O capataz como sustentáculo da empresa tradicional

Amigos,

meu documento de qualificação vai de “vento em popa” e acredito que conseguirei realizar meu exame de qualificação até o fim deste mês. E entre as muitas leituras e releituras que tenho realizado encontrei mais um trecho que faço questão de compartilhar com vocês:

“Da mesma maneira que a solução para o problema da produtividade comporta o ‘mando e controle’, como mecanismo de regulação do trabalho, este faz do capataz a principal figura de autoridade na empresa tradicional. O capataz é, precisamente, aquela figura que tem sob sua responsabilidade exercer o mando e controle. Isto significa distribuir as ordens e instruções, supervisionar seu cumprimento e punir o não cumprimento. Não pode haver mando e controle sem que haja alguém que, efetivamente, mande e controle; essa pessoa é o capataz.

Todavia, esse capataz que tem a seu cargo um grupo determinado de operários, por sua vez, precisa receber, ele próprio, suas ordens e instruções e ser igualmente controlado. Isto é condição de funcionamento da empresa tradicional. Portanto, o sistema requer não só capatazes, mas também capatazes de capatazes, capatazes de capatazes de capatazes e assim sucessivamente. Em um certo ponto, por um problema de hierarquização e status, esses capatazes começam a ser chamados de gerentes, mas isso não cria maiores distinções em suas funções, senão que é indicador do nível a partir do qual se exerce a autoridade. Tudo isso culmina em uma única figura, à qual se confere o nome de gerente geral [ou CEO]; porém, este não é senão o grande capataz, o capataz de todos os capatazes.”

Extraído do livro ‘A empresa emergente’ de Rafael Echeverría

Caríssimos, o texto acima reflete bem o paradigma que rege as nossas organizações desde o advento da Revolução Industrial. Contudo, o mundo mudou muito de lá pra cá e esse paradigma já não é mais capaz de prover as soluções de que essas organizações tanto necessitam para superar os desafios da Era do Conhecimento. Creio realmente que o caminho para a transformação dos modelos mentais vigentes passa, necessariamente, pelo amadurecimento das conversações dentro das organizações e pela consolidação de um modelo de liderança mais participativo e compartilhado.

grande abraço,

Marcelo Mello

Ontologia da Linguagem – Quando não sabemos o que fazer só nos resta aprender

Caros amigos,

revendo algumas anotações efetuadas quando da leitura da obra Ontología del Lenguaje de Rafael Echeverría, me deparei com o destaque a um trecho bastante profundo e ao mesmo tempo direto acerca do processo de aprendizagem no contexto da Ontologia da Linguagem:

“¿Qué acción podemos empreender cuando no sabemos qué acciones realizar? Podemos aprender. Podemos ejecutar la acción de ampliar nuestra capacidad de acción. El aprendizaje es una de las más importantes formas de alejar a las personas de la resignación. El aprendizaje hace que parezca alcanzable lo que pudo parecer imposible. A través del aprendizaje transformamos nuestros juicios de facticidade en juicios de posibilidad.”

“Que ação podemos empreender quando não sabemos que ações realizar? Podemos aprender. Podemos executar a ação de ampliar nossa capacidade de ação. A aprendizagem é uma das mais importantes formas de afastar as pessoas da resignação. A aprendizagem faz com que pareça alcançável o que pode parecer impossível. Por meio da aprendizagem transformamos nossos juízos de faticidade em juízos de possibilidade.”

extraído do livro Ontología del Lenguaje de Rafael Echeverría com tradução livre deste blogueiro.

Aprender mais, aprender sempre, eis o caminho para ampliar nossa capacidade de ação em um mundo que nos exige cada vez mais respostas para perguntas cada vez mais complexas.

grande abraço,

Marcelo Mello

Ontologia da Linguagem – O que é uma organização?

Amigos,

sob o olhar da Ontologia da Linguagem, Rafael Echeverría nos brinda com uma caracterização do que vem a ser uma organização, a qual considero a mais interessante que já tive oportunidade de ver e que tenho o satisfação de compartilhar com vocês:

“…uma organização é mais do que um espaço gerado por limites declarativos nos quais as pessoas estão unidas por uma rede de promessas mútuas. Uma organização é também um espaço no qual se nutre uma determinada cultura, um espaço no qual as pessoas compartilham um passado, uma forma coletiva de fazer as coisas no presente e um sentido comum de direção para o futuro.”

extraído do livro Ontología del Lenguaje, de Rafael Echeverría, pág. 265. (tradução livre deste humilde blogueiro)

Grande abraço e até o próximo post,

Marcelo Mello

A empresa emergente – O ser humano e a linguagem

“Para existir, o ser humano tem que ser capaz de conferir sentido à vida. Deve estar em condições de alimentar permanentemente o juízo de que sua existência ‘tem sentido’…

Sob essa mesma perspectiva, a verdade não é senão um caminho, um deslocamento permanente, nunca um lugar ao qual se possa chegar para ficar.
Heidegger * sustenta que essa forma particular de ser, que somos seres humanos, está fundada na linguagem. É nossa capacidade de linguagem que determina que tenhamos essa forma particular de ser e a existência que lhe corresponde. A linguagem, diz Heidegger, ‘é a morada do ser’. É graças à linguagem que o ser humano se interroga, pergunta por seu ser e iniciar a busca do sentido. A linguagem lhe permite entrar em conversação consigo mesmo e com os outros. Somos uma conversação, nos diz Heidegger. No fundo dessa conversação está sempre o problema do ser do qual todo ser humano se vê obrigado a carregar. A linguagem é o que faz humanos os seres humanos.”

extraído do livro “A empresa emergente” de Rafael Echeverría, pág. 96.

heidegger* O filósofo alemão Martin Heidegger, falecido em 1976, foi um dos mais influentes pensadores do século XX. Abandonando a teologia, mergulhou nos gregos para tentar encontrar neles a substância que de alguma forma amparasse o homem contemporâneo num mundo desesperançado de Deus. Erguendo-se contra a tradição metafísica, voltou-se para o ser (ontologia), procurando encontrar um norte num cenário onde os valores da religião e da metafísica haviam sido abalados até as suas raízes. (fonte: http://educaterra.terra.com.br/voltaire/cultura/heidegger.htm)