As competências conversacionais a serviço do Gerenciamento de Projetos

Caríssimos amigos,

a mais recente edição da revista Mundo Project Management (Ago/Set 2010) traz, entre seus destaques, um artigo escrito pelo Prof. Dr. Gentil Lucena, detentor de um currículo invejável e de uma longa e mui frutífera trajetória como pesquisador nas áreas de coaching, gestão do conhecimento, aprendizagem organizacional e, sobretudo, competências conversacionais. Essa verdadeira personalidade, conhecida nacional e internacionalmente (e que me concedeu o incomensurável privilégio de ser o orientador da minha Dissertação de Mestrado no programa em Gestão do Conhecimento e de TI da Universidade Católica de Brasília), escreveu um artigo fantástico, demonstrando como as competências conversacionais são, de fato, a tecnologia social que constitui e impulsiona as organizações e seus projetos.

Utilizando um referencial teórico extremamente consistente, bem como uma efetiva análise prática do cenário organizacional, o artigo caracteriza as próprias organizações (e os projetos) como “redes dinâmicas de conversações” e demonstra que tanto a Gestão, de forma geral, quanto, mais especificamente, a Gestão do Conhecimento e a Gestão de Projetos podem ser vistas como formas de gestão de processos conversacionais.

“… para assegurar processos efetivos, eficazes e eficientes, é necessário avaliar também a maneira como distintos trabalhos individuais se coordenam e reconhecer que essa coordenação de ações é um processo tipicamente conversacional. Pessoas coordenam trabalhos individuais conversando! Esse fenômeno tem sido reconhecidamente assinalado na literatura como uma das áreas de maior potencial para elevar o desempenho das organizações.”

O autor discorre ainda sobre várias distinções relativas às conversações, demonstrando o quão vasto é o território a ser explorado em torno desse tema e, por fim, conclui afirmando que não há que se pensar em bons projetos sem a presença das competências conversacionais.

Vale muito a pena comprar a revista Mundo PM e curtir na íntegra este belíssimo artigo, além de vários outros textos muito úteis sobre Gestão de Projetos.

Hoje não tenho nenhuma dúvida acerca do enorme potencial das conversas nas organizações e na vida, como um todo. É por meio das conversas que moldamos e concretizamos o nosso futuro e é por meio delas que nos constituímos nos seres que somos. Foi essa crença que me levou a eleger as Competências Conversacionais como tema de minha dissertação, buscando investigar sua relação com outro aspecto crucial para as organizações: a liderança.

Espero, com a ajuda do Prof. Gentil e de vários outros membros do recém constituído LABCON (Laboratório de Conversas da Universidade Católica de Brasília), contribuir para o avanço das pesquisas sobre as conversas e seus impactos na vida das organizações.

grande abraço e boa leitura,

Marcelo Mello

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As conversas e a nova economia

Caríssimos,

dando sequência a meus estudos para confecção de minha dissertação, me deparei com uma frase de Alan Webber que caracteriza muito bem o fundamental papel das conversações na construção de um futuro que queremos fazer emergir:

“Na nova economia, administrar exige não apenas uma mudança de programas, mas mudança de atitude mental… as conversações são o modo pelo qual os trabalhadores descobrem o que sabem, compartilham-no com seus colegas e, no processo, criam novo conhecimento para a organização. Na nova economia, as conversações são a forma mais importante de trabalho.”

Alan Webber (1993),

“What’s so new about the new economy?”

Harvard Business Review

Cada vez mais vejo ganhar força em mim a convicção de que também a liderança pode ser melhor edificada por meio das conversas, sobretudo se essa liderança for compartilhada entre todos aqueles que, de uma forma ou de outra, podem e querem contribuir para o avanço de suas organizações, independentemente de sua posição hierárquica.

grande abraço,

Marcelo Mello

Uma excelente definição para a Gestão do Conhecimento

Amigos,

nesta manhã tive acesso, via twitter, a um post muito interessante que propõe uma definição para o que vem a ser a Gestão do Conhecimento (clique aqui para ver o post original). Meu juízo é de que se trata de uma definição bastante adequada e aplicável às organizações que estiverem dispostas a romper com o velho modelo do “comando e controle” e investir em abordagens mais efetivas no complexo contexto atual. Eis o que diz a referida definição:

Knowledge Management is “anything an organisation can do to create an environment in which employees are seduced to deal intelligently with their own knowledge and the knowledge of others in order to achieve their individual and collective actions”

Gestão do Conhecimento é “qualquer coisa que uma organização possa fazer para criar um ambiente no qual os funcionários são seduzidos a tratar de forma inteligente com seus próprios conhecimentos e com os conhecimentos dos outros a fim de serem bem sucedidos em suas ações individuais e coletivas”

tradução livre deste blogueiro

Creio que o ponto alto da definição acima esteja na indicação de que a Gestão do Conhecimento é constituída por toda e qualquer ação que fomente a construção e a utilização mais efetiva do conhecimento, tanto no nível individual quanto no aspecto coletivo. Para se começar a fazer GC em uma organização não se faz necessária a existência de um enorme aparato de processos e ferramentas, apesar destes terem sua utilidade, mas o fundamental é que haja o real comprometimento com o desenvolvimento das pessoas e das equipes de que elas fazem parte, e o entendimento de que tal desenvolvimento somente será possível se essas pessoas interagirem em um ambiente favorável.

grande abraço,

Marcelo Mello

A gestão do conhecimento não tem nada de abstrato

Caros amigos,

escrevo este post para compartilhar com vocês a satisfação de ter publicado um artigo de minha autoria no portal de Gestão do Conhecimento KMOL de Portugal. Trata-se de um texto que tem por objetivo expor uma contraposição à visão de que a Gestão do Conhecimento é um tema abstrato e pouco relacionado à “realidade” das organizações, buscando demonstrar sua importância em um mundo em profunda transformação e que requer das pessoas e das organizações novas e complexas competências. Segue abaixo o link para o referido artigo:

http://kmol.online.pt/artigos/2010/02/01/gc-nao-tem-nada-de-abstrato

Espero que esse texto possa lhes ser útil e aguardo pelos seus comentários aqui ou no próprio portal KMOL.

Grande abraço,

Marcelo Mello

Oficina de OKA – Parte 2

Olá amigos,

estou de volta para compartilhar com vocês minha percepção sobre o segundo e último dia da oficina “Diagnosticando a Gestão do Conhecimento nas Organizações Públicas utilizando o método OKA – Organizational Knowledge Assessment”, então vamos lá:

O evento teve seu reinício às 08:00 hs da manhã com a retomada do preenchimento do questionário do OKA no laboratório. A ideia era que os participantes passassem por todas as questões a fim de conhecer completamente o instrumento, bem como identificar pontos de melhoria nas perguntas e/ou no software SYSOKA.

Na sequência, o prof. Fresneda apresentou-nos o Portal das Comunidades Virtuais do Governo Federal (http://catir.softwarepublico.gov.br/), ambiente colaborativo utilizado por diversos órgãos da administração federal para a promoção da colaboração e da interatividade entre os servidores e no qual já existe uma comunidade para congregar os interessados no desenvolvimento e promoção do método OKA. Após essa apresentação, a profa. Maria de Fátima fez um breve relato sobre suas experiências com a aplicação do método OKA em algumas organizações públicas, enfatizando o que ela considera ser um dos principais pontos de atenção, a seleção das pessoas que irão responder ao questionário. Segundo ela, essa amostra tem de representar todo o organograma da instituição objeto do diagnóstico a fim de que os resultados possam, de fato, traduzir a visão da organização como um todo.

Após o almoço, retomamos o evento com uma apresentação do meu colega mestrando Renato Camões que está trabalhando sob a orientação do prof. Fresneda na proposta de um método de aplicação do OKA. Ele apresentou os resultados de seu trabalho até aqui e pediu o apoio de todos os participantes no sentido de buscar aplicar o OKA em suas organizações, fornecendo assim subsídios para o seu trabalho.

Encaminhando-se para o fim da oficina, o prof. Fresneda conduziu um brainstorm com a turma acerca das seguintes questões:

  1. Quais são os principais benefícios identificados na aplicação do método OKA?
  2. Quais são os principais fatores dificultadores na aplicação do método OKA?
  3. Que sugestões vocês têm para “turbinar” o item 1 e minimizar o item 2?

Além das questões acima, Fresneda também instigou-nos a refletir sobre o que ele chama de “Day after“, ou seja, sobre que ações práticas pretendemos adotar em nossas organizações após esse treinamento. A conversa foi bastante efetiva e várias pessoas declararam que irão envidar esforços para aplicar o método em suas instituições, alguns em equipes menores (como piloto) e outros no âmbito de toda a organização.

Por fim, houve a entrega dos certificados de participação e findou-se o evento.

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Minha avaliação sobre o evento é bastante positiva. Entendo que a oficina foi muito bem organizada, tanto em seus aspectos pedagógicos quanto em relação à sua estrutura. Creio ainda que trata-se de uma iniciativa ímpar para a disseminação e fomento da GC no âmbito público e que as pessoas que estão conduzindo tal atividade merecem, sem dúvida alguma, a denominação de Ativistas do Conhecimento.

Quanto ao método OKA, minha percepção é de que trata-se de algo em construção, mas com enormes potencialidades e várias possibilidades imediatas. Se é verdade que ainda há muito o que melhorar, é igualmente verdadeiro que muito já foi feito e que o método hoje já oferece vantagens concretas para quem se dispõe a utilizá-lo, dentre elas a condição de diagnosticar o ponto em que se encontram a organização e seus membros em relação aos processos de GC.

Particularmente, minha intenção é aplicar o método no âmbito da minha equipe de trabalho, em caráter de piloto, a fim de obter alguns resultados que possam auxiliar na “venda” da ideia para os escalões superiores.

Bem, acho que é só. Um grande abraço e um excelente fim de semana a todos,

Marcelo Mello

Oficina de OKA – Parte 1

Caros amigos,

nestes dias 22 e 23 de outubro estou participando aqui em Brasília da 3a. edição da Oficina “Diagnosticando a Gestão do Conhecimento nas Organizações Públicas utilizando o método OKA – Organizational Knowledge Assessment”, promovido pelo Comitê Executivo da Gestão do Conhecimento e da Informação Estratégica (CT-GCIE) e pela Escola Nacional de Administração Pública (ENAP). Trata-se de um evento que visa promover e disseminar conhecimentos acerca do método OKA, o qual foi concebido na década de 90 pelo Banco Mundial nos Estados Unidos e que se propõe a ser uma ferramenta para o diagnóstico da Gestão do Conhecimento nas organizações. O foco deste evento são as organizações públicas, mas os conceitos apresentados se aplicam, de maneira geral, também às empresas privadas. Eis um breve resumo do primeiro dia da oficina:

O evento que teve início aproximadamente às 08:30hs tem a condução do Prof. Dr. Paulo Fresneda, pesquisador da Embrapa e professor do Programa de Mestrado em Gestão do Conhecimento e Gestão de TI da Universidade Católica de Brasília – UCB, além de Marcos Papa e Renato Camões, respectivamente Mestre e Mestrando em Gestão do Conhecimento pela UCB. Participam ainda como convidados especiais desta edição o Sr. Heitor José Pereira, presidente da SBGC – Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento – e a Sra. Maria de Fátima Peregrino Torres, presidente do pólo Pernambuco da SBGC e pesquisadora do método OKA.

Durante a parte da manhã, o Prof. Fresneda apresentou conceitos introdutórios sobre Gestão do Conhecimento, bem como realizou uma breve explanação sobre o histórico e sobre a atual situação das iniciativas de GC na esfera do Governo Federal. Ocorreram várias trocas de idéias entre os participantes e as conversas foram pautadas principalmente pelas sérias dificuldades existentes na esfera pública para o avanço das políticas e práticas efetivas de GC, como por exemplo a injustificada demora para aprovação da Política Nacional de Gestão do Conhecimento.

Após o almoço, o Sr. Marcos Papa introduziu o método OKA e o software, criado no âmbito do Programa de Mestrado da UCB, chamado SYSOKA que tem por objetivo automatizar o processo de aplicação do questionário que compõe o método e reforçou aquilo que já havia sido dito pela manhã: que o OKA é um método ainda em construção e que sua evolução deve ocorrer por meio de seu uso e, para ilustrar essa ideia, foi exibido esse interessante vídeo:

Na sequência nós nos dirigimos para um laboratório onde iniciamos a parte “hand-on” da oficina, na qual tivemos a oportunidade de utilizar o SYSOKA e conhecer suas funcionalidades. Durante o restante da tarde ficamos simulando o preenchimento do questionário de 199 perguntas que compõe o método por meio da ferramenta SYSOKA.

É isso aí, por hoje é só. Amanhã volto para compartilhar minhas impressões sobre o segundo dia do evento e fazer uma avaliação final da oficina e de como eu percebo o método OKA.

Grande abraço e até amanhã,

Marcelo Mello