Dilbert – Barreiras ao compartilhamento do conhecimento

Olá pessoal,

Na tira abaixo, nosso impagável Dilbert nos apresenta uma efetiva demonstração de como o medo e a falta de confiança atuam como fortíssimas barreiras à colaboração e ao compartilhamento de conhecimento nas organizações:

abraço,

Marcelo Mello

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Metamanagement – Ainda sobre confiança…

Pessoal,

há algum tempo escrevi um post entitulado “Construa confiança – por que a confiança é fundamental em nossas vidas?”, no qual compartilho um belo trecho do livro “Construa confiança” de Robert C. Solomon e Fernando Flores e teço alguns comentários sobre a fundamental importância da confiança nas organizações e nas relações de maneira geral.

Hoje quero compartilhar mais um pequeno texto, agora retirado do livro “Metamanagement”, de Fredy Kofman, sobre a importância da confiança:

“A confiança é o lubrificante que torna possível o funcionamento das organizações. É difícil imaginar uma organização sem algum aspecto de confiança operando de alguma forma em algum lugar. Uma organização sem confiança é mais do que uma anomalia: é uma aberração, uma sombria criatura da imaginação kafkiana. Confiança implica responsabilidade, previsibilidade, confiabilidade. É ela que vende produtos e mantém as organizações em marcha. A confiança é o adesivo que mantém a integridade organizacional.”

Bennis e Nanus, extraído do livro Metamanagement,

de Fredy Kofman

 

grande abraço,

 

Marcelo Mello (diretamente do Paraná)

Construa Confiança – Por que a confiança é fundamental em nossas vidas?

Caro amigos,

compartilho com vocês mais um interessante trecho do livro Construa Confiança:

“Dirigimos em estradas e ruas cercados por desconhecidos. Negócios são feitos em conversas casuais nos campos de golfe e nas pistas de boliche. Gerentes corporativos são transferidos com suas famílias para o outro lado do país. Mudamos de emprego conforme a necessidade ou a oportunidade, confiando nossas vidas nas mãos de pessoas que conhecemos (no melhor dos casos) apenas por reputação ou com base numa entrevista ou carta. A maioria de nós vive em cidades habitadas por desconhecidos. Compramos em lojas onde nossa mais íntima conexão com o vendedor do outro lado do balcão se dá quando lhe entregamos nosso cartão de crédito. Mais e mais as compras se fazem não na loja da esquina, mas na rede mundial da Internet, com pessoas e empresas que jamais veremos. Fazendeiros de Iowa hoje tem que encontrar clientes na Ásia, e mesmo o mais cauteloso consumidor hoje compra na Internet produtos de desconhecidos que não vê. As alianças internacionais hoje predominam, não só entre enormes corporações multinacionais mas também entre pequenas empresas, pessoas de todos os níveis e organizações não-governamentais.

Em nosso dia a dia, estamos cercados por desconhecidos em quem implicitamente confiamos porque precisamos fazê-lo. Somos pessoas em movimento. Somos cidadãos e consumidores numa sociedade global. Nos encontramos e trabalhamos com desconhecidos todo o tempo. E com mais frequência do que podemos perceber, confiamos que completos desconhecidos sejam justos, honestos e sensatos em seu lidar conosco. Confiamos que farão o que dizem que vão fazer, ou no que razoavelmente deles se pode esperar que façam. Quando não o fazem, nos sentimos indignados ou traídos. Mas na maior parte do tempo, as pessoas fazem o que se espera que façam, não porque tenham de fazê-lo ou sintam-se compelidas a fazê-lo mas porque sabem (sem estar conscientes de saber) serem elas também participantes de uma rede confiança. A vida seria impossível de viver se não fôssemos parte dessa rede. A vida, o crescimento e a felicidade são possíveis desde que tenhamos confiança.”

extraído do livro Construa Confiança de Robert C. Solomon e Fernando Flores

Sem a base provida pela confiança, sólida e conscientemente construída, não temos condições de realizar as complexas interações necessárias para manutenção e evolução de nossa vida em sociedade. Precisamos aprender a construir e preservar a confiança por meio de um constante processo de estabelecer e honrar compromissos, pautando nossas relações pelo respeito e pela solicitude. Creio que somente assim seremos capazes de construirmos famílias, organizações e comunidades capazes de enfrentar os desafios das próximas décadas.

grande abraço e até o próximo post,

Marcelo Mello

Construa confiança – O que há com a confiança do mundo?

Caros amigos,

quero compartilhar com vocês um trecho que julguei muito interessante de um dos livros que estou lendo:

“Em grande parte da literatura corrente, a palavra ‘confiança’ transformou-se num gatilho para a nostalgia, um lembrete dos tempos supostamente mais simples quando as pessoas não trancavam suas portas, quando rotineiramente davam carona e se dirigiam a desconhecidos. Houve um tempo em que as pessoas prestavam mais atenção às suas maneiras do que à segurança de suas carteiras ou aos temores acerca de seu bem-estar físico. Foi um mundo anterior aos acordos pré-nupciais, aos processos judiciais, aos clamores incessantes por procedimentos de impeachment e por leis contra a posse ilegal de armas. Foi um mundo no qual considerava-se o casamento um compromisso para toda a vida, quando ‘a palavra de um homem era sua garantia’, quando os negócios se faziam com apertos de mão, e uma promessa de um político era tomada seriamente como uma promessa, não importa o quão duvidosos estivessem os eleitores quanto ao cumprimento desta promessa. Hoje, a promessa de um político vale menos que o jornal do dia que a imprime. Os negócios são conduzidos somente com advogados ou uma equipe jurídica a reboque, com a ameaça de litígio sempre palpavelmente presente. O divórcio tornou-se uma questão de direito e mesmo de conveniência, um estado de coisas que muitos analistas corretamente identificam como o enfraquecimento do significado do compromisso – e portanto da confiança – em nossa sociedade.”

extraído do livro Construa Confiança de Robert C. Solomon e Fernando Flores

É fundamental que os administradores percebam a importância que o processo de construção de confiança tem para suas organizações e comecem a trabalhar mais intensamente em prol deste processo a fim de que as bases de nossas relações deixem de ser o medo, o poder ou o controle e passem a residir mais na geração dinâmica de confiança mútua.

grande abraço,

Marcelo Mello

Nascimento da era caórdica – Como seria ter o controle total, infinito e absoluto?

Pessoal,

estou lendo – na realidade o termo mais adequado seria me deliciando – com o livro “Nascimento da era caórdica” de Dee Hock, fundador e CEO emérito da gigante dos cartões VISA. Dentre os vários tesouros com os quais já me deparei, um texto em especial chamou minha atenção. Eu diria que vibrei ao lê-lo pois ele aborda de forma genial uma de minhas principais inquietudes organizacionais: Para que tanto controle???

Compartilho abaixo essa brilhante reflexão de Dee Hock:

“Durante décadas, Macaco Velho e eu tentamos descobrir a natureza essencial e a origem do desejo de certeza e de controle. Por que lutamos para estruturar instituições como se fossem máquinas previsíveis e controláveis e para levar as pessoas a se comportarem como se fossem engrenagens previsíveis? Isso levou-nos a uma questão fascinante. Como seria se tivéssemos total capacidade de comandar e controlar?
Seria preciso conhecer cada coisa e cada acontecimento passado, pois como seria possível saber o que significa controle total sem um conhecimento infinito dos acontecimentos passados e de suas conseqüências? Seria necessário ter onisciência em relação ao futuro, conhecer com absoluta certeza cada coisa que pudesse existir e cada evento que pudesse ocorrer, quando e como, e cada nuança de seus possíveis efeitos. Não daria para controlar o desconhecido antes que acontecesse. O mistério e a surpresa não poderiam ser tolerados.
O perfeito conhecimento do passado, do presente e do futuro não seria suficiente para atingir o controle perfeito. Seria necessário conhecer os pensamentos, as emoções e os desejos de todos os seres humanos: suas esperanças, alegrias, medos e necessidades. E não somente dos outros. Seria necessário conhecer tudo o que o eu sente, pensa, sabe ou experimenta, no passado, no presente e no futuro. Mais ainda: seria necessário eliminar todas as emoções, sentimentos, crenças e valores, pois tais coisas nos pegam desprevenidos e afetam o nosso comportamento. A compaixão precisaria acabar, o amor precisaria acabar, a admiração, a inveja, o desejo, o ódio, a nostalgia, a esperança – juntamente com toda sensibilidade estética. Se o controle perfeito existisse, as emoções não poderiam ser convocadas e controladas à vontade? Mas como saber qual delas convocar, em que grau e por quê? Tais empecilhos seriam intoleráveis. O controle perfeito exigiria conhecimento absoluto de tudo o que veio antes e de tudo o que virá depois e depois, e assim ad absurdum.
Mas tudo isso nada revela. São apenas condições. Ainda deixa a pergunta sem resposta. Como seria ter o controle total, infinito, absoluto? O primeiro pensamento é que seria como ser deus, pelo menos da maneira que os deuses normalmente são concebidos. Pensando mais intensamente e com muito maior intuição, a resposta nos atinge como um raio. Seria a morte. Previsão e controle absolutos e perfeitos, só no caixão. Algo que requer a completa negação da vida. A vida é incerteza, surpresa, ódio, perplexidade, especulação, amor, alegria, pena, dor, mistério, beleza e milhares de outras coisas que nem conseguimos imaginar. Vida não é controlar. Não é conseguir. Não é ter. Não é saber. Não é nem mesmo ser. Vida é um eterno e perpétuo vir-a-ser, ou não é nada. O vir-a-ser não é algo a ser conhecido ou controlado. É uma odisséia magnífica e misteriosa a ser experimentada.
No fundo, o desejo de comandar e controlar é um compulsão destrutiva e mortal de roubar de si mesmo e dos outros as alegrias da vida. É de se admirar que uma sociedade, cuja visão de mundo, cujo modelo interno de realidade, se baseia na noção do universo como máquina, se torne destrutiva? É de se admirar que uma sociedade que venera a primazia da medida, da previsão e do controle leve à destruição do ambiente, à má distribuição de riqueza e poder, à destruição em massa de espécies, ao Holocausto, à bomba de hidrogênio e a inúmeros outros horrores? Como poderia ser diferente, se há séculos nos condicionamos com noções ainda mais poderosas de soluções fabricadas, de dominação, de comportamento forçado e de interesse próprio isolável? Tirania é tirania, por mais trivial, mais bem-racionalizada, mais inconsciente ou mais bem-intencionada que seja. É aquilo a que nos acostumamos há séculos, de milhares de maneiras sutis, dia após dia, mês após mês, ano após ano. Não precisava ser assim, nunca. Não precisa ser assim agora. Não pode ser assim para sempre.”

(extraído do livro “Nascimento da era caórdica”, de Dee Hock, págs. 34 e 35)

Lourdes Vaz Afonso CAOS&ORDEM VI-IX, ( versão II ) Acrílico s.tela, 200x200cm, (4 paineis)

Lourdes Vaz Afonso CAOS&ORDEM VI-IX, ( versão II ) Acrílico s.tela, 200x200cm, (4 paineis)

Caros leitores, minha percepção está em completa consonância com o expresso por Dee Hock no brilhante texto acima: na busca exacerbada pelo controle e pela conformidade de processos, nossas organizações estão roubando das pessoas a alegria e o prazer na execução de seu trabalho e, com isso, estão produzindo e sorvendo o veneno que as vai levar ao único lugar em que poderão alcançar a previsibilidade e o pleno controle que tanto almejam, a MORTE.  Para evitar sua própria queda, faz-se mister que as organizações consigam sufocar dentro de si esta insaciável sede de controle e padronização e que, em seu lugar, façam emergir uma cultura organizacional mais fundamentada na liberdade, na criatividade, na responsabilidade e, sobretudo, na confiança mútua.

abraço e até nosso próximo post,

Marcelo Mello