Caracterizando a liderança VI – Peter Senge e a construção coletiva do futuro

Amigos,

compartilho hoje com vocês um vídeo no qual Peter Senge reforça sua visão sobre a Liderança, visão essa que já compartilhei aqui em um post anterior (clique aqui para ler).

Senge destaca dois aspectos inerentes à Liderança: sua natureza coletiva e sua capacidade de moldar o futuro.

atualização (24/03/2014): o vídeo não está mais disponível no Youtube. Para assistí-lo, acesse o link http://www.wobi.com/wbftv/peter-senge-my-definition-leadership (é necessário se cadastrar)

Grande abraço,

Marcelo Mello

Resenha do livro “Sincronicidade, o caminho interior para a liderança” de Joseph Jaworski

Caríssimos,

Durante a fascinante jornada do meu Mestrado e, sobretudo, da construção da minha dissertação, me deparei com muitos livros e artigos profundamente interessantes e inspiradores e, certamente, um dos que mais me influenciou foi o livro “Sincronicidade, o caminho interior para a liderança” de Joseph Jaworski.

Eu já havia tido contato com as idéia de Jaworski quando li o instigante livro “Presença”, escrito por ele, Peter Senge, Betty Sue Flowers e Otto Scharmer (obra sobre a qual oportunamente escreverei por aqui). Aliás, “Sincronicidade” já começa com uma brilhante introdução escrita por Peter Senge, na qual ele afirma, entre outras coisas, que este livro é leitura obrigatória para qualquer pessoa que leve a liderança a sério. Senge apresenta ainda seu entendimento de que vivemos em um mundo de possibilidades e que é necessário substituir os tradicionais e rígidos modelos mentais mecânico-newtonianos por uma visão de mundo que privilegie o comprometimento e o protagonismo para com a vida. É neste contexto que Senge introduz o termo Sincronicidade, apresentando-o como um resultado de uma nova forma de pensar sobre a vida e seus fenômenos.

Para conceituar o que vem a ser a Sincronicidade, Jaworki recorre às idéias de  C. Jung em sua clássica obra “Sinchronicity: An Acausal Connecting Principle”, na qual o autor define a sincronicidade como “uma coincidência significativa de dois ou mais eventos em que algo mais do que a probabilidade do acaso está envolvida”. O livro de Jaworki explora as distinções e conceitos relacionados à Sincronicidade no contexto de sua própria história de vida, iniciando por sua bem sucedida (porém carente de significado) carreira de advogado, passando pelo quiebre de seu divórcio do primeiro casamento e descrevendo então a profunda jornada de auto-conhecimento e transformação de seus modelos mentais que o levaram a “jogar tudo para o alto” e seguir em busca da construção e consolidação do American Leadership Forum, sua contribuição para o futuro que, como ele veio a descobrir, ansiava por emergir.

Ao longo de sua jornada, Jaworki relata alguns encontros “mágicos” (pontuados como evidências da Sincronicidade) com pessoas que o ajudaram e inspiraram na compreensão e concretização de sua missão. Dentre tais encontros, ele destaca suas conversas com David Bohm, John Gardner e Francisco Varela, as quais foram poderosas forças catalisadoras para a continuidade do seu trabalho.

Jaworski apresenta também o que ele chama de armadilhas, ou nas suas próprias palavras, “qualquer coisa que cause um retrocesso à velha forma de pensar e agir, retardando assim nosso desenvolvimento como parte do processo generativo em desdobramento”.

A primeira armadilha é a da Responsabilidade, a qual nos leva a sentirmo-nos responsáveis por tudo e por todos que estão envolvidos em nossos projetos, ou seja, trata-se de uma supervalorização do nosso papel no processo em curso. Esse senso de responsabilidade excessiva acaba por afetar nossa produtividade e limitar nossa capacidade de atuação.

A segunda armadilha identificada pelo autor é a da Dependência, a qual nos leva a acreditarmos que todo o processo depende de algumas pessoas ou processos-chave e que se esses elementos não estiverem presentes, tudo estará perdido. Para superar essa armadilha, Jaworski afirma que é preciso focar no resultado e não ficar preso a nenhum processo ou pessoa em particular para alcançá-lo, ou seja, é preciso ter flexibilidade diante dos obstáculos. Ele afirma ainda que tanto a armadilha da responsabilidade quanto a da dependência surgem a partir do medo de não haverem alternativas. Todavia, sempre existem alternativas, nós é que, muitas vezes, não somos capazes de enxergá-las.

Jaworski apresenta ainda uma terceira armadilha, a da hiperatividade. Essa armadilha consiste no risco de nos perdermos em meio ao grande volume de atividades e compromissos gerados pelo processo que estamos conduzindo e, dessa forma, nos desconectarmos de nosso propósito original.

Uma das principais mensagens desta obra de Jaworski é a de que a liderança consiste em descobrirmos como podemos moldar coletivamente o nosso futuro. Ainda segundo ele, “a liderança diz respeito à criação, dia a dia, de um domínio no qual nós e os que se encontram ao nosso redor continuamente aprofundemos nossa compreensão da realidade e sejamos capazes de participar da formação do futuro”.

Caros amigos, “Sincronicidade” é um livro poderoso, cheio de conceitos e distinções que nos instigam e que desafiam a visão de mundo tradicional e fragmentada. Compartilho da opinião do grande Peter Senge de que está é, sem dúvida, uma obra obrigatória para todos aqueles que levam a sério o tema da Liderança ou que, de alguma forma, desejam contribuir para a construção de um futuro melhor.

grande abraço,

Marcelo Mello

Caracterizando a liderança II – Peter Senge

Caríssimos,

compartilho hoje outra contribuição no sentido de caracterizar o que vem a ser essa tal liderança. Desta vez, quem nos brinda com sua brilhante visão e profundo conhecimento é o grande Peter Senge, autor do best seller “A quinta disciplina” e figura respeitadíssima nos meios acadêmico e corporativo.

A visão de Senge, extraída de um artigo escrito para a tradicional Harvard Business Review em 1997, aponta na direção de uma liderança menos centralizada e heróica, indicando que o caminho para que as organizações superem os desafios desse século XXI passa, necessariamente, pela construção de uma cultura de compartilhamento, tanto do conhecimento, quanto da responsabilidade pela condução dos processos de liderança.

Com a palavra, sir Peter Senge:

“Na era do conhecimento, nós iremos finalmente abandonar o mito dos líderes como heróis isolados, comandando suas organizações a partir do topo. Decisões tomadas de cima para baixo e de forma diretiva, podem até ser implementadas, mas reforçam um ambiente de medo, desconfiança e competição interna que reduz a colaboração e a cooperação. Elas fomentam a mera aceitação em lugar do verdadeiro comprometimento, contudo, somente o genuíno comprometimento pode fazer emergir a coragem, imaginação, paciência e perceverança necessárias para as organizações capazes de criar conhecimento. Por esta razão, no futuro, a liderança será distribuída entre diversos indivíduos e equipes, os quais compartilharão a responsabilidade pela criação do futuro de suas organizações.”

Extraído do artigo “Looking ahead: implications of the present”. Harvard Business Review 75.5 (1997), escrito por Peter Drucker, Esther Dyson, Charles Handy, Paul Saffo e Peter Senge.

 

Concordo em gênero, número e grau com as palavras de Senge, apesar de saber que ainda há um longo e tortuoso caminho a ser percorrido até que o colaboração, o compartilhamento e a confiança se consolidem como bases do modelo mental dominante em nossas organizações.

grande abraço,

Marcelo Mello (diretamente do Paraná)

GRO – Este é apenas o começo…

Caros amigos,

hoje quero compartilhar com vocês um momento único em minha vida: acabo de chegar do último encontro da disciplina de GRO – Gestão dos Relacionamentos nas Organizações, parte do Programa de Mestrado em Gestão do Conhecimento e da Tecnologia da Informação da Universidade Católica de Brasília e ministrada pelo amigo e professor Gentil de Lucena Filho, com a participação de sua esposa Margarita e do professor Rodrigo Pires. Como era nossa última aula, nossa turma decidiu organizar um encontro diferente, com comes e bebes, além de uma brincadeira de troca de presentes (organizada nos últimos dois dias via troca de emails).

Mas o que marcou profundamente essa noite memorável foi a conversa que mantivemos durante algumas horas, na qual cada um de nós compartilhou, de forma sincera e tocante, as dificuldades, emoções, sofrimentos, angústias, vitórias e transformações vivenciadas ao longo dos últimos meses. Foram muitas as declarações poderosas, os juízos e as afirmações expostas, muitos foram os depoimentos acerca do “dar-se conta” e várias foram as histórias de vida compartilhadas com o grupo.

A cada fala, um após um, eu fui ficando maravilhado com o contexto de confiança que se criou entre nós. As coisas que foram ditas, e da forma que o foram, só poderiam ter lugar em um “espaço sagrado” como o que foi construído na disciplina de GRO, espaço este pautado pelo respeito e legitimação do outro, pelo aprendizado mútuo e, sobretudo, pela ética do amor.

Meu juízo, que não é (e nem tem a pretensão de ser) nada mais nem nada menos que meu juízo, é que nosso encontro dessa noite foi a materialização da distinção da “Presença”, descrita por Peter Senge e outros autores no livro que leva o mesmo nome como o ato de “ver a partir da fonte mais profunda e fazer-se de veículo para essa fonte”. Creio que foi exatamente isso o que ocorreu conosco: cada um de nós e nós todos como grupo passamos a ver e agir a partir de uma fonte mais profunda e a refletirmos essa fonte e isso só foi possível por que, ao longo do semestre, trilhamos juntos um caminho que passou pela suspensão de nossos modelos mentais e pelo redirecionamento de nossa atenção.

Creio que para além de todo o valioso referencial teórico explorado e das respectivas distinções dele depreendidas, o grande aprendizado resultante dessa jornada de GRO foi a consciência de somos seres humanos, constituídos por nosso corpo, linguagem e emocionalidade e que é na relação com os outros que encontramos o sentido de nossa existência.

Por fim, penso que a beleza e profundidade do fenômeno que vivemos juntos ao longo desses quatro meses e que culminou com maravilhoso encontro dessa noite, podem ser representadas por uma frase de Dee Hock em seu livro “Nascimento da era caórdica”:

“A vida é uma dádiva que traz uma dádiva, que é a arte de dar.”

Muito obrigado ao professor Gentil e a sua esposa Margarita, muito obrigado ao professor Rodrigo e muito obrigado a cada um de meus amigos e companheiros de jornada. Que possamos cada vez mais nos darmos, integra e sinceramente, aos outros e ao mundo e, assim, recuperarmos o sentido mais profundo de nossa humanidade.

grande abraço,

Marcelo Mello

P.S.: este post foi escrito ao som do CD “Vitor & Léo, ao vivo em Uberlândia”, meu presente em nossa brincadeira de “amigo secreto”.

Nascimento da era caórdica – Democracia segundo Peter Senge

“Democracia é um processo coletivo contínuo em que aprendemos a viver uns com os outros – muito mais do que um conjunto de valores estimulantes ou de mecanismos simples, como eleições e o ato de votar. É algo que se faz e não se herda. E, até que esse processo de aprendizado penetre nas principais instituições da sociedade, é prematuro chamar a nossa sociedade de democrática.”

Extraído do Prefácio (escrito por Peter Senge)

do livro “Nascimento da era caórdica” de Dee Hock, fundador e CEO emérito da empresa VISA.

Metamanagement – a nova tarefa do líder

“Nós, seres humanos, fomos feitos para aprender. Viemos ao mundo animados por um insaciável impulso de explorar e experimentar. Um bebê tem todas as aptidões necessárias para, no seu devido tempo, caminhar, falar e dominar os segredos de empilhar oito blocos de um jogo sem deixá-los cair. Infelizmente, as instituições educativas de nossa sociedade se orientam mais para o controle do que para o aprendizado; elas recompensam os indivíduos por trabalharem de acordo com a inspiração alheia e não por cultivarem sua natural curiosidade e desejo de saber. O menino que ingressa na escola descobre rapidamente que tudo se resume em dar respostas precisas e evitar erros; o mandato não é menos compulsivo para gerentes com aspirações. (…) É uma ironia que, por determinarem que o trabalho está sujeito [ao controle unilateral e] à aprovação de algum outro, as corporações façam nascer as condições que as predestinam a um desempenho medíocre”.

Peter Senge em seu artigo “A nova tarefa do líder”,

citado por Fredy Kofman em seu livro “Metamanagement”, volume I, págs. 309 e 310.

Presença – Democracia

“Imprimimos frequentemente a palavra Democracia. Mas, não me canso de repetir, trata-se de uma palavra cuja essência ainda dorme, sem quase nunca ter acordado (…).

É uma grande palavra cuja história, suponho, permanece sem registro, porque essa história ainda não foi vivenciada.

Ela é, por assim dizer, a irmã mais nova de outra palavra grande e frequentemente usada, Natureza, cuja história também aguarda registro.”

Walt Whitman (extraído do livro “Presença”, de Peter Senge e amigos)