Metamanagement – Resolução de conflitos

Caríssimos,

em minha dissertação estou realizando uma ampla revisão bibliográfica sobre a relação entre a Liderança Compartilhada e as Competências conversacionais. Uma dessas competências é a resolução de conflitos.

Kofman (2002, v.2, p.139) afirma que “ser humano implica ter conflitos” e que assim é porque “não conseguimos escapar de nossas necessidades, medos, egoísmos e aborrecimentos.” Ainda segundo esse autor, cuja obra é um dos pilares do meu trabalho, “é impossível escolher se teremos ou não conflitos; só podemos escolher como responder aos conflitos.”

Sobre essa interessante e fundamental competência conversacional, compartilho ainda este belo trecho de autoria de Clark Moustakas, também extraído do livro Metamanagent de Fredy Kofman:

“Em toda disputa criativa, as pessoas que participam estão conscientes da total legitimidade do outro. Nenhuma delas perde de vista o fato de que estão buscando expressar a verdade, tal como a vêem. De modo algum isso apequena as pessoas. Tal confrontação, numa atmosfera saudável de amor e vínculo genuíno, permite que cada indivíduo mantenha um senso digno de si mesmo, cresça autenticamente por meio de uma comunicação real com os outros e descubra o valor da simplicidade direta nas relações.

Clark Moustakas, extraído do livro

Metamanagement de Fredy Kofman.

 

grande abraço,

 

Marcelo Mello (diretamente do Paraná)

Simplesmente Mandela

Caríssimos,

tenho falado bastante sobre liderança nos meus posts mais recentes, afinal este é um dos pilares do meu trabalho de dissertação e tem sido o objeto central de minhas leituras. E por falar em leituras, hoje fui visitar um dos lugares que mais aprecio – a livraria – pra tentar relaxar um pouco depois de um dia bem complicado no trabalho.

Não tenho dúvidas de que a efetiva gestão de pessoas, seguindo os mais modernos conceitos e paradigmas se configura em um enorme desafio para todo e qualquer administrador. A complexidade e a diversidade dos seres humanos é, ao mesmo tempo, fascinante e aterrorizante. Saber lidar bem com essa complexidade não é tarefa trivial e por vezes me vejo a falhar nessa empreitada. Hoje foi um desses dias e isso me incomodou significativamente.

Mas eis que durante meu passeio pela livraria me deparo com a recém lançada biografia de Nelson Mandela, entitulada “Conversas que tive comigo”. Conversas e Liderança (afinal Mandela é considerado em todo o mundo um símbolo de Liderança), ou seja, tudo a ver com minha dissertação. Nem preciso dizer que comprei o livro na hora e, para minha grata surpresa, já na aba da capa me deparei com uma frase de Mandela que veio ao encontro das minhas mais profundas inquietudes neste dia atribulado, e a qual compartilho agora com vocês:

“Na vida real não lidamos com deuses, mas com humanos tão comuns quanto nós mesmos. São homens e mulheres cheios de contradições, que são estáveis e inconstantes, fortes e fracos, famosos e infames, pessoas em cujas veias a mesquinharia resiste bravamente a fortes pesticidas.”

Meus amigos, Nelson Mandela me ajudou a superar o dia de hoje.

Abraço,

Marcelo Mello

O capataz como sustentáculo da empresa tradicional

Amigos,

meu documento de qualificação vai de “vento em popa” e acredito que conseguirei realizar meu exame de qualificação até o fim deste mês. E entre as muitas leituras e releituras que tenho realizado encontrei mais um trecho que faço questão de compartilhar com vocês:

“Da mesma maneira que a solução para o problema da produtividade comporta o ‘mando e controle’, como mecanismo de regulação do trabalho, este faz do capataz a principal figura de autoridade na empresa tradicional. O capataz é, precisamente, aquela figura que tem sob sua responsabilidade exercer o mando e controle. Isto significa distribuir as ordens e instruções, supervisionar seu cumprimento e punir o não cumprimento. Não pode haver mando e controle sem que haja alguém que, efetivamente, mande e controle; essa pessoa é o capataz.

Todavia, esse capataz que tem a seu cargo um grupo determinado de operários, por sua vez, precisa receber, ele próprio, suas ordens e instruções e ser igualmente controlado. Isto é condição de funcionamento da empresa tradicional. Portanto, o sistema requer não só capatazes, mas também capatazes de capatazes, capatazes de capatazes de capatazes e assim sucessivamente. Em um certo ponto, por um problema de hierarquização e status, esses capatazes começam a ser chamados de gerentes, mas isso não cria maiores distinções em suas funções, senão que é indicador do nível a partir do qual se exerce a autoridade. Tudo isso culmina em uma única figura, à qual se confere o nome de gerente geral [ou CEO]; porém, este não é senão o grande capataz, o capataz de todos os capatazes.”

Extraído do livro ‘A empresa emergente’ de Rafael Echeverría

Caríssimos, o texto acima reflete bem o paradigma que rege as nossas organizações desde o advento da Revolução Industrial. Contudo, o mundo mudou muito de lá pra cá e esse paradigma já não é mais capaz de prover as soluções de que essas organizações tanto necessitam para superar os desafios da Era do Conhecimento. Creio realmente que o caminho para a transformação dos modelos mentais vigentes passa, necessariamente, pelo amadurecimento das conversações dentro das organizações e pela consolidação de um modelo de liderança mais participativo e compartilhado.

grande abraço,

Marcelo Mello

As competências conversacionais a serviço do Gerenciamento de Projetos

Caríssimos amigos,

a mais recente edição da revista Mundo Project Management (Ago/Set 2010) traz, entre seus destaques, um artigo escrito pelo Prof. Dr. Gentil Lucena, detentor de um currículo invejável e de uma longa e mui frutífera trajetória como pesquisador nas áreas de coaching, gestão do conhecimento, aprendizagem organizacional e, sobretudo, competências conversacionais. Essa verdadeira personalidade, conhecida nacional e internacionalmente (e que me concedeu o incomensurável privilégio de ser o orientador da minha Dissertação de Mestrado no programa em Gestão do Conhecimento e de TI da Universidade Católica de Brasília), escreveu um artigo fantástico, demonstrando como as competências conversacionais são, de fato, a tecnologia social que constitui e impulsiona as organizações e seus projetos.

Utilizando um referencial teórico extremamente consistente, bem como uma efetiva análise prática do cenário organizacional, o artigo caracteriza as próprias organizações (e os projetos) como “redes dinâmicas de conversações” e demonstra que tanto a Gestão, de forma geral, quanto, mais especificamente, a Gestão do Conhecimento e a Gestão de Projetos podem ser vistas como formas de gestão de processos conversacionais.

“… para assegurar processos efetivos, eficazes e eficientes, é necessário avaliar também a maneira como distintos trabalhos individuais se coordenam e reconhecer que essa coordenação de ações é um processo tipicamente conversacional. Pessoas coordenam trabalhos individuais conversando! Esse fenômeno tem sido reconhecidamente assinalado na literatura como uma das áreas de maior potencial para elevar o desempenho das organizações.”

O autor discorre ainda sobre várias distinções relativas às conversações, demonstrando o quão vasto é o território a ser explorado em torno desse tema e, por fim, conclui afirmando que não há que se pensar em bons projetos sem a presença das competências conversacionais.

Vale muito a pena comprar a revista Mundo PM e curtir na íntegra este belíssimo artigo, além de vários outros textos muito úteis sobre Gestão de Projetos.

Hoje não tenho nenhuma dúvida acerca do enorme potencial das conversas nas organizações e na vida, como um todo. É por meio das conversas que moldamos e concretizamos o nosso futuro e é por meio delas que nos constituímos nos seres que somos. Foi essa crença que me levou a eleger as Competências Conversacionais como tema de minha dissertação, buscando investigar sua relação com outro aspecto crucial para as organizações: a liderança.

Espero, com a ajuda do Prof. Gentil e de vários outros membros do recém constituído LABCON (Laboratório de Conversas da Universidade Católica de Brasília), contribuir para o avanço das pesquisas sobre as conversas e seus impactos na vida das organizações.

grande abraço e boa leitura,

Marcelo Mello

As conversas e a nova economia

Caríssimos,

dando sequência a meus estudos para confecção de minha dissertação, me deparei com uma frase de Alan Webber que caracteriza muito bem o fundamental papel das conversações na construção de um futuro que queremos fazer emergir:

“Na nova economia, administrar exige não apenas uma mudança de programas, mas mudança de atitude mental… as conversações são o modo pelo qual os trabalhadores descobrem o que sabem, compartilham-no com seus colegas e, no processo, criam novo conhecimento para a organização. Na nova economia, as conversações são a forma mais importante de trabalho.”

Alan Webber (1993),

“What’s so new about the new economy?”

Harvard Business Review

Cada vez mais vejo ganhar força em mim a convicção de que também a liderança pode ser melhor edificada por meio das conversas, sobretudo se essa liderança for compartilhada entre todos aqueles que, de uma forma ou de outra, podem e querem contribuir para o avanço de suas organizações, independentemente de sua posição hierárquica.

grande abraço,

Marcelo Mello

O poder das conversações

Olá amigos,

eis-me aqui novamente, depois de um longo período de silêncio. Estive (e estou) bastante envolvido com minha dissertação de mestrado, mais precisamente com o documento de qualificação da minha pesquisa e acabei me afastando um pouco deste espaço que tanto estimo. Como uma pequena compensação por minha prolongada ausência, dei uma renovada no visual do blog – espero que gostem – e trago a vocês hoje um belo trecho de um dos livros que estou lendo, “O World Café”, de Juanita Brown e David Isaacs, mas que é, na verdade, uma citação de um texto de Humberto Maturana e P. Bunnell, entitulado “Biosphere, Homophere, and Robosphere: what has that to do with business?“:

“Tudo o que nós, seres humanos, fazemos, fazemos em conversação… Na medida em que vivemos em conversação, novos tipos de objetos continuam a aparecer e quando nos apoderamos destes objetos e vivemos com eles, novos domínios da existência aparecem! Assim estamos aqui agora, vivendo com estes tipos muito engraçados de objetos chamados firmas, companhias, lucro, rendas e assim por diante. E somos muito apegados a eles… Exatamente do mesmo modo, não estamos necessariamente presos a nenhum dos objetos que criamos. O que é peculiar nos seres humanos é que nós podemos refletir e dizer: ‘Oh, não estou mais interessado nisso’, mudar nossa orientação e começar uma nova história. Os outros animais não podem refletir, uma vez que não vivem na linguagem. Nós somos aqueles que fazem da linguagem e da conversação nossa maneira de viver… Nós gostamos dela, acariciamos uns aos outros na linguagem. Também podemos ferir uns aos outros na linguagem. Podemos abrir espaços ou restringi-los na conversação. Isso é essencial para nós. E desenhamos nosso próprio caminho, como o fazem todos os sistemas vivos.”

(Maturana e Bunnell, 1999, p.12. Disponível em http://www.solonline.org/res/wp/maturana/index.html)

A ideia de que construímos o mundo em que vivemos por meio de nossas conversações é um dos pilares da minha dissertação, uma vez que pretendo pesquisar a relação entre as Competências Conversacionais e o exercício da Liderança. Creio, cada vez mais, no poder das conversas e em sua peculiar capacidade de acessar a inteligência coletiva e fazer emergir o futuro que desejamos.

grande abraço e excelentes conversas a todos,

Marcelo Mello