As pessoas, sempre as pessoas

“Os temas não humanísticos, tais como as estatísticas, os diagramas de fluxo, as finanças ou a alta tecnologia, são essenciais para administrar uma empresa bem-sucedida, mas as empresas não quebram por falta desse conhecimento tecnológico: seu fracasso tem a ver com as pessoas. As empresas que quebram parecem incapazes de aprender que as pessoas deixam de operar com efetividade não por serem incompetentes nos aspectos técnicos de suas tarefas, mas sim pela forma como são tratadas pelos demais e como elas tratam os demais.”

William Glasser,

extraído do livro “Metamanagement” de Fredy Kofman, Vol. 1, pág. 283.

Empresa = Pessoa, por Gary Hamel, direto da revista HSM

Caríssimos,

primeiramente desculpem-me pelo longo tempo ausente deste espaço de criação e compartilhamento de conhecimento. A minha dissertação de mestrado tem me demandado substancial atenção e energia e o tempo acaba escapando mais rapidamente do que eu gostaria. De qualquer forma, aqui estou para compartilhar, sempre compartilhar…
Acabei de assinar a revista HSM Management e estou desfrutando da edição do bimestre Março/Abril. Já de início me deparei com uma entrevista de Gary Hamel, um dos pensadores de negócio mais influentes do mundo, autor do best-seller “O futuro da Administração” e professor de Gestão de Estratégia da London Business School, na qual ele fala com extrema propriedade sobre gestão na era da criatividade. Entre tantas afirmações inspiradoras, compartilho os dois trechos que mais me impactaram:

Se observarmos uma empresa como a Apple, por exemplo, o que você acha que mais importa para quem trabalha lá? Suas perguntas são assim: “Como unir a arte e tecnologia em algo que as pessoas adorem?” ou “Como construir uma empresa que mostre nossa paixão por construir coisas belas?”. E se prestarmos atenção à Whole Foods, veremos eles se perguntando: “Como fazer algo que reflita a profundidade do ser humano?” ou “Como eu construo uma empresa na qual você possa confiar?”. Essas pessoas jurídicas fazem perguntas de pessoas físicas, percebe? Agora, a maioria das empresas levanta uma questão bem diferente: “Como me certificar de que estou sendo zeloso, eficiente e operando com baixos custos?”. Nem todo mundo é o Steve Jobs, claro; ele é um em um milhão! Mas você não precisa ser. Precisa apenas humanizar o negócio.

—————————————–

Se pretendem vencer no futuro, as organizações têm de encontrar maneiras de energizar as pessoas, para que não apliquem no trabalho apenas suas capacidades, mas também sua paixão e iniciativa. E o que lhes infunde esse compromisso mais profundo? A resposta certa é “alguma causa”, um objetivo maior do que o de fazer dinheiro, maior do que interesses individuais.

Gente ainda precisa encontrar sentido para as coisas – sempre precisará. O ser humano é assim, não adianta ignorar essa característica. Aliás, outras características humanas que não devem ser ignoradas são o desejo de ter alguma autonomia e o desejo de pertencer a uma comunidade, pequena, onde exista confiança.

A empresa deve estar comprometida com um propósito valioso. Foi o que disse Jack Welch recentemente, com uns 20 anos de atraso. Esse ícone da gestão admitiu publicamente que maximizar a riqueza do acionista como motivação primária é uma ideia estúpida. E ele tem razão.

extraído da revista HSM Management, edição Março/Abril 2010

Meus amigos, de fato nem todos são Steve Jobs ou Gary Hamel, mas o que importa é que é preciso apenas humanizar o negócio. É preciso apenas reconhecer o óbvio: que os negócios são construídos, mantidos, influenciados e fomentados por pessoas, seres humanos constituídos de uma complexa e mutante relação entre razão e emoção. Quando o fizermos, conseguiremos avançar significativamente rumo a concretização de um futuro que anseia por emergir.

grande abraço,

Marcelo Mello

Metamanagement – A necessidade de se olhar para o interior das pessoas

“Primeiro, deves ser uma boa pessoa e ter um forte senso de identidade. Imediatamente depois, todas as forças do mundo se tranformam em ferramentas para os teus propósitos. Em seguida, elas deixam de ser forças causadoras, determinantes e formadoras e se convertem em instrumentos que utilizas para teus desejos. O mesmo é verdade para o dinheiro. Nas mãos de uma pessoa forte e boa, o dinheiro é uma grande bênção. Mas, nas mãos de pessoas fracas ou imaturas, o dinheiro é um terrível perigo e pode destruir a elas e a todos os que estão à sua volta. O mesmo princípio é verdadeiro para o poder, tanto sobre as coisas como sobre outras pessoas. Nas mãos de um ser humano são e amadurecido – que tenha alcançado completa humanidade – o poder, como o dinheiro ou qualquer outro instrumento, é uma grande bênção. Mas, nas mãos da pessoa imatura, viciosa ou emocionalmente enferma, o poder é um perigo terrível”.

Abraham Maslow,

citado por Fredy Kofman em seu livro “Metamanagement”, págs. 86 e 87.