A corrupção e a inércia nossa de cada dia…

Caríssimos,

falar sobre corrupção no Brasil é, como diz o ditado, “chover no molhado”. Dia após dia somos bombardeados com várias notícias sobre esquemas, conluios e maracutaias de toda sorte. Dia após dia, o erário público, fruto da pesadíssima carga tributária vigente no país, é ferozmente atacado de todas formas possíveis, e em todas as esferas do governo.

Até mesmo o PT, que um dia foi um partido sério e comprometido com o bom combate, ao chegar ao poder se entregou de corpo e alma ao mal feito e incorporou a máxima de que “os fins justificam os meios”. Adotou e institucionalizou as práticas que antes combatia e fez da defesa dos corruptos, desde que pertencentes à base aliada, uma de suas principais bandeiras.

A corrupção é um câncer que se espalhou por todos os cantos do Brasil e que é alimentado, em grande parte, pela certeza da impunidade por parte dos bandidos que diariamente “metem a mão” no dinheiro público. Esses pilantras sabem que não serão punidos pela justiça, graças a infinidade de brechas existentes nas leis, habilmente utilizadas por advogados de pouco caráter e muito bem pagos. Eles também confiam que não serão punidos por seus pares, pois a maioria comete os mesmos “deslizes”, e, afinal de contas, ninguém vai querer criar um precedente que venha a lhe prejudicar no futuro (está aí a excelentíssima Deputada Jaqueline Roriz, corrupta ao quadrado e singelamente absolvida pelos colegas, que não me deixa mentir). E o pior, estes meliantes também sabem que dificilmente serão punidos nas urnas, pois  mesmo que seus mal feitos sejam expostos pela imprensa, continuarão a ser eleitos graças à inércia de uma população que não dá a devida importância à política e ao país.

Preferimos discutir exaustivamente a escalação da seleção a debater a atuação de nossos parlamentares. Acompanhamos religiosamente as novelas da Globo, mas não sabemos como têm se comportado os deputados e senadores em quem votamos. Nos revoltamos e xingamos o motorista que nos dá uma “fechada” no trânsito, mas nada fazemos contra as atitudes e omissões de nossos governantes que nos ferem e prejudicam.

Somos co-responsáveis pelo estado atual das coisas na política brasileira e damos nossa significativa parcela de contribuição para o alastramento desse câncer chamado corrupção. Precisamos nos mexer e fazer mais se quisermos que, um dia, as coisas mudem!!!

Sim, ainda acredito que elas podem mudar. Ainda há esperança, e ela vem de parlamentares que têm executado seu trabalho de forma séria e honesta. Tenho acompanhado pela imprensa e pelas redes sociais o trabalho do Senador Cristovam Buarque e dos Deputados Federais Reguffe e Manuela D’Ávila e tenho me surpreendido positivamente com sua postura e compremetimento. Como eles, acredito que haja outros que honrem os votos que receberam e atuem de forma digna.

Que possamos ampliar o número de políticos pautados pela ética e pela honestidade e, assim, superarmos a severa crise de valores que se abate sobre nosso país.

grande abraço,

Marcelo Mello

BRASÍLIA: uma festa de aniversário que é a cara desse país

Amigos,

Ontem, 21/04/2009,  foi aniversário de Brasília e confesso que por várias vezes ao longo do dia me vi pensando em escrever um post sobre esta cidade que completou 49 anos se destacando cada vez mais como um ícone da desigualdade social e da hipocrisia política que assola o Brasil. Meu desejo de expressar minhas polêmicas opiniões acerca da capital federal cresceu ainda mais quando assisti, em um canal de TV local, a uma reportagem sobre como Brasília já está se preparando para ser uma das cidades sede da Copa do Mundo de 2014, com direito a “tour virtual” no novo Estádio Mané Guarrincha (obra na qual o Governo do Distrito Federal pretende gastar 500 milhões de reais), além de um belíssimo vídeo com música instrumental de fundo e imagens do pôr-do-sol no lago Paranoá. Belíssimas imagens, mas pensei eu: “Por que será que não fazem parte desse lindo vídeo as imagens do Varjão ou da cidade Estrutural, onde a pobreza e a carência de infra-estrutura lembram muito os mais pobres países africanos? Por que não se incluiu também algumas imagens da cidade satélite da Ceilândia, onde os índices de violência estão entre os mais altos do país? E por que não havia uma imagem sequer dos velhos e crianças que dividem os espaços entre os carros em cada semáfaro do DF, esmolando ou vendendo balas para sobreviver? Por que também não foram inclusas imagens dos vários e recentes acidentes, alguns dos quais com vítimas fatais, causados pelos ônibus que fazem parte do precário transporte público de Brasília? Enfim, senti falta de várias imagens naquele tocante vídeo sobre como Brasília tem tudo para receber uma Copa do Mundo, mas me contive e não escrevi sobre isso ontem pois pensei, “Marcelo, você está sendo estraga prazeres. As pessoas estão querendo comemorar e hoje não é dia de falar sobre essas mazelas”. E, dessa forma, apesar de toda minha contrariedade, me resignei e não escrevi.

Mas eis que hoje, me deparo com diversos comentários e reportagens que dão conta do saldo da “Grande Festa Popular” montada pelo GDF: 1 morto e 27 feridos, além de um sem número de roubos e algumas belas demonstrações do “preparo” da polícia, a quem cabe garantir a segurança e o bem estar da população. Depois de ver tudo isso, não pude mais resistir, e tive que utilizar este espaço para compartilhar minha opinião sobre esta “ilha da fantasia” chamada Brasília, sede da corrupção e símbolo da incompetência que reina na administração pública.

A violência vivida na Festa de aniversário da cidade não é diferente daquela que, há muito, aterroriza o dia a dia dos milhões de cidadãos que vivem nas cidades satélites e no chamado Entorno de Brasília. Para essas pessoas, a pobreza e a ausência de recursos básicos é uma realidade que toma contornos ainda mais cruéis quando é comparada com riqueza e a ostentação exibidas no Plano Piloto. Por causa desse terrível contraste, um colega de trabalho costuma brincar, chamando o Plano Piloto de “Beverly Hills”, ou seja, um lugar diferente da realidade de miséria e violência que caracteriza o Brasil. O problema é que, graças à nossa imensa vocação para produzir e eleger políticos inescrupulosos, a miséria e, por conseguinte, a violência só fazem crescer e a bolha criada em torno do Plano Piloto já não mais está conseguindo manter longe da vista tudo aquilo que os marketeiros deixaram de fora do vídeo promocional sobre Brasília. Ao contrário daquele filme, a desigualdade social é real, assim como todas as suas nefastas consequências, as quais,  me parece,  deixam uma pergunta pulsando para todos nós, cidadãos brasileiros, moradores de Brasília, Curitiba, Rio de Janeiro, São Paulo, Manaus, enfim, de todos os cantos desse belo, mas sofrido Brasil: será correto que um país que não consegue garantir aos seus cidadãos mínimas condições de saúde e segurança, nem tampouco um nível básico de qualidade em sua educação, gastar “rios” de dinheiro na organização de um evento internacional tão importante e caro como uma Copa do Mundo?

Eu já tenho minha resposta, e você, o que pensa sobre isso?

abraço,

Marcelo Mello

O dia em que a América decidiu mudar

Olá amigos,

escrevo hoje para compartilhar com vocês minha felicidade pela vitória de Barack Obama na eleição americana. Tenho convicção de que estamos vivendo um momento ímpar da história da humanidade, não apenas pelo fato de vermos a eleição do primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos, ou pela união de todos os líderes mundiais em torno do nome de Obama, mas principalmente porque os Estados Unidos da América e o mundo perceberam que era necessário mudar, entenderam que as velhas formas de se pensar a humanidade e a tradicional (e venenosa) política bélica, tão característica dos Republicanos, já não mais respondem às demandas de uma sociedade em constante mutação, cada vez mais interconectada e sedenta por valores fundamentais como respeito, liberdade e democracia.

“esta noite demonstramos mais uma vez que a força autêntica de nossa nação vem não do poderio de nossas armas nem da magnitude de nossa riqueza, mas do poder duradouro de nossos ideais: democracia, liberdade, oportunidade e firme esperança.”

Quando as urnas finalmente o aclamaram presidente, Obama discursou para mais cem mil pessoas em Chicago, com a serenidade e a firmeza que caracterizaram sua campanha, deixando claro que ele possui a plena  consciência do imenso desafio que tem pela frente. Ao ouvir suas primeiras palavras como presidente da maior potência do mundo, ficou claro que a mudança já começou: a arrogância e a ignorância do velho cawboy texano deram lugar a humildade e a destacada inteligência deste homem que, a partir de agora, carrega em seus ombros a esperança não só dos americanos, mas de todo o mundo, esperança de que o planeta seja preservado para as gerações futuras, de que as guerras tenham um fim, de que as injustiças sociais sejam efetivamente combatidas e de que o mundo possa voltar a sonhar com tempos de paz e prosperidade para todos os povos.

obama

Somente o tempo dirá se este negro de 47 anos conseguirá realizar a complexa missão de reconstruir a América e curar as feridas deixadas pelos oitos anos da era Bush, mas acredito que sempre vale a pena acreditar que ainda existem pessoas que querem, verdadeiramente, empregar sua energia e seu talento para fazer deste mundo um lugar melhor. Sim, nós podemos. Que Deus abençoe a América e o mundo.

grande abraço,

Marcelo Mello