A multiplicação das cotas – artigo de Hélio Schwartsman

Caros amigos,

dia desses li um artigo muito interessante, publicado na Folha de São Paulo, sobre a ampliação dos programas de cotas raciais, o qual quero compartilhar aqui (clique aqui para ler).

Concordo com o autor, não apenas na sua proposição de se utilizar a renda como critério para distribuição das cotas, mas também quanto a inadequação do emprego de tais benefícios como mecanismo reparador das injustiças raciais do passado.

Acrescento ainda a fundamental necessidade de investirmos na construção de um sistema educacional mais efetivo e adequado aos novos tempos, desde a educação fundamental, a fim de garantirmos que todo e qualquer indivíduo que venha a ingressar em uma Universidade tenha condições de cursá-la em sua plenitude.

Abraço,

Marcelo Mello

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Cartas entre amigos – O reconhecimento do não saber é o primeiro passo do aprendizado

Caríssimos,

quero compartilhar com vocês mais um belíssimo trecho do livro Cartas entre amigos, escrito pelo educador Gabriel Chalita e pelo Pe. Fábio de Melo. Essa parte do texto nos fala da importância do ato de reconhecermos nossas fragilidades e nossas ignorâncias como forma de alavancarmos nossa aprendizagem:

“Meu amigo, o reconhecimento da fragilidade requer força. Paradoxal, não é mesmo? Você sabe bem de tudo isso. Sabe porque não é indiferente às fragilidades do mundo. Seu ofício de educador o fez profundo conhecedor dos paradoxos que são próprios da vida. O aluno é o território das contradições, mas isso não é motivo para desestimular o educar – ao contrário. É nesse território de contrários que o mestre desempenhará o seu ofício de endireitar os caminhos. É nesse território tão cheio de mistérios, porque é alteridade, que o educador vai partejar a beleza do conhecimento. Aprender é reconstruir, como tão bem nos sugeriu Piaget. E nesse constante processo de reconstrução o erro tem papel fundamental. Não há educação sem a experiência do erro. O reconhecimento do não saber é o primeiro passo para construção de um conhecimento sólido.

Meu amigo, não sei quem foi que nos desvirtuou assim, para que tivéssemos medo de nossos limites. Desde muito cedo aprendemos a falsear nossos sentimentos. Choros estancados porque não sabíamos ser fracos. Essa lição nos foi omitida. Esqueceram de nos dizer que é bonito saber chorar e que todo soldado, por mais valente e corajoso que seja, sempre terá o direito de chorar e dizer que está com medo. Quiseram nos ensinar o sucesso, mas esqueceram de nos dizer que ele é processual e que as partes que o constituem costumam ser feitas de pequenas derrotas. Mostraram o pódio iluminado, indicaram o primeiro lugar, mas omitiram que, para conquistá-lo, é preciso saber enfrentar o desapontamento de ser o último. Esqueceram de nos dizer que não é nenhum problema a gente reconhecer que não sabe ou que não conseguiu entender.”

Amigos, que possamos aprender a declarar nossos não saberes sem medo ou vergonha, entendendo que esse é o primeiro passo na bela jornada rumo ao conhecimento.

grande abraço,

Marcelo Mello

Repensando nossos sistemas educacionais

Pessoal,

Recentemente tive a oportunidade de assistir a um vídeo fantástico em um post no blog do amigo Marcelão. Neste vídeo, Sir Ken Robinson, pesquisador e educador inglês, faz uma análise muito profunda e pertinente sobre o tipo de educação que estamos oferecendo às nossas crianças e as conseqüências de um modelo educacional que, segundo ele, é generalizado e totalmente ineficiente. Naquela oportunidade, escrevi um post compartilhando algumas reflexões pessoais sobre o tema educação (clique aqui para ler). Marcelo Tas, ator, comediante e jornalista publicou hoje em seu blog um post, também falando sobre a palestra de Sir Ken Robinson e contendo o link para os respectivos vídeos (clique aqui para ler). Entendo que isso demonstra que mais e mais pessoas estão atentando para a necessidade de revisarmos nossos pressupostos e as instituições que construímos baseados neles, se é que realmente esperamos poder enfrentar de forma efetiva os desafios que já se apresentam para nossa humanidade, bem como preparar adequadamente nossas crianças para o futuro que as aguarda.

Neste sentido, também deixo aqui a palestra de Sir Ken Robinson, realizada no TED (18 minutos, dividida em duas partes e com legenda em português), especialmente para aqueles que ainda não tiveram a oportunidade de assisti-la, e espero que ela lhes seja tão valiosa quanto foi para mim.

grande abraço,

Marcelo Mello

Educação: o verdadeiro caminho para a mudança.

Caros amigos,

a palavra do momento é, sem dúvida, MUDANÇA. O mundo todo respira agora em uma atmosfera de esperança de que os graves problemas sociais, econômicos e ambientais sejam superados e que o mundo mude para melhor. Porém, minha opinião é que a mudança da situação atual passa necessariamente por uma mudança de atitude, e mais ainda, por uma reconstrução dos solidificados modelos mentais que regem a atual sociedade global e que tal transformação está longe de ser simples. Mudar nossa forma de enxergar o mundo e, sobretudo, entender nosso papel nele, é algo que requer muita força e dedicação, mas é pré-requisito para que possamos criar um novo modelo de vida para uma humanidade mais sustentável.

Obviamente, precisamos também pensar nas gerações futuras. Como podemos construir a formação de nossas crianças de forma que elas aprendam a colaborar mais que competir, a compartilhar mais  que acumular, a preservar mais que consumir e a tolerar mais que agredir. Sem dúvida, esta mudança passa por uma total e completa revisão de nosso tradicional sistema de educação. Ainda ontem tive a oportunidade de ler um post no blog do Marcelão (clique aqui para ler) que abordava o tema educação. Nele há um vídeo muito interessante de uma palestra de Ken Robinson, professor e pesquisador da área de educação, no qual ele apresenta sua teoria de que as escolas estão matando a criatividade e a capacidade de inovação que são inatas em nossas crianças. Segundo ele, os sistemas educacionais de todo o mundo não valorizam o ensino de disciplinas que fomentem a criatividade dos estudantes focando-se, exclusivamente, na transmissão de conhecimentos tradicionais.

Se observarmos os complexos problemas que temos que enfrentar (crise econômica, aquecimento global, conflitos armados, etc), me parece um pouco ilógico que estejamos formando pessoas pouco capazes de criar e inovar. Me parece absurdo que falemos tanto em mudanças e em transformações sociais e, nossas escolas, sobretudo as públicas, ainda ensinem as mesmas coisas e da mesma maneira que faziam em gerações passadas. Não sei descrever minuciosamente como deveria ser a escola ideal, mas gostaria de compartilhar um poema do imortal Carlos Drummond de Andrade que nos dá uma boa idéia de por onde podemos começar:

“Para Sara, Raquel, Lia e para todas as Crianças”
Carlos Drummond de Andrade

Eu queria uma escola que cultivasse
a curiosidade de aprender
que é em vocês natural.

Eu queria uma escola que educasse
seu corpo e seus movimentos:
que possibilitasse seu crescimento
físico e sadio. Normal

Eu queria uma escola que lhes
ensinasse tudo sobre a natureza,
o ar, a matéria, as plantas, os animais,
seu próprio corpo. Deus.

Mas que ensinasse primeiro pela
observação, pela descoberta,
pela experimentação.

E que dessas coisas lhes ensinasse
não só o conhecer, como também
a aceitar, a amar e preservar.

Eu queria uma escola que lhes
ensinasse tudo sobre a nossa história
e a nossa terra de uma maneira
viva e atraente.

Eu queria uma escola que lhes
ensinasse a usarem bem a nossa língua,
a pensarem e a se expressarem
com clareza.
Eu queria uma escola que lhes
ensinassem a pensar, a raciocinar,
a procurar soluções.

Eu queria uma escola que desde cedo
usasse materiais concretos para que vocês pudessem ir formando
corretamente os conceitos matemáticos, os conceitos de números, as operações… pedrinhas… só porcariinhas!… fazendo vocês aprenderem brincando…

Oh! meu Deus!

Deus que livre vocês de uma escola
em que tenham que copiar pontos.

Deus que livre vocês de decorar
sem entender, nomes, datas, fatos…

Deus que livre vocês de aceitarem
conhecimentos “prontos”,
mediocremente embalados
nos livros didáticos descartáveis.

Deus que livre vocês de ficarem
passivos, ouvindo e repetindo,
repetindo, repetindo…

Eu também queria uma escola
que ensinasse a conviver, a
cooperar,
a respeitar, a esperar, a saber viver
em comunidade, em união.

Que vocês aprendessem
a transformar e criar.

Que lhes desse múltiplos meios de
vocês expressarem cada
sentimento,
cada drama, cada emoção.

Ah! E antes que eu me esqueça:
Deus que livre vocês
de um professor incompetente.

Fonte: http://www.bancodeescola.com/andrade.htm

Acredito que as mudanças que almejamos ver no mundo passam, então, por estes dois estágios: primeiro, mudar nossos modelos mentais e, por conseqüência, nossa forma de atuar, e segundo, repensar nosso sistema educacional para que possamos formar cidadãos mais ativos e conscientes de seu papel na construção de uma humanidade mais próspera e sustentável para todos.

grande abraço,

Marcelo Mello