Metamanagement – Resolução de conflitos

Caríssimos,

em minha dissertação estou realizando uma ampla revisão bibliográfica sobre a relação entre a Liderança Compartilhada e as Competências conversacionais. Uma dessas competências é a resolução de conflitos.

Kofman (2002, v.2, p.139) afirma que “ser humano implica ter conflitos” e que assim é porque “não conseguimos escapar de nossas necessidades, medos, egoísmos e aborrecimentos.” Ainda segundo esse autor, cuja obra é um dos pilares do meu trabalho, “é impossível escolher se teremos ou não conflitos; só podemos escolher como responder aos conflitos.”

Sobre essa interessante e fundamental competência conversacional, compartilho ainda este belo trecho de autoria de Clark Moustakas, também extraído do livro Metamanagent de Fredy Kofman:

“Em toda disputa criativa, as pessoas que participam estão conscientes da total legitimidade do outro. Nenhuma delas perde de vista o fato de que estão buscando expressar a verdade, tal como a vêem. De modo algum isso apequena as pessoas. Tal confrontação, numa atmosfera saudável de amor e vínculo genuíno, permite que cada indivíduo mantenha um senso digno de si mesmo, cresça autenticamente por meio de uma comunicação real com os outros e descubra o valor da simplicidade direta nas relações.

Clark Moustakas, extraído do livro

Metamanagement de Fredy Kofman.

 

grande abraço,

 

Marcelo Mello (diretamente do Paraná)

As pessoas, sempre as pessoas

“Os temas não humanísticos, tais como as estatísticas, os diagramas de fluxo, as finanças ou a alta tecnologia, são essenciais para administrar uma empresa bem-sucedida, mas as empresas não quebram por falta desse conhecimento tecnológico: seu fracasso tem a ver com as pessoas. As empresas que quebram parecem incapazes de aprender que as pessoas deixam de operar com efetividade não por serem incompetentes nos aspectos técnicos de suas tarefas, mas sim pela forma como são tratadas pelos demais e como elas tratam os demais.”

William Glasser,

extraído do livro “Metamanagement” de Fredy Kofman, Vol. 1, pág. 283.

Os modelos mentais e os fantasmas de cada um

John: Papai, é ingenuidade acreditar em fantasmas?

Pirsig: Você não acredita em fantasmas, não é?

John: Não.

Pirsig: Nem eu. Falta-lhes matéria e eles não têm energia. Portanto, segundo as leis da ciência, eles só existem na mente das pessoas.

John: É.

Pirsig: Claro que as leis da ciência não contêm matéria nem energia e, portanto, elas só existem na mente das pessoas. É melhor ser completamente científico, sobretudo neste assunto, e se negar a crer tanto nos fantasmas quanto nas leis da ciência. Dessa maneira, você não corre riscos.

John: Ora, papai…

Pirsig: Não estou brincando. Tomemos o exemplo da lei da gravidade. Parece natural acreditar que a lei da gravidade existia antes de Newton. Seria insano pensar que até o século dezessete não havia gravidade.

John: Claro.

Pirsig: Então, quando começou a existir essa lei?

John: Não entendi.

Pirsig: O que eu quero saber é se você acredita que antes do começo da Terra, antes da formação do Sol e das estrelas, antes ainda do Big Bang, a lei da gravidade já existia?

John: Acho que sim.

Pirsig: Esta ali, sem massa nem energia, sem estar na mente de ninguém porque ninguém existia, nem no espaço porque tampouco existia espaço, nem em parte alguma. Existia, de todo modo, essa lei da gravidade?

John: Bom, não estou assim tão certo.

Pirsig: Se a lei da gravidade existia, honestamente não sei o que teria de fazer uma coisa para não existir. A lei da gravidade passa por todas as provas de inexistência havidas e por haver. Não consigo pensar em uma só condição de inexistência que essa lei não satisfizesse, ou uma condição de existência que ela satisfizesse. E você, no entanto, pensa que ela existia.

John: Eu teria que pensar um pouco mais no assunto.

Pirsig: Se você pensar, var dar voltas e mais voltas, até chegar à única conclusão racional e inteligente possível: a lei da gravidade não existia antes de Isaac Newton. Nenhuma outra conclusão faz sentido. E o que isso significa é que a lei da gravidade não existe em parte alguma… exceto na cabeça das pessoas! Ela é um fantasma! Somos rápidos quando se trata de destruir os fantasmas das outras pessoas. Acreditamos que elas são ignorantes, bárbaras e supersticiosas. Mas nós mesmos somos igualmente ignorantes, bárbaros e supersticiosos com relação aos nossos próprios fantasmas.

Robert Pirsig em “El arte del mantenimiento de la motocicleta”.

Extraído do livro “Metamanagement” de Fredy Kofman (págs. 245 – 246)

 

Que possamos aprender a reconhecer e nos mantermos conscientes acerca de nossos modelos mentais, questionando-os e revisando-os sempre que necessário.

 

Grande abraço,

 

Marcelo Mello

Efetividade na resolução de problemas

“Os que resolvem com êxito os problemas têm uma orientação sistêmica, estão focados em um propósito visionário, toleram a ambiguidade, incorporam a participação dos outros, pensam de maneira criativa e sabem manejar a informação subjetiva. Por outro lado, 90% dos executivos se dedicam a dissecar os problemas de maneira analítica, estão orientados para corrigir erros, rechaçam a ambiguidade, preferem trabalhar sozinhos, enfatizam técnicas mecanicistas e usam apenas dados objetivos…”

Frase de Gerald Nadier e Shozo Hibino, extraída do livro Metamanagement (Vol. I) de Fredy Kofman (Pág. 203)