Como é sua empresa?

Olá amigos,

aproveitando a nova funcionalidade de enquete disponibilizada pelo wordpress, lanço a seguinte pergunta, para a qual conto com a participação de todos:

Grande abraço e participem,

Marcelo Mello

Sua empresa vive!!!

Amigos,

nossas vidas são estruturadas, fundamentalmente, em torno de organizações: trabalhamos, estudamos, nos divertimos, nos voluntariamos e até oramos em organizações dos mais diversos portes e com as mais diversas finalidades. Tais organizações têm uma fortíssima influência sobre nosso dia-a-dia e até mesmo sobre nosso futuro. Contudo, raramente paramos para refletir sobre a natureza das organizações das quais fazemos parte, como elas se comportam, quais são seus valores, sua identidade e sua razão de existir.

Arie de Geus, ex-vice-presidente da Shell, afirma, em sua obra seminal “A empresa viva”, que existem dois tipos de organizações comerciais: aquelas cuja única razão de existir é a maximização do lucro, as quais ele chama de “empresas econômicas” e, de outro lado, as “empresas vivas”, as quais existem para se perpetuar e desenvolver plenamente suas potencialidades. Ao traçar esta dualidade, de Geus apresenta-nos sua visão de que a alternativa para a tradicional abordagem mecanicista que (ainda) governa a maioria de nossas organizações é passarmos a enxergar a empresa como um complexo organismo vivo, constituída por outros complexos organismos vivos e cujo comportamento não pode ser controlado nem tampouco previsto por meio de nossa limitada lógica causa-efeito.

As empresas são vivas porque são feitas de pessoas, seres humanos que possuem inteligência, senso crítico, sentimentos e modelos mentais distintos. Estas pessoas não podem ser tratadas ou usadas com se fossem peças de uma máquina ou objetos descartáveis. Para manterem-se vivas e, principalmente, para desenvolverem-se neste mundo em constante mutação, as organizações precisam adquirir uma série de novas competências: precisam aprender a gerenciar as mudanças, aprender a perceber seu ambiente e os sinais que ele oferece, aprender a promover as conversas que geram conhecimento e fortalecem a confiança mútua, mas sobretudo, precisam aprender a valorizar as pessoas que as compõem, dando a elas a possibilidade de se desenvolverem e se realizarem plenamente, não se limitando apenas a trocar seu tempo por um punhado de dinheiro.

Entendo que não se trata de tarefa trivial viabilizar a plena existência da empresa viva proposta por De Geus, contudo, vejo que este deva ser nosso principal objetivo se desejamos, de fato, que nossas organizações prosperem, se perpetuem e sejam capazes de desenvolver intensamente suas potencialidades.

Grande abraço,

Marcelo Mello

A empresa viva (compartilhando emoções)

Pessoal,

estou concluindo a leitura do livro a Empresa Viva e acabei de me deparar com um trecho que me emocionou verdadeiramente. Eu sempre entendi o capitalismo e as relações econômicas que regem a sociedade contemporânea de uma forma muito pragmática, “as coisas são como são e é óbvio que na guerra do capitalismo haverão baixas, mas estas são parte natural de uma guerra” pensava eu no auge de minha limitada análise de causa-efeito. Contudo, fazer parte do programa de Mestrado, e mais especialmente da disciplina de APO, tem ampliado significativamente minha capacidade de visão e de reflexão, fazendo-me perceber que, na complexidade que rege nossas vidas e nossas relações sociais, residem muitos outros fatores que são solenemente ignorados pela lógica mecanicista e cruel que governa nossa sociedade (e moldava meus modelos mentais até então). Dentre tais fatores, entendo que o mais fundamental é nossa humanidade, nossa capacidade de realizarmos plenamente nossa natureza de seres sociais e que precisam viver em coletividade. Por tudo isso, acredito, o trecho da obra Arie de Geus, o qual transcrevo abaixo, tenha tocado tão forte em meu coração:

” Veja as cidades usineiras da Nova Inglaterra, ou as conseqüências das indústrias agonizantes na região das Midlands, no Reino Unido. Em plena Grande Depressão, sessenta anos atrás, o escritor inglês J.B. Priestley formulou a necessidade de continuidade dos negócios, conforme reproduzido abaixo de seu English Journey:

O setor teve de ser ‘racionalizado’; e a National Shipbuilders’ Security Ltd. procedeu à compra e posterior fechamento dos então chamados estaleiros ‘redundantes’… Stockton e o restante se tornaram inúteis como centros para novas empresas. Foram relegadas à decadência. E isso talvez não tivesse importado muito, porque os tijolos daquelas cidadezinhas não são sagrados, salvo por um único fato. Há pessoas vivendo nesses lugares relegados à decadência. Algumas dessas pessoas também estão decaindo e definhando.
Parece que essas pessoas foram esquecidas; ou talvez equivocadamente tomadas por pedaços de velhos maquinários, lá deixados enferrujando até virar pó… Você pode fazer um belo trabalho ao declarar os estaleiros de Stockton ‘redundantes’, mas não pode fingir que todos aqueles homens que trabalhavam naqueles estaleiros também sejam meramente ‘redundantes’… O planejamento não levou em conta o único item que realmente importa – as pessoas.”
(GEUS, 1998)

Abraço a todos,

Marcelo Mello

GEUS, Arie de. A empresa viva: como as organizações podem aprender a
prosperar e se perpetuar. Rio de Janeiro: Campus, 1998. 212 p.