Nietzsche e a Complexidade

Meus amigos,

ao contrário do que o título deste post possa dar a entender, não pretendo aqui apresentar nenhuma análise da relação entre a filosofia de Nietzsche e os conceitos inerentes à teoria da complexidade.   O objetivo aqui é tão somente compartilhar minhas principais impressões e destaques acerca de dois livros cuja leitura conclui recentemente: “Quando Nietzsche chorou” de Irvin Yalom e “As paixões do ego” de Humberto Mariotti.

O livro de Irvin Yalom é um clássico mundial e retrata o fictício encontro entre dois personagem reais: o filósofo alemão Friedrich Nietzsche e o médico austríaco Josef Breuer. Enquanto Nietzsche e sua avassaladora filosofia dispensam maiores apresentações, é importante destacar que Breuer foi contemporâneo e amigo de Sigmund Freud, tendo exercido significativa influência na concepção e desenvolvimento dos fundamentos da psicoterapia. Aliás, o livro explora bastante a relação entre Breuer e Freud, à época ainda um médico em início de carreira.

Os belíssimos diálogos que se desenvolvem entre Nietzsche e Breuer revelam uma complexidade emocional e uma profundidade intelectual fascinantes. Nietzsche vai  bradando, com gradativa intensidade, seu impiedoso martelo filosófico, promovendo a destruição dos ídolos e das ilusões de Breuer. Este, por sua vez, vai delineando, por meio da cuidadosa observação do comportamento de Nietzsche e de intervenções delicadamente planejadas, os conceitos fundamentais do que viria a ser a prática da psicologia. E tudo isso ocorre em meio a um complexo processo de construção de confiança e afetos mútuos.

Sem dúvida alguma, “Quando Nietzsche chorou” é um daqueles livros cuja leitura é capaz de incitar reflexões profundas e, me arrisco dizer, transformações significativas na estrutura do leitor.

Quando Nietzsche chorou

 

 

“…odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia.” (Friedrich Nietzsche)

 

 

 

 

 

As paixões do ego

 

 

“Discordando, concordando na aparência, ou apenas fingindo ouvir, o propósito é sempre o mesmo: negar a existência do interlocutor que questiona, afastar a possibilidade de que ele possa trazer algo novo e útil – fugir à diferença, enfim.” (Humberto Mariotti)

 

Já a obra de Humberto Mariotti, denominada “As paixões do ego”, tem como tema central o pensamento complexo e, ao longo do texto, o autor apresenta inúmeras distinções relacionadas e que compõem um grande panorama sobre este tema. Agregando as ideias de importantes pensadores como Gregory Bateson, Edgar Morin, Humberto Maturana, Francisco Varela, David Bohm, entre outros, Mariotti analisa o pensamento linear, característico de da cultura patriarcal, bem como sua alternativa sistêmica, não com o intuito de confrontá-los, mas sim de propor o caminho da complementariedade entre ambos os modelos, o que, segundo ele, resultaria no que ele distingue como pensamento complexo.

À luz do pensamento complexo, Mariotti aborda questões sociais, políticas e éticas, suscitando reflexões profundas e bastante pertinentes para nossa sociedade. Dois pontos, ao meu ver, merecem maior destaque:

1) Automatismo do modelo concordo/discordo: Mariotti alerta para a os riscos de reagirmos de forma automática e instantânea em nossas interações classificando o que ouvimos em “concordo” ou “discordo” sem abrir espaço para uma escuta sincera e uma reflexão mais profunda;

2) Os cinco saberes do pensamento complexo: segundo o autor, para se viver em plenitude o pensamento complexo, é preciso saber ver, saber esperar, saber conversar, saber amar e saber abraçar;

Sem dúvida alguma, a obra de Humberto Mariotti é extremamente útil e recomendada para quem deseja iniciar uma exploração do tema da complexidade e suas distinções relacionadas, o que me parece bastante pertinente em um mundo em constante ebulição como o que vivemos hoje.

 

grande abraço,

 

Marcelo Mello

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Caracterizando a liderança III – Complexidade

Caríssimos,

mais uma contribuição para nossa árdua tentativa de dar contornos mais claros a esse fascinante e (ainda) intrigante fenômeno da Liderança:

“… a liderança é vista como um sistema interativos de agentes dinâmicos e imprevisíveis, os quais interagem uns com os outros em complexas redes de feedback e podem, dessa forma, produzir resultados adaptativos, tais como disseminação de conhecimento, aprendizagem, inovação e significativa capacidade de adaptação a mudanças (Uhl-Bien et al. 2007).

De acordo com a teoria da liderança em sistemas complexos, ‘a liderança pode emergir por meio de qualquer interação na organização… a liderança é um fenômeno emergente dentro dos sistemas complexos’ (Hazy et al. 2007).

Na linha de que a liderança deve responder às necessidades específicas de cada situação ou desafio, a liderança da complexidade afirma que para atingir ótimos níveis de desempenho, as organizações não podem ser desenhadas com estruturas simples e racionalizadas que subestimam a complexidade do contexto no qual elas devem operar e ao qual elas precisam se adaptar (Uhl-Bien et al. 2007). Limitar-se a enxergar o líder e o liderado em um simples processo de troca não é suficiente para compreender todas as dinâmicas que compõem a liderança.”

Extraído do artigo “Leadership: Current theories, research, and future directions” de Bruce J. Avolio, Fred O. Walumbwa e Todd J. Weber.

 

um grande abraço,

 

Marcelo Mello

Conectividade, Positividade e Desempenho nas Organizações

Caríssimos amigos,

Lendo um dos diversos artigos científicos relacionados ao meu Mestrado, encontrei um trecho que descreve com rara beleza uma visão do futuro para nossas organizações na qual fortemente acredito, por trazer em sua essência valores e pressupostos que me parecem responder mais efetivamente ao complexo cenário que vivenciamos atualmente. Eis que compartilho com vocês essas breves, mas promissoras palavras:

“We need to have organizations where the polarity of other and self, of you and I, is integrated into a sense of we; where the polarity of inquiry and advocacy, of questions and answers, can drive a productive and ongoing dialogue; where the abundance of positivity, grounded in constructive negative feedback, can generate the state of realistic enthusiasm that can propel organizations to reach and uphold the heights of excellence.”

“Nós precisamos de organizações nas quais a polaridade do outro e do eu, do você e eu, está integrada dentro de um senso de nós; onde a polaridade da Indagação e da Exposição, de perguntas e respostas, pode levar ao diálogo produtivo e contínuo; onde a abundância de positividade, alicerçada no feedback negativo construtivo, pode gerar um estado de verdadeiro entusiasmo que impulsione as organizações para o atingimento e manutenção de elevados níveis de excelência.”

Texto retirado do artigo “The Role of Positivity and Connectivity in the Performance of BusinessTeams: A Nonlinear Dynamics Model” de Marcial Losada e Emily Heaphy com tradução livre deste blogueiro

Losada chaotic attractor

Chaotic Attractor or Complexor: dinâmica resultante da conectividade de uma equipe de alto desempenho

Amigos, creio verdadeiramente que um possível caminho para viabilizarmos organizações capazes de responder aos desafios desse século seja o de fomentar a conectividade entre pessoas em suas comunidades de trabalho, assim como propiciar as melhores condições possíveis para o cultivo de um ambiente saudável, no qual a positividade prevaleça sobre a negatividade (mas não a anule) e haja um equilíbrio entre o Expor e o Indagar e entre os aspectos Individual e Coletivo.

Criar tal cenário se apresenta como o grande desafio dos atuais gerentes, que precisam abandonar toda e qualquer amarra que, porventura, ainda os prenda ao paradigma tradicional do “chefe”, buscando com todas as suas forças as competências necessárias para atuarem como verdadeiros LÍDERES, comprometidos com o desenvolvimento das pessoas e com a evolução de suas organizações.

grande abraço,

Marcelo Mello

A teia da vida – Todas as coisas são conectadas

“Isso nós sabemos.
Todas as coisas são conectadas
como o sangue
que une uma família…

O que acontecer com a terra
acontecerá com os filhos e filhas da terra.
O Homem não teceu a teia da vida,
ele é dela apenas um fio.
O que ele fizer para a teia
estará fazendo a si mesmo.”

Ted Perry (inspirado pelo Chefe Seattle), extraído do livro A Teia da Vida de Fritjof Capra.

Abraço,

Marcelo Mello