Um poema sobre a importância do questionamento

Caríssimos,

minhas leituras para a confecção da minha dissertação foram sempre fecundas e proveitosas. Ao longo de todas elas me deparei com inúmeros textos bastante significativos e até mesmo emocionantes, os quais abordam temas que me são muito caros, como por exemplo o poema abaixo, o qual compartilho com vocês, e que nos conclama a não nos deixarmos cair na tentação do conformismo nem na mesmice que tende a impregnar as nossas organizações e que trazem como resultado nefasto a preservação de um status quo baseado em paradigmas superados e inefetivos para um mundo em contante mutação:

A exceção e a regra

Nós vos pedimos com insistência:

Nunca digam – Isso é natural.

Diante dos acontecimentos de cada dia.

Numa época em que reina a confusão,

Em que corre o sangue,

Em que se ordena a desordem,

Em que o arbitrário tem força de lei,

Em que a humanidade se desumaniza…

Não digam nunca: Isso é natural.

A fim de que nada passe por ser imutável.

Sob o familiar, descubram o insólito.

Sob o cotidiano, desvelem o inexplicável.

Que tudo que seja dito ser habitual

Cause inquietação.

Na regra é preciso descobrir o abuso.

E sempre que o abuso for encontrado,

É preciso encontrar o remédio.

Vocês, aprendam a ver, em lugar de olhar bobamente.

É preciso agir em vez de discutir.

Aí está o que uma vez conseguiu dominar o mundo.

Os povos acabaram vencendo.

Mas não cantem vitória antes do tempo.

Ainda está fecundo o ventre de onde surgiu a coisa imunda.

Bertold Brecht, extraído do livro “Liderança e Motivação”,
da série Gestão de Pessoas e publicado pela FGV Management

Que tenhamos sempre a coragem de desafiar a prepotência e as artimanhas daqueles que insistem em impor as amarras do controle e o veneno do comando ditatorial, contestando o que se apresenta como óbvio e natural e mantendo acesa a chama da inquietação.

Não podemos nos omitir jamais, pois já é chegado o tempo da colaboração e da efetiva coordenação de ações entre as pessoas, como formas de se alcançar o verdadeiro comprometimento e o inestimável tesouro da inteligência coletiva.

Sábias são as palavras do grande líder Martin Luther King quando afirma que “A crueldade entre os homens não é só cometida pelas ações medonhas daqueles que são maus, mas também pela omissão pervertida daqueles que são bons.”

grande abraço,

Marcelo Mello

Caracterizando a Liderança IV – Inspiração

Caros amigos,

sou seguidor do perfil de David Gurten no twitter (http://twitter.com/DavidGurteen). David é consultor, palestrante e facilitador de conversas na área de Gestão do Conhecimento e, entre outras formas de compartilhamento, ele envia, diariamente, frases interessantes sobre gestão do conhecimento, conversas, gestão de pessoas, etc.

Uma das frases compartilhadas na semana passada me chamou especialmente a atenção e julgo que ela merece figurar no rol dos posts que se propõem a tentar caracterizar o que vem a ser esse fascinante fenômeno da liderança:

“If your actions inspire others to dream more, learn more, do more and become more, you are a leader. (John Quincy Adams)

“Se suas ações inspiram as outras pessoas a sonharem mais, aprenderem mais, fazerem mais e serem mais, então você é um líder.” (John Quincy Adams)

Creio que essa caracterização da liderança contempla uma importante missão do líder: a capacidade de inspirar seus liderados a buscarem a evolução e o aprimoramento constantes, o que nos remete aos conceitos de liderança tranformacional e liderança servidora.

Nesse sentido, ao ler essa caracterização, também me lembrei da frase de encerramento do célebre discurso que o saudoso Steve Jobs proferiu para os formandos da Universidade de Stanford (assista ao discurso completo no vídeo abaixo): “Stay hungry, stay foolish” (Continue faminto, continue ingênuo).

Penso que todo líder deve buscar manter viva em seus liderados a sede de conhecimento e o desejo de superar seus limites, indo cada vez mais longe.

Stay hungry, stay foolish!!!

abraço,

Marcelo Mello

Caracterizando a liderança III – Complexidade

Caríssimos,

mais uma contribuição para nossa árdua tentativa de dar contornos mais claros a esse fascinante e (ainda) intrigante fenômeno da Liderança:

“… a liderança é vista como um sistema interativos de agentes dinâmicos e imprevisíveis, os quais interagem uns com os outros em complexas redes de feedback e podem, dessa forma, produzir resultados adaptativos, tais como disseminação de conhecimento, aprendizagem, inovação e significativa capacidade de adaptação a mudanças (Uhl-Bien et al. 2007).

De acordo com a teoria da liderança em sistemas complexos, ‘a liderança pode emergir por meio de qualquer interação na organização… a liderança é um fenômeno emergente dentro dos sistemas complexos’ (Hazy et al. 2007).

Na linha de que a liderança deve responder às necessidades específicas de cada situação ou desafio, a liderança da complexidade afirma que para atingir ótimos níveis de desempenho, as organizações não podem ser desenhadas com estruturas simples e racionalizadas que subestimam a complexidade do contexto no qual elas devem operar e ao qual elas precisam se adaptar (Uhl-Bien et al. 2007). Limitar-se a enxergar o líder e o liderado em um simples processo de troca não é suficiente para compreender todas as dinâmicas que compõem a liderança.”

Extraído do artigo “Leadership: Current theories, research, and future directions” de Bruce J. Avolio, Fred O. Walumbwa e Todd J. Weber.

 

um grande abraço,

 

Marcelo Mello

Caracterizando a liderança II – Peter Senge

Caríssimos,

compartilho hoje outra contribuição no sentido de caracterizar o que vem a ser essa tal liderança. Desta vez, quem nos brinda com sua brilhante visão e profundo conhecimento é o grande Peter Senge, autor do best seller “A quinta disciplina” e figura respeitadíssima nos meios acadêmico e corporativo.

A visão de Senge, extraída de um artigo escrito para a tradicional Harvard Business Review em 1997, aponta na direção de uma liderança menos centralizada e heróica, indicando que o caminho para que as organizações superem os desafios desse século XXI passa, necessariamente, pela construção de uma cultura de compartilhamento, tanto do conhecimento, quanto da responsabilidade pela condução dos processos de liderança.

Com a palavra, sir Peter Senge:

“Na era do conhecimento, nós iremos finalmente abandonar o mito dos líderes como heróis isolados, comandando suas organizações a partir do topo. Decisões tomadas de cima para baixo e de forma diretiva, podem até ser implementadas, mas reforçam um ambiente de medo, desconfiança e competição interna que reduz a colaboração e a cooperação. Elas fomentam a mera aceitação em lugar do verdadeiro comprometimento, contudo, somente o genuíno comprometimento pode fazer emergir a coragem, imaginação, paciência e perceverança necessárias para as organizações capazes de criar conhecimento. Por esta razão, no futuro, a liderança será distribuída entre diversos indivíduos e equipes, os quais compartilharão a responsabilidade pela criação do futuro de suas organizações.”

Extraído do artigo “Looking ahead: implications of the present”. Harvard Business Review 75.5 (1997), escrito por Peter Drucker, Esther Dyson, Charles Handy, Paul Saffo e Peter Senge.

 

Concordo em gênero, número e grau com as palavras de Senge, apesar de saber que ainda há um longo e tortuoso caminho a ser percorrido até que o colaboração, o compartilhamento e a confiança se consolidem como bases do modelo mental dominante em nossas organizações.

grande abraço,

Marcelo Mello (diretamente do Paraná)

Metamanagement – Ainda sobre confiança…

Pessoal,

há algum tempo escrevi um post entitulado “Construa confiança – por que a confiança é fundamental em nossas vidas?”, no qual compartilho um belo trecho do livro “Construa confiança” de Robert C. Solomon e Fernando Flores e teço alguns comentários sobre a fundamental importância da confiança nas organizações e nas relações de maneira geral.

Hoje quero compartilhar mais um pequeno texto, agora retirado do livro “Metamanagement”, de Fredy Kofman, sobre a importância da confiança:

“A confiança é o lubrificante que torna possível o funcionamento das organizações. É difícil imaginar uma organização sem algum aspecto de confiança operando de alguma forma em algum lugar. Uma organização sem confiança é mais do que uma anomalia: é uma aberração, uma sombria criatura da imaginação kafkiana. Confiança implica responsabilidade, previsibilidade, confiabilidade. É ela que vende produtos e mantém as organizações em marcha. A confiança é o adesivo que mantém a integridade organizacional.”

Bennis e Nanus, extraído do livro Metamanagement,

de Fredy Kofman

 

grande abraço,

 

Marcelo Mello (diretamente do Paraná)

Metamanagement – Resolução de conflitos

Caríssimos,

em minha dissertação estou realizando uma ampla revisão bibliográfica sobre a relação entre a Liderança Compartilhada e as Competências conversacionais. Uma dessas competências é a resolução de conflitos.

Kofman (2002, v.2, p.139) afirma que “ser humano implica ter conflitos” e que assim é porque “não conseguimos escapar de nossas necessidades, medos, egoísmos e aborrecimentos.” Ainda segundo esse autor, cuja obra é um dos pilares do meu trabalho, “é impossível escolher se teremos ou não conflitos; só podemos escolher como responder aos conflitos.”

Sobre essa interessante e fundamental competência conversacional, compartilho ainda este belo trecho de autoria de Clark Moustakas, também extraído do livro Metamanagent de Fredy Kofman:

“Em toda disputa criativa, as pessoas que participam estão conscientes da total legitimidade do outro. Nenhuma delas perde de vista o fato de que estão buscando expressar a verdade, tal como a vêem. De modo algum isso apequena as pessoas. Tal confrontação, numa atmosfera saudável de amor e vínculo genuíno, permite que cada indivíduo mantenha um senso digno de si mesmo, cresça autenticamente por meio de uma comunicação real com os outros e descubra o valor da simplicidade direta nas relações.

Clark Moustakas, extraído do livro

Metamanagement de Fredy Kofman.

 

grande abraço,

 

Marcelo Mello (diretamente do Paraná)

Sincronicidade: o centímetro cúbico de oportunidade

Amigos,

compartilho com vocês mais um profundo trecho dentre os textos sobre os quais tenho me debruçado em minha jornada para conclusão do Mestrado:

“Todos nós, quer sejamos guerreiros ou não, temos um centímetro cúbico de oportunidade que surge em frente aos nossos olhos de tempos em tempos. A diferença entre um homem comum e um guerreiro é que o guerreiro está consciente disso, e uma de suas tarefas é permanecer alerta, esperando deliberadamente, de forma que quando seu centímetro cúbico aparecer ele possua a velocidade e a agilidade necessárias para aproveitá-lo.”

Carlos Castañeda, extraído do livro Sincronicidade (pág. 107) de Joseph Jaworski

Certa vez ouvi alguém dizer que o Sucesso poderia ser definido como o encontro entre a Vontade e a Oportunidade. Penso que a Vontade pode ser expressa no constante estado de atenção e na incessante busca pelo crescimento pessoal que nos tornarão aptos a usufruir do nosso precioso centímetro de oportunidade, quando ele se apresentar diante de nós.

 

grande abraço,

 

Marcelo Mello