Minha pergunta a Deus

Ontem, enquanto navegava meio sem rumo pelo mar de conteúdos do YouTube, acabei sendo contemplado com um trecho de uma entrevista do grande escritor paraibano Ariano Suassuna.

Quando indagado se ele acreditava em Deus, prontamente respondeu que sim e explicou que não seria capaz de ver sentido em um mundo com tanta crueldade e dor sem a existência de Deus. Mas o que mais me chamou a atenção foi a citação, ou melhor, a belíssima declamação de um poema que ele utilizou para ilustrar seu raciocínio:

Se eu conversasse com Deus
Iria lhe perguntar:
Por que é que sofremos tanto
Quando viemos pra cá?
Que dívida é essa
Que a gente tem que morrer pra pagar?

Perguntaria também
Como é que ele é feito
Que não dorme, que não come
E assim vive satisfeito.
Por que foi que ele não fez
A gente do mesmo jeito?

Por que existem uns felizes
E outros que sofrem tanto?
Nascemos do mesmo jeito,
Moramos no mesmo canto.
Quem foi temperar o choro
E acabou salgando o pranto?

As perguntas acima, expressas de forma tão sublime pelo poeta Leandro Gomes de Barros, refletem muito fortemente minhas próprias inquietudes acerca de Deus e de seu papel neste mundo. Hoje, não tenho convicção de que Deus seja uma necessidade, contudo, tal qual Ariano, penso que todo o mal e a infindável carga de sofrimento que assolam nossa humanidade colocam em xeque a própria existência de Deus e, sem dúvida alguma, se eu tivesse a oportunidade de com ele conversar, seria esta a natureza dos meus questionamentos.

abraço,

Marcelo Mello

O deus de Espinoza

Baruch Espinoza foi um filósofo racionalista holandês, cuja construção filosófica é considerada uma das mais relevantes da filosofia moderna. Sua concepção de Deus é um dos pilares de todo seu pensamento e foi a razão de boa parte da rejeição e perseguição que sofreu durante sua vida.

Hoje não tenho mais convicção acerca da existência de Deus, contudo, se ele existe, a visão de Espinoza me faz muito mais sentido do que as descrições dogmáticas das teologias religiosas tradicionais.

Eis o deus de Espinoza:

Grande e fraternal abraço,

Marcelo Mello

P.S.: para conhecer um pouco mais sobre o pensamento de Espinoza, recomendo assistir também aos vídeos abaixo:

Perdas

Amigos,

há duas semanas eu e minha família fomos derrotados em uma enorme batalha, e junto com essa batalha perdemos muito mais. Foi embora o sorriso doce, a preocupação por vezes excessiva (própria de quem ama e cuida), a presença constante e aquela mão calejada de tanto trabalhar.

Ficamos sem a voz já cansada, mas sempre pronta para dar um conselho, a atitude firme e aquele comportamento teimoso, não raro acompanhado de uma insistência típica de quem não tem lá muita paciência para esperar.

Perdemos o chão, ficamos sem rumo e sem acreditar direito no que havia ocorrido!

Como consolo restou-nos a crença de que as dores e angústias humanas, que tanto a afligiram, agora já não a alcançam mais e que, de onde ela estiver, continuará a olhar por todos nós com o amor e o cuidado que sempre nos deu.

A música abaixo, do Padre Fábio de Melo, me parece expressar bem o momento que estamos vivendo e espero que também possa nos indicar o caminho para superarmos a dor e o vazio que se instalaram em nossos corações.

Como dizia o sábio escritor José Saramago, “o pior da morte é que antes estavas e agora já não estás mais…”.

Está muito difícil compreendermos e aceitarmos a sua ausência minha amada avó…

Marcelo Mello, saudoso neto de Benedita Alves.