Um breve relato sobre a História do Planeta Terra

Amigos,

compartilho com vocês um vídeo sensacional ao qual tive acesso por meio do twitter do Maurício Ricardo (charges.com). A criatividade do autor é impressionante:

grande abraço,

Marcelo Mello

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Nascimento da era caórdica – Como seria ter o controle total, infinito e absoluto?

Pessoal,

estou lendo – na realidade o termo mais adequado seria me deliciando – com o livro “Nascimento da era caórdica” de Dee Hock, fundador e CEO emérito da gigante dos cartões VISA. Dentre os vários tesouros com os quais já me deparei, um texto em especial chamou minha atenção. Eu diria que vibrei ao lê-lo pois ele aborda de forma genial uma de minhas principais inquietudes organizacionais: Para que tanto controle???

Compartilho abaixo essa brilhante reflexão de Dee Hock:

“Durante décadas, Macaco Velho e eu tentamos descobrir a natureza essencial e a origem do desejo de certeza e de controle. Por que lutamos para estruturar instituições como se fossem máquinas previsíveis e controláveis e para levar as pessoas a se comportarem como se fossem engrenagens previsíveis? Isso levou-nos a uma questão fascinante. Como seria se tivéssemos total capacidade de comandar e controlar?
Seria preciso conhecer cada coisa e cada acontecimento passado, pois como seria possível saber o que significa controle total sem um conhecimento infinito dos acontecimentos passados e de suas conseqüências? Seria necessário ter onisciência em relação ao futuro, conhecer com absoluta certeza cada coisa que pudesse existir e cada evento que pudesse ocorrer, quando e como, e cada nuança de seus possíveis efeitos. Não daria para controlar o desconhecido antes que acontecesse. O mistério e a surpresa não poderiam ser tolerados.
O perfeito conhecimento do passado, do presente e do futuro não seria suficiente para atingir o controle perfeito. Seria necessário conhecer os pensamentos, as emoções e os desejos de todos os seres humanos: suas esperanças, alegrias, medos e necessidades. E não somente dos outros. Seria necessário conhecer tudo o que o eu sente, pensa, sabe ou experimenta, no passado, no presente e no futuro. Mais ainda: seria necessário eliminar todas as emoções, sentimentos, crenças e valores, pois tais coisas nos pegam desprevenidos e afetam o nosso comportamento. A compaixão precisaria acabar, o amor precisaria acabar, a admiração, a inveja, o desejo, o ódio, a nostalgia, a esperança – juntamente com toda sensibilidade estética. Se o controle perfeito existisse, as emoções não poderiam ser convocadas e controladas à vontade? Mas como saber qual delas convocar, em que grau e por quê? Tais empecilhos seriam intoleráveis. O controle perfeito exigiria conhecimento absoluto de tudo o que veio antes e de tudo o que virá depois e depois, e assim ad absurdum.
Mas tudo isso nada revela. São apenas condições. Ainda deixa a pergunta sem resposta. Como seria ter o controle total, infinito, absoluto? O primeiro pensamento é que seria como ser deus, pelo menos da maneira que os deuses normalmente são concebidos. Pensando mais intensamente e com muito maior intuição, a resposta nos atinge como um raio. Seria a morte. Previsão e controle absolutos e perfeitos, só no caixão. Algo que requer a completa negação da vida. A vida é incerteza, surpresa, ódio, perplexidade, especulação, amor, alegria, pena, dor, mistério, beleza e milhares de outras coisas que nem conseguimos imaginar. Vida não é controlar. Não é conseguir. Não é ter. Não é saber. Não é nem mesmo ser. Vida é um eterno e perpétuo vir-a-ser, ou não é nada. O vir-a-ser não é algo a ser conhecido ou controlado. É uma odisséia magnífica e misteriosa a ser experimentada.
No fundo, o desejo de comandar e controlar é um compulsão destrutiva e mortal de roubar de si mesmo e dos outros as alegrias da vida. É de se admirar que uma sociedade, cuja visão de mundo, cujo modelo interno de realidade, se baseia na noção do universo como máquina, se torne destrutiva? É de se admirar que uma sociedade que venera a primazia da medida, da previsão e do controle leve à destruição do ambiente, à má distribuição de riqueza e poder, à destruição em massa de espécies, ao Holocausto, à bomba de hidrogênio e a inúmeros outros horrores? Como poderia ser diferente, se há séculos nos condicionamos com noções ainda mais poderosas de soluções fabricadas, de dominação, de comportamento forçado e de interesse próprio isolável? Tirania é tirania, por mais trivial, mais bem-racionalizada, mais inconsciente ou mais bem-intencionada que seja. É aquilo a que nos acostumamos há séculos, de milhares de maneiras sutis, dia após dia, mês após mês, ano após ano. Não precisava ser assim, nunca. Não precisa ser assim agora. Não pode ser assim para sempre.”

(extraído do livro “Nascimento da era caórdica”, de Dee Hock, págs. 34 e 35)

Lourdes Vaz Afonso CAOS&ORDEM VI-IX, ( versão II ) Acrílico s.tela, 200x200cm, (4 paineis)

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Caros leitores, minha percepção está em completa consonância com o expresso por Dee Hock no brilhante texto acima: na busca exacerbada pelo controle e pela conformidade de processos, nossas organizações estão roubando das pessoas a alegria e o prazer na execução de seu trabalho e, com isso, estão produzindo e sorvendo o veneno que as vai levar ao único lugar em que poderão alcançar a previsibilidade e o pleno controle que tanto almejam, a MORTE.  Para evitar sua própria queda, faz-se mister que as organizações consigam sufocar dentro de si esta insaciável sede de controle e padronização e que, em seu lugar, façam emergir uma cultura organizacional mais fundamentada na liberdade, na criatividade, na responsabilidade e, sobretudo, na confiança mútua.

abraço e até nosso próximo post,

Marcelo Mello

Repensando nossos sistemas educacionais

Pessoal,

Recentemente tive a oportunidade de assistir a um vídeo fantástico em um post no blog do amigo Marcelão. Neste vídeo, Sir Ken Robinson, pesquisador e educador inglês, faz uma análise muito profunda e pertinente sobre o tipo de educação que estamos oferecendo às nossas crianças e as conseqüências de um modelo educacional que, segundo ele, é generalizado e totalmente ineficiente. Naquela oportunidade, escrevi um post compartilhando algumas reflexões pessoais sobre o tema educação (clique aqui para ler). Marcelo Tas, ator, comediante e jornalista publicou hoje em seu blog um post, também falando sobre a palestra de Sir Ken Robinson e contendo o link para os respectivos vídeos (clique aqui para ler). Entendo que isso demonstra que mais e mais pessoas estão atentando para a necessidade de revisarmos nossos pressupostos e as instituições que construímos baseados neles, se é que realmente esperamos poder enfrentar de forma efetiva os desafios que já se apresentam para nossa humanidade, bem como preparar adequadamente nossas crianças para o futuro que as aguarda.

Neste sentido, também deixo aqui a palestra de Sir Ken Robinson, realizada no TED (18 minutos, dividida em duas partes e com legenda em português), especialmente para aqueles que ainda não tiveram a oportunidade de assisti-la, e espero que ela lhes seja tão valiosa quanto foi para mim.

grande abraço,

Marcelo Mello

Educação: o verdadeiro caminho para a mudança.

Caros amigos,

a palavra do momento é, sem dúvida, MUDANÇA. O mundo todo respira agora em uma atmosfera de esperança de que os graves problemas sociais, econômicos e ambientais sejam superados e que o mundo mude para melhor. Porém, minha opinião é que a mudança da situação atual passa necessariamente por uma mudança de atitude, e mais ainda, por uma reconstrução dos solidificados modelos mentais que regem a atual sociedade global e que tal transformação está longe de ser simples. Mudar nossa forma de enxergar o mundo e, sobretudo, entender nosso papel nele, é algo que requer muita força e dedicação, mas é pré-requisito para que possamos criar um novo modelo de vida para uma humanidade mais sustentável.

Obviamente, precisamos também pensar nas gerações futuras. Como podemos construir a formação de nossas crianças de forma que elas aprendam a colaborar mais que competir, a compartilhar mais  que acumular, a preservar mais que consumir e a tolerar mais que agredir. Sem dúvida, esta mudança passa por uma total e completa revisão de nosso tradicional sistema de educação. Ainda ontem tive a oportunidade de ler um post no blog do Marcelão (clique aqui para ler) que abordava o tema educação. Nele há um vídeo muito interessante de uma palestra de Ken Robinson, professor e pesquisador da área de educação, no qual ele apresenta sua teoria de que as escolas estão matando a criatividade e a capacidade de inovação que são inatas em nossas crianças. Segundo ele, os sistemas educacionais de todo o mundo não valorizam o ensino de disciplinas que fomentem a criatividade dos estudantes focando-se, exclusivamente, na transmissão de conhecimentos tradicionais.

Se observarmos os complexos problemas que temos que enfrentar (crise econômica, aquecimento global, conflitos armados, etc), me parece um pouco ilógico que estejamos formando pessoas pouco capazes de criar e inovar. Me parece absurdo que falemos tanto em mudanças e em transformações sociais e, nossas escolas, sobretudo as públicas, ainda ensinem as mesmas coisas e da mesma maneira que faziam em gerações passadas. Não sei descrever minuciosamente como deveria ser a escola ideal, mas gostaria de compartilhar um poema do imortal Carlos Drummond de Andrade que nos dá uma boa idéia de por onde podemos começar:

“Para Sara, Raquel, Lia e para todas as Crianças”
Carlos Drummond de Andrade

Eu queria uma escola que cultivasse
a curiosidade de aprender
que é em vocês natural.

Eu queria uma escola que educasse
seu corpo e seus movimentos:
que possibilitasse seu crescimento
físico e sadio. Normal

Eu queria uma escola que lhes
ensinasse tudo sobre a natureza,
o ar, a matéria, as plantas, os animais,
seu próprio corpo. Deus.

Mas que ensinasse primeiro pela
observação, pela descoberta,
pela experimentação.

E que dessas coisas lhes ensinasse
não só o conhecer, como também
a aceitar, a amar e preservar.

Eu queria uma escola que lhes
ensinasse tudo sobre a nossa história
e a nossa terra de uma maneira
viva e atraente.

Eu queria uma escola que lhes
ensinasse a usarem bem a nossa língua,
a pensarem e a se expressarem
com clareza.
Eu queria uma escola que lhes
ensinassem a pensar, a raciocinar,
a procurar soluções.

Eu queria uma escola que desde cedo
usasse materiais concretos para que vocês pudessem ir formando
corretamente os conceitos matemáticos, os conceitos de números, as operações… pedrinhas… só porcariinhas!… fazendo vocês aprenderem brincando…

Oh! meu Deus!

Deus que livre vocês de uma escola
em que tenham que copiar pontos.

Deus que livre vocês de decorar
sem entender, nomes, datas, fatos…

Deus que livre vocês de aceitarem
conhecimentos “prontos”,
mediocremente embalados
nos livros didáticos descartáveis.

Deus que livre vocês de ficarem
passivos, ouvindo e repetindo,
repetindo, repetindo…

Eu também queria uma escola
que ensinasse a conviver, a
cooperar,
a respeitar, a esperar, a saber viver
em comunidade, em união.

Que vocês aprendessem
a transformar e criar.

Que lhes desse múltiplos meios de
vocês expressarem cada
sentimento,
cada drama, cada emoção.

Ah! E antes que eu me esqueça:
Deus que livre vocês
de um professor incompetente.

Fonte: http://www.bancodeescola.com/andrade.htm

Acredito que as mudanças que almejamos ver no mundo passam, então, por estes dois estágios: primeiro, mudar nossos modelos mentais e, por conseqüência, nossa forma de atuar, e segundo, repensar nosso sistema educacional para que possamos formar cidadãos mais ativos e conscientes de seu papel na construção de uma humanidade mais próspera e sustentável para todos.

grande abraço,

Marcelo Mello