinho não quiser me emprestar? Ontem ele mal acenou com a cabeça quando o saudei. Possivelmente, ele estava com pressa. Mas possivelmente fingia estar com pressa porque não gosta de mim. E por que ele poderia não gostar de mim? Eu sempre fui gentil com ele; obviamente, ele imaginava algo. Se alguém quisesse pedir alguma de minhas ferramentas emprestada, eu naturalmente emprestaria. Então, por que ele não quer emprestar-me seu martelo? Como alguém pode recusar uma solicitação tão simples? Pessoas como ele realmente envenenam a vida dos outros. Ele provavelmente até imagina que depende dele apenas porque ele tem um martelo. Eu lhe direi poucas e boas.” E, assim, nosso homem vai ao apartamento do vizinho e toca a campainha. O vizinho abre a porta, mas, antes que ele possa até dizer “Bom dia”, nosso homem começa a gritar: “Pode ficar com seu maldito martelo, que eu não preciso dele, seu idiota!”

Citação do filósofo Paul Watzlawick, extraída do livro Teoria U de C. Otto Scharmer

Para refletir: A partir de onde se origina nossa ação? Desde onde fazemos o que fazemos?

Abraço,

Marcelo Mello

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Por que é tão importante aprender (constantemente)?

Caros amigos,

compartilho convosco uma possível (e significativa) resposta para a questão acima:

“O século XXI está se caracterizando por promover mudanças cada vez mais rápidas em todos os domínios da vida humana. É assim que o futuro nos aguarda. Tanto indivíduos como organizações se veem cercados pela constante ameaça do descompasso entre o que se sabe e o que se requer saber. Essa ameaça põe em risco a viabilidade dos empreendimentos humanos. Nossas competências tornam-se obsoletas muito rapidamente. A efetividade de nossas ações se vê comprometida. Aquilo que antes resultava em garantia de êxito perde seu poder e converte-se em condição de fracasso. Os acertos do passado se desgastam e são rapidamente imitados por todos. Isso nos leva a perder nossas antigas vantagens competitivas. O surgimento de práticas e produtos mais eficazes muitas vezes é mais rápido que nossa capacidade de absorção.

A resposta a esse desafio chama-se aprendizagem.”

(extraído do livro Coaching Ontológico – A doutrina fundamental, de Homero Reis)

Entendo que não poderiam ser mais acertadas as palavras do grande Alvin Toffler, ao afirmar que “os analfabetos do século XXI não serão os que não souberem ler ou escrever, mas os que não souberem aprender, desaprender e reaprender.”

Grande abraço,

Marcelo Mello

Ontologia da Linguagem – Quando não sabemos o que fazer só nos resta aprender

Caros amigos,

revendo algumas anotações efetuadas quando da leitura da obra Ontología del Lenguaje de Rafael Echeverría, me deparei com o destaque a um trecho bastante profundo e ao mesmo tempo direto acerca do processo de aprendizagem no contexto da Ontologia da Linguagem:

“¿Qué acción podemos empreender cuando no sabemos qué acciones realizar? Podemos aprender. Podemos ejecutar la acción de ampliar nuestra capacidad de acción. El aprendizaje es una de las más importantes formas de alejar a las personas de la resignación. El aprendizaje hace que parezca alcanzable lo que pudo parecer imposible. A través del aprendizaje transformamos nuestros juicios de facticidade en juicios de posibilidad.”

“Que ação podemos empreender quando não sabemos que ações realizar? Podemos aprender. Podemos executar a ação de ampliar nossa capacidade de ação. A aprendizagem é uma das mais importantes formas de afastar as pessoas da resignação. A aprendizagem faz com que pareça alcançável o que pode parecer impossível. Por meio da aprendizagem transformamos nossos juízos de faticidade em juízos de possibilidade.”

extraído do livro Ontología del Lenguaje de Rafael Echeverría com tradução livre deste blogueiro.

Aprender mais, aprender sempre, eis o caminho para ampliar nossa capacidade de ação em um mundo que nos exige cada vez mais respostas para perguntas cada vez mais complexas.

grande abraço,

Marcelo Mello

Cartas entre amigos – O reconhecimento do não saber é o primeiro passo do aprendizado

Caríssimos,

quero compartilhar com vocês mais um belíssimo trecho do livro Cartas entre amigos, escrito pelo educador Gabriel Chalita e pelo Pe. Fábio de Melo. Essa parte do texto nos fala da importância do ato de reconhecermos nossas fragilidades e nossas ignorâncias como forma de alavancarmos nossa aprendizagem:

“Meu amigo, o reconhecimento da fragilidade requer força. Paradoxal, não é mesmo? Você sabe bem de tudo isso. Sabe porque não é indiferente às fragilidades do mundo. Seu ofício de educador o fez profundo conhecedor dos paradoxos que são próprios da vida. O aluno é o território das contradições, mas isso não é motivo para desestimular o educar – ao contrário. É nesse território de contrários que o mestre desempenhará o seu ofício de endireitar os caminhos. É nesse território tão cheio de mistérios, porque é alteridade, que o educador vai partejar a beleza do conhecimento. Aprender é reconstruir, como tão bem nos sugeriu Piaget. E nesse constante processo de reconstrução o erro tem papel fundamental. Não há educação sem a experiência do erro. O reconhecimento do não saber é o primeiro passo para construção de um conhecimento sólido.

Meu amigo, não sei quem foi que nos desvirtuou assim, para que tivéssemos medo de nossos limites. Desde muito cedo aprendemos a falsear nossos sentimentos. Choros estancados porque não sabíamos ser fracos. Essa lição nos foi omitida. Esqueceram de nos dizer que é bonito saber chorar e que todo soldado, por mais valente e corajoso que seja, sempre terá o direito de chorar e dizer que está com medo. Quiseram nos ensinar o sucesso, mas esqueceram de nos dizer que ele é processual e que as partes que o constituem costumam ser feitas de pequenas derrotas. Mostraram o pódio iluminado, indicaram o primeiro lugar, mas omitiram que, para conquistá-lo, é preciso saber enfrentar o desapontamento de ser o último. Esqueceram de nos dizer que não é nenhum problema a gente reconhecer que não sabe ou que não conseguiu entender.”

Amigos, que possamos aprender a declarar nossos não saberes sem medo ou vergonha, entendendo que esse é o primeiro passo na bela jornada rumo ao conhecimento.

grande abraço,

Marcelo Mello

Metamanagement – O principal inimigo do aprendizado

Olá pessoal,

lendo o livro “Metamanagement” de Fredy Kofman, me deparei com outro trecho precioso, o qual faço questão de  compartilhar com vocês. Trata-se de uma citação à obra de Carlos Castañeda, “Las enseñanzas de don Juan”, trabalho antropológico sobre o xamã tolteca Don Juan, na qual o autor fala sobre o que ele considera ser o principal inimigo do aprendizado: o medo.

“Quando um homem empreende o caminho do aprendizado, não tem claros seus objetivos. Seu propósito é fraco, sua intenção é vaga. Sonha com recompensas que nunca se materializarão, pois nada sabe das dificuldades do aprendizado.
Lentamente começa a aprender, primeiro pouco a pouco, a grandes passos depois, e seus pensamentos logo entram em colisão. O que aprende nunca é o que esperava, ou imaginava, e assim começa a sentir medo. Aprender nunca é o que se imagina. Cada passo do aprendizado é uma nova tarefa e o medo cresce sem cessar e sem piedade. O caminho do homem que aspira ao conhecimento se transforma em um campo de batalha.
Assim, o homem deparou com o primeiro de seus inimigos naturais: o medo! Um inimigo terrível, traiçoeiro e difícil de vencer. O medo se oculta em cada curva do caminho, emboscado, esperando. E se o homem, aterrado em sua presença, se retirar, o inimigo terá conseguido pôr fim a seu aprendizado.
Que acontece com o homem que volta atrás, assustado? Nada, exceto que nunca aprenderá. Nunca se transformará em um homem de conhecimento. Talvez seja um rufião agressivo, ou talvez seja um maricas, um medroso; de todo modo, será um homem derrotado. Seu inimigo terá posto fim aos seus anseios de saber.
E que pode fazer o homem para se sobrepor ao medo? A resposta é simples: não fugir. O homem pode estar completamente assustado e ainda assim não se deter. Essa é regra. E chegará o momento em que seu inimigo se retira. O homem então se sentirá seguro de si mesmo, sua intenção se fará mais forte e o aprendizado já não será um trabalho aterrador.”

Carlos Castañeda em seu trabalho antropológico “Las enseñanzas de don Juan“,

citado por Fredy Kofman em seu livro “Metamanagement”, volume I, págs. 198 e 199.

Espero que vocês também tenham apreciado do trecho acima. Desejo que todos nós possamos fazer de nossas vidas um constante e excelente aprendizado.

Grande abraço,

Marcelo Mello