Perdas

Amigos,

há duas semanas eu e minha família fomos derrotados em uma enorme batalha, e junto com essa batalha perdemos muito mais. Foi embora o sorriso doce, a preocupação por vezes excessiva (própria de quem ama e cuida), a presença constante e aquela mão calejada de tanto trabalhar.

Ficamos sem a voz já cansada, mas sempre pronta para dar um conselho, a atitude firme e aquele comportamento teimoso, não raro acompanhado de uma insistência típica de quem não tem lá muita paciência para esperar.

Perdemos o chão, ficamos sem rumo e sem acreditar direito no que havia ocorrido!

Como consolo restou-nos a crença de que as dores e angústias humanas, que tanto a afligiram, agora já não a alcançam mais e que, de onde ela estiver, continuará a olhar por todos nós com o amor e o cuidado que sempre nos deu.

A música abaixo, do Padre Fábio de Melo, me parece expressar bem o momento que estamos vivendo e espero que também possa nos indicar o caminho para superarmos a dor e o vazio que se instalaram em nossos corações.

Como dizia o sábio escritor José Saramago, “o pior da morte é que antes estavas e agora já não estás mais…”.

Está muito difícil compreendermos e aceitarmos a sua ausência minha amada avó…

Marcelo Mello, saudoso neto de Benedita Alves.

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Cartas entre amigos – Sobre sucessos e fracassos

Amigos,

compartilho um fragmento de texto que dispensa comentários:

“Meu amigo, não sei quem foi que nos desvirtuou assim para que tivéssemos medo de nossos limites. Desde muito cedo aprendemos a falsear nossos sentimentos. Choros estancados porque não sabíamos ser fracos. Essa lição nos foi omitida. Esqueceram de nos dizer que é bonito saber chorar e que todo soldado, por mais valente e corajoso que seja, sempre terá o direito de chorar e dizer que está com medo. Quiseram nos ensinar o sucesso, mas esqueceram de nos dizer que ele é processual e que as partes que o constituem costumam ser feitas de pequenas derrotas. Mostraram o pódio iluminado, indicaram o primeiro lugar, mas omitiram que, para conquistá-lo, é preciso saber enfrentar o desapontamento de ser o último. Esqueceram de nos dizer que não é nenhum problema a gente reconhecer que não sabe ou que não conseguiu entender.”

trecho de uma das cartas escritas por Pe. Fábio para Gabriel Chalita, retirado do livro “Cartas entre amigos – sobre medos contemporâneos”

grande abraço,

Marcelo Mello

Cartas entre amigos – O reconhecimento do não saber é o primeiro passo do aprendizado

Caríssimos,

quero compartilhar com vocês mais um belíssimo trecho do livro Cartas entre amigos, escrito pelo educador Gabriel Chalita e pelo Pe. Fábio de Melo. Essa parte do texto nos fala da importância do ato de reconhecermos nossas fragilidades e nossas ignorâncias como forma de alavancarmos nossa aprendizagem:

“Meu amigo, o reconhecimento da fragilidade requer força. Paradoxal, não é mesmo? Você sabe bem de tudo isso. Sabe porque não é indiferente às fragilidades do mundo. Seu ofício de educador o fez profundo conhecedor dos paradoxos que são próprios da vida. O aluno é o território das contradições, mas isso não é motivo para desestimular o educar – ao contrário. É nesse território de contrários que o mestre desempenhará o seu ofício de endireitar os caminhos. É nesse território tão cheio de mistérios, porque é alteridade, que o educador vai partejar a beleza do conhecimento. Aprender é reconstruir, como tão bem nos sugeriu Piaget. E nesse constante processo de reconstrução o erro tem papel fundamental. Não há educação sem a experiência do erro. O reconhecimento do não saber é o primeiro passo para construção de um conhecimento sólido.

Meu amigo, não sei quem foi que nos desvirtuou assim, para que tivéssemos medo de nossos limites. Desde muito cedo aprendemos a falsear nossos sentimentos. Choros estancados porque não sabíamos ser fracos. Essa lição nos foi omitida. Esqueceram de nos dizer que é bonito saber chorar e que todo soldado, por mais valente e corajoso que seja, sempre terá o direito de chorar e dizer que está com medo. Quiseram nos ensinar o sucesso, mas esqueceram de nos dizer que ele é processual e que as partes que o constituem costumam ser feitas de pequenas derrotas. Mostraram o pódio iluminado, indicaram o primeiro lugar, mas omitiram que, para conquistá-lo, é preciso saber enfrentar o desapontamento de ser o último. Esqueceram de nos dizer que não é nenhum problema a gente reconhecer que não sabe ou que não conseguiu entender.”

Amigos, que possamos aprender a declarar nossos não saberes sem medo ou vergonha, entendendo que esse é o primeiro passo na bela jornada rumo ao conhecimento.

grande abraço,

Marcelo Mello

Cartas entre amigos – O desafio de sermos quem realmente somos

“Mudamos, amigo, mudamos o tempo todo. Mas quem somos nós? Quem é você? Quem sou eu? O que fazemos aqui? Por que viajamos juntos nessa jornada? O que podemos emprestar um ao outro? O que podemos ensinar e aprender? Que medos temos? Temos coragem de revelá-los? Se posarmos de príncipes talvez tenhamos pouco a acrescentar um ao outro. Nossa majestade será um obstáculo na amizade. Mas se nos mostrarmos humanos, se retirarmos as máscaras ou as sandálias da sua primeira carta, pisaremos em solo sagrado e contemplaremos a face sagrada da nossa essência. Nossos erros, nossas agruras, não nos fazem menos belos. Ao contrário, dão sopro vital à escultura que fingimos ser.”

extraído do livro “Cartas entre amigos” de Pr. Fábio de Melo e Gabriel Chalita

“Ser exatamente você mesmo – em um mundo que está fazendo seu melhor, noite e dia, para fazer de você alguém diferente – significa enfrentar a mais dura batalha que um ser humano pode lutar; e nunca parar de lutá-la”. (E. E. Cummings)