Resenha do livro “O mundo de Sofia” de Jostein Gaarder

Este romance norueguês, publicado originalmente em 1991 (e que já foi traduzido para mais de 60 idiomas) entrou no meu radar de leituras após meu interesse pela filosofia tem sido despertado durante minha formação em Coaching Ontológico no Território Appana. Em minhas pesquisas sobre livros de filosofia, acabei me deparando com este título, sobre o qual já tinha ouvido falar, mas nunca devotei atenção.

É importante ressaltar que não se trata de uma obra de referência sobre filosofia, mas sim de um romance que transita, de forma bastante leve, pela história do pensamento ocidental, abordando desde os filósofos clássicos, como Sócrates e Platão, passando pela Idade Média e pelo Renascentismo, explorando também pensadores racionalistas como Descartes e Baruch Espinosa, empiristas como Locke e Hume, bem como nomes consagrados nas ciências como Marx, Darwin e Freud.

É interessante destacar que esta viagem pela história da filosofia se dá dentro das histórias de Sofia e Hilde, duas garotas prestes a completar 15 anos, e cujos caminhos e mundos se cruzam em meio a reflexões filosóficas e existenciais. Cada situação vivida pelas protagonistas é, em algum grau, uma tentativa de responder à questões que instigam os pensadores desde a antiguidade: como o mundo foi criado? Existe vida após a morte? Como devemos viver? Refletir e buscar respostas coerentes para estas e outras questões é o grande desafio apresentado à Sofia, à Hilde e aos leitores que acompanham sua jornada.

“A única coisa de que necessitamos para ser filósofos é a capacidade de nos admirarmos com as coisas.”

Trata-se de uma leitura bastante agradável e interessante para quem quer ter um panorama geral da história do pensamento filosófico, funcionando como um ponto de partida para futuros aprofundamentos em períodos e correntes filosóficas e pensadores específicos. Seguramente é uma obra que gostaria que meus filhos lessem.

grande e fraterno abraço,

Marcelo Mello

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Resenha do livro “A noite da espera” de Milton Hatoum

Recentemente encontrei na internet uma crítica muito interessante de uma obra recém lançada pelo escritor amazonense Milton Hatoum, “A noite da espera”. Instigado pelo elogios à obra e a seu autor, comprei o livro e mergulhei em sua leitura.

Trata-se da primeira parte de uma trilogia chamada “O lugar mais sombrio”, na qual o jovem paulista Martim muda-se com seu pai para Brasília, onde vivencia uma dolorosa saudade de sua mãe, uma relação fria com o pai, os amores, as amizades e as dúvidas inerentes à juventude, tudo isso tendo como pano de fundo os duros anos da Ditadura Militar.

O autor descreve o cenário inóspito da capital federal e seu impacto na vida de Martin com extrema delicadeza e sensibilidade, propiciando ao leitor uma experiência rica em detalhes e emoções.

“Saí do hotel à procura do centro da capital, mas não o encontrei: o centro era toda a cidade. Quando me perdia nas superquadras da Asa Sul, ou me entediava por não ver alma viva no gramado ao redor dos edifícios, andava até um setor comercial e a avenida W3 Sul, onde havia poucas pessoas, ônibus, carros.”

“Os bairros e avenidas têm siglas com letras e números, me perdi no primeiro passeio pelas superquadras da Asa Sul, parecia que estava no mesmo lugar, olhando os mesmos edifícios. São bonitos, cercados por um gramado que cresce no barro; essa beleza repetida também me confundiu. Tudo confunde, nada lembra lugar algum. O céu é mais baixo e luminoso, e as pessoas sumiram da cidade.”

Para quem, como eu, já viveu em Brasília, com suas linhas inconfundíveis, seu céu deslumbrante e sua assustadora frieza, a imersão na obra de Hatoum tende a evocar lembranças e sentimentos ainda mais profundos. Em que pese o fato de que a Brasília em que morei já respirava ares de plena liberdade, livre do pesado jugo dos militares, ainda assim, me identifiquei bastante com a relação intensa e conflituosa de Martin com esta cidade que não lembra lugar algum.

Trata-se, tal qual declarava a crítica, de uma obra prima da literatura brasileira contemporânea, que termina com o fechamento de um ciclo na vida do protagonista, deixando o leitor ávido pelo que virá. Aguardo ansioso pelo lançamento da segunda parte desta trilogia para continuar vivenciando as emoções da história de Martim, entremeada à de nosso país.

“Talvez seja isto o exílio: uma longa insônia em que fantasmas reaparecem com a língua materna, adquirem vida na linguagem, sobrevivem nas palavras…”

Abraço,

Marcelo Mello

Nietzsche e a Complexidade

Meus amigos,

ao contrário do que o título deste post possa dar a entender, não pretendo aqui apresentar nenhuma análise da relação entre a filosofia de Nietzsche e os conceitos inerentes à teoria da complexidade.   O objetivo aqui é tão somente compartilhar minhas principais impressões e destaques acerca de dois livros cuja leitura conclui recentemente: “Quando Nietzsche chorou” de Irvin Yalom e “As paixões do ego” de Humberto Mariotti.

O livro de Irvin Yalom é um clássico mundial e retrata o fictício encontro entre dois personagem reais: o filósofo alemão Friedrich Nietzsche e o médico austríaco Josef Breuer. Enquanto Nietzsche e sua avassaladora filosofia dispensam maiores apresentações, é importante destacar que Breuer foi contemporâneo e amigo de Sigmund Freud, tendo exercido significativa influência na concepção e desenvolvimento dos fundamentos da psicoterapia. Aliás, o livro explora bastante a relação entre Breuer e Freud, à época ainda um médico em início de carreira.

Os belíssimos diálogos que se desenvolvem entre Nietzsche e Breuer revelam uma complexidade emocional e uma profundidade intelectual fascinantes. Nietzsche vai  bradando, com gradativa intensidade, seu impiedoso martelo filosófico, promovendo a destruição dos ídolos e das ilusões de Breuer. Este, por sua vez, vai delineando, por meio da cuidadosa observação do comportamento de Nietzsche e de intervenções delicadamente planejadas, os conceitos fundamentais do que viria a ser a prática da psicologia. E tudo isso ocorre em meio a um complexo processo de construção de confiança e afetos mútuos.

Sem dúvida alguma, “Quando Nietzsche chorou” é um daqueles livros cuja leitura é capaz de incitar reflexões profundas e, me arrisco dizer, transformações significativas na estrutura do leitor.

Quando Nietzsche chorou

 

 

“…odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia.” (Friedrich Nietzsche)

 

 

 

 

 

As paixões do ego

 

 

“Discordando, concordando na aparência, ou apenas fingindo ouvir, o propósito é sempre o mesmo: negar a existência do interlocutor que questiona, afastar a possibilidade de que ele possa trazer algo novo e útil – fugir à diferença, enfim.” (Humberto Mariotti)

 

Já a obra de Humberto Mariotti, denominada “As paixões do ego”, tem como tema central o pensamento complexo e, ao longo do texto, o autor apresenta inúmeras distinções relacionadas e que compõem um grande panorama sobre este tema. Agregando as ideias de importantes pensadores como Gregory Bateson, Edgar Morin, Humberto Maturana, Francisco Varela, David Bohm, entre outros, Mariotti analisa o pensamento linear, característico de da cultura patriarcal, bem como sua alternativa sistêmica, não com o intuito de confrontá-los, mas sim de propor o caminho da complementariedade entre ambos os modelos, o que, segundo ele, resultaria no que ele distingue como pensamento complexo.

À luz do pensamento complexo, Mariotti aborda questões sociais, políticas e éticas, suscitando reflexões profundas e bastante pertinentes para nossa sociedade. Dois pontos, ao meu ver, merecem maior destaque:

1) Automatismo do modelo concordo/discordo: Mariotti alerta para a os riscos de reagirmos de forma automática e instantânea em nossas interações classificando o que ouvimos em “concordo” ou “discordo” sem abrir espaço para uma escuta sincera e uma reflexão mais profunda;

2) Os cinco saberes do pensamento complexo: segundo o autor, para se viver em plenitude o pensamento complexo, é preciso saber ver, saber esperar, saber conversar, saber amar e saber abraçar;

Sem dúvida alguma, a obra de Humberto Mariotti é extremamente útil e recomendada para quem deseja iniciar uma exploração do tema da complexidade e suas distinções relacionadas, o que me parece bastante pertinente em um mundo em constante ebulição como o que vivemos hoje.

 

grande abraço,

 

Marcelo Mello

Resenha do livro “Foco” de Daniel Goleman

Queridos leitores,

Em seu mais recente livro, Daniel Goleman, pesquisador mundialmente conhecido por seus trabalhos relacionados à Inteligência Emocional, explora o tema da atenção como peça chave para o sucesso de indivíduos e organizações.

A exemplo de seus trabalhos anteriores, as proposições de Goleman estão fundamentadas em amplos estudos na área da Neurociência, os quais têm avançado sensivelmente no que se refere à compreensão do funcionamento do cérebro humano em toda sua complexidade.

Foco

O livro explora inicialmente alguns conceitos básicos daquilo que Goleman chama de “anatomia da atenção”. Dentre as distinções mais importantes apresentadas pelo autor, estão as de mente ascendente e mente descendente, em referência às diferentes regiões cerebrais que controlam o funcionamento, respectivamente, de nossa capacidade de atenção involuntária (mente a deriva) e atenção voluntária (foco intencional).

Todo o livro está assentado em uma distinção chave chamada de Foco Triplo da Atenção: o foco interno, o foco no outro e o foco externo. Segundo Goleman, “o foco interno nos põe em sintonia com nossas intuições, nossos valores principais e nossas melhores decisões. O foco no outro facilita nossas ligações com as pessoas das nossas vidas. E o foco externo nos ajuda a navegar pelo mundo que nos rodeia”. Goleman ainda afirma ser fundamental buscar um equilíbrio entre estes três focos, a fim de que possamos atingir um nível pleno de atenção.

O autor ainda aborda a relação entre atenção e liderança, tendo como pano de fundo a necessidade de construção de modelos de liderança e de negócios mais conscientes e sustentáveis.

Trata-se, sem dúvida alguma, de um livro muito interessante e que apresenta distinções bastante relevantes e úteis para o contexto atual de nossa humanidade, repleto de desafios extremamente complexos e demandante por decisões cruciais para o futuro de nossas organizações, comunidades e do planeta como um todo.

 

Grande abraço,

 

Marcelo Mello (Direto de Natal – RN)

Resenha do livro “Capitalismo Consciente”de John Mackey e Raj Sisodia

Caríssimos amigos,

a obra sobre a qual irei falar neste post também chegou ao meu conhecimento por meio das redes sociais. Após ler inúmeros comentários positivos, sobretudo no meu Twitter, fui até um livraria e comprei uma cópia de “Capitalismo Consciente – como libertar o espírito heróico dos negócios”, escrito por John Mackey e Raj Sisodia.

Mackey é o CEO da Whole Foods Market, líder mundial na venda de alimentos naturais e orgânicos, com mais de 340 lojas espalhadas pelos Estados Unidos, Reino Unido e Canadá e cujas prateleiras são reconhecidas por abrigar somente produtos de altíssima qualidade e, de forma geral, relacionados a uma alimentação saudável. Já Raj é professor e pesquisador, além de autor de sete livros sobre organizações e negócios.

“Negócios não têm a ver com fazer o máximo de dinheiro possível. Têm a ver com a criação de valor para as partes interessadas.” (pág. 23)

A proposta central do livro é apresentar uma forma diferente de se operar o modelo Capitalista, na qual o lucro não seja a única ou principal razão de ser das organizações. Segundo os autores, uma empresa consciente deve possuir propósitos mais elevados e buscar a geração de valor, de maneira equilibrada e sustentável, para todas as partes interessadas (stakeholders).

“Ser consciente significa estar totalmente desperto e lúcido para enxergar realidade com clareza e para entender todas as consequências de nossas ações, a curto e a longo prazo. Significa estar atento ao que se passa dentro de nós mesmos e na realidade externa, bem como aos impactos disso tudo sobre o mundo. Significa, também, ter um forte compromisso com a verdade e agir do modo mais responsável, de acordo com o que entendemos ser verdadeiro.” (pág. 31)

Os modelo proposto pelos dois autores e chamado por eles de Capitalismo Consciente está alicerçado em quatro princípios, a saber:

  1.  Propósito maior: ao atuarem segundo um propósito maior, as empresas vão além da simples geração/maximização do lucro e passam a criar um impacto positivo muito maior para todos os seus stakeholders. O propósito e os valores constituem o núcleo de uma empresa consciente.
  2. Integração de stakeholders: para os autores, stakeholders são todas as entidades que impactam ou são impactadas por uma organização, as quais são igualmente importantes e estão conectadas por um senso de propósito e valores compartilhados. Dessa forma, a relação entre esses atores deve ser pautada pela busca de soluções do tipo “ganha-ganha”, preservando a harmonia e a integração entre as partes.
  3. Liderança consciente: A concretização do Capitalismo Consciente requer a plena atuação de líderes conscientes, dotados de elevados níveis de inteligência analítica, emocional e espiritual, de forma que sejam capazes de refletir sobre o negócio e conduzi-lo de forma sofisticada e complexa.
  4. Cultura e gestão conscientes: Tanto a forma de gestão quanto a cultura organizacional são fatores fundamentais para a prática do Capitalismo Consciente, na medida em que devem garantir a força e a estabilidade necessárias para a preservação do propósito maior da empresa. Confiança, responsabilidade, transparência, integridade, igualitarismo, justiça, crescimento pessoal, amor e cuidado são algumas das características comuns de uma cultura consciente.

“As organizações florescem a partir do compromisso e da criatividade do ser humano.” (pág. 77)

A maior parte do livro destina-se a aprofundar cada um desses quatro princípios, citando, com frequência, algumas organizações que vivenciam essas distinções e, por isso, são consideradas pelos autores como exemplos de empresas conscientes.

Após apresentar os princípios do Capitalismo Consciente, bem como seus argumentos em prol desse modelo, os autores fazem uma exortação para que todos contribuam para a difusão desse novo paradigma, argumentando que a atual forma de se pensar os negócios e as organizações é insustentável em vários aspectos e que, portanto, precisa ser substituída por uma nova abordagem, capaz de produzir valor com ética e justiça.

“Um dia, praticamente todas as empresas irão funcionar com uma orientação para seus propósitos maiores, integrando os interesses de todas as partes interessadas, desenvolvendo e promovendo líderes conscientes e construindo uma cultura de confiança responsabilidade e cuidado.” (pág. 286)

Na minha opinião, trata-se de um obra bastante oportuna para o contexto atual da humanidade. Notadamente, enfrentamos uma crise em nossa forma de ser no mundo, a qual tem se manifestado de diversas maneiras e nas mais variadas áreas.

Particularmente, sou defensor do capitalismo por entender que trata-se de um modelo capaz de recompensar o esforço, a dedicação a criatividade de indivíduos e organizações, permitindo que todos tenham a chance de realizar seu potencial. Contudo, me parece claro que o atual paradigma capitalista está carregado de vícios e falhas éticas, que não só comprometem suas mais elevadas virtudes como o tornam causa de inaceitáveis injustiças. Dessa forma, faz-se necessário um redesenho desse modelo de maneira a que possamos retomar sua essência baseada na livre iniciativa, oferta de oportunidades e criação de valor partilhado e sustentável.

“Capitalismo Consciente” é uma obra que apresenta uma proposta de evolução para o modelo capitalista e propõe uma interessante reflexão sobre os propósitos e valores que balizam nossa forma de ser/atuar no mundo. Recomendo a leitura!

 

abraço,

 

Marcelo Mello

Resenha do livro “Source: The Inner Path of Knowledge Creation” de Joseph Jaworski

Caros amigos,

A ideia deste post é compartilhar com vocês uma breve resenha do livro “Source: The inner path of knowledge creation”, bem como algumas reflexões pessoais sobre esta instigante obra.

Desde que soube que Joseph Jaworski iria lançar um novo livro, fiquei bastante ansioso para saber o que este brilhante autor, que já havia nos brindado com valiosas distinções e insights poderosos em sua obra anterior (“Sincronicidade”, cuja resenha publiquei neste blog – clique aqui para ler), teria a nos dizer agora.

Tão logo o livro foi lançado, adquiri uma cópia em formato eletrônico (ebook) e mergulhei em uma experiência que realmente desafiou significativamente meus paradigmas.

Source

“Source” não é, seguramente, uma obra que possa ser assimilada ou aceita com facilidade, e me arrisco a afirmar que sua compreensão, mesmo que parcial, requer um conjunto prévio de distinções que está longe de ser trivial. Ainda assim, mesmo para aqueles que eventualmente possuam tais distinções, as ideias propostas por Jaworski provavelmente irão a causar algum nível de estranheza e dúvida.

O livro, a exemplo do que já havia ocorrido com sua obra anterior, é escrito basicamente na forma de relatos acerca de experiências vivenciadas pelo autor ao longo de sua vida, desta feita, em uma jornada pessoal que tinha por objetivo responder a duas questões fundamentais: i) Qual a fonte de nossa capacidade para acessar o conhecimento de que necessitamos para agir em um dado momento? ii) Como podemos aprender a ativar tal capacidade, tanto individual quanto coletivamente?

O texto de Jaworski pode parecer, a primeira vista, um tanto o quanto místico e, de fato, a dimensão espiritual se faz presente nas ideias expostas pelo autor. Porém, os conceitos que suportam tais ideias são oriundos de trabalhos de grandes pesquisadores e estudiosos, sobretudo do renomado físico David Bohm, autor de livros como “On Dialogue” e “Wholeness and the Implicate Order”, entre vários outros.

O trabalho de Bohm está fundamentado, entre outras ideias, na premissa de que a base ou essência do Cosmos não é composta de partículas elementares, mas trata-se de puro processo, um fluído movimento do todo, ou seja, Bohm tinha plena convicção de que o Universo todo está intrinsecamente conectado. Para ele, os seres humanos possuem uma capacidade nata para a inteligência coletiva, podendo aprender e pensar juntos e assim coordenar ações de forma efetiva para a modelar o futuro.

Jaworki discorre sobre suas reflexões e descobertas a partir das conversas que manteve com o próprio Bohn, bem como com diversos outros cientistas e estudiosos que trabalharam com ele ou que formam de alguma forma influenciados por suas ideias.

Como resultado de sua longa e profunda jornada, Jaworski formulou quatro princípios que endereçam as questões fundamentais por ele apresentadas, a saber:

1. O universo possui uma característica aberta e emergente;

2. O universo é um todo indivisível; tanto o mundo material quanto a consciência fazem parte de um todo indivisível;

3. Existe uma Fonte criativa de infinito potencial no universo;

4. Os seres humanos podem aprender a criar a partir do infinito potencial da Fonte, desde que decidam seguir um disciplinado caminho rumo à auto-realização e ao amor, esta que é a mais poderosa energia no universo.

Não tenho aqui a pretensão de abordar todas as ideias e conceitos presentes neste livro, até mesmo porque, tenho que confessar, minha compreensão sobre vários deles ainda é parcial e limitada. Contudo, não tenho receio em afirmar que se trata de uma obra revolucionária e que se propõe a desbravar um território pouquíssimo explorado no campo da liderança e da ação humana.

Grande abraço,

Marcelo Mello

Resenha do livro “The Happiness Manifesto: how nations and people can nurture well-being” de Nic Marks

Caríssimos,

em 2010 o Senador Cristovam Buarque apresentou uma Proposta de Emenda a Constituição (PEC 19/10), a qual visa alterar o artigo 6˚ da Constituição, passando a explicitar que os direitos sociais, já expressos na nossa Carta Magna, são essenciais à busca da felicidade. Esta PEC, que foi motivo de piada na mídia nacional e recebeu várias críticas negativas de boa parte da sociedade, está fortemente relacionada a um livro que li recentemente, entitulado “The Happiness Manifesto”.

Em sua essência, o livro questiona, de forma veemente, o pressuposto de que a felicidade e o bem-estar advém exclusivamente da prosperidade financeira, seja para indivíduos ou para nações. Afirma ainda que o Produto Interno Bruto (PIB) não pode ser considerado como a única fonte de avaliação do progresso de uma nação. Aliás, o autor Nic Marks chama a atenção para os impactos sociais e ambientais de uma sociedade que, na ânsia de fazer crescer o PIB, fomenta nas pessoas o desejo de “gastar um dinheiro que não possuem, em coisas que não precisam, para impressionar pessoas com as quais não se importam”.

Em lugar do PIB, ou pelo menos de forma complementar a ele, o autor propõe que o bem-estar das pessoas passe a fazer parte dos debates que direcionam as políticas públicas. Nessa linha é que ele apresenta seu “Manifesto da Felicidade”, o qual, nas suas palavras, “oferece às nações e às pessoas potenciais formas de se mover o foco principal da busca de prosperidade financeira para o crescimento do bem-estar”.

São vários os argumentos apresentados pelo autor para defender seu ponto de vista, dentre os quais destaco:

  • Nosso consumo dos recursos naturais tem crescido num ritmo mais rápido que os ganhos obtidos em nosso bem-estar;
  • As pessoas acolherão melhor a idéia de um futuro sustentável se entenderem que este será um futuro mais feliz;
  • Pesquisas demonstram que pessoas em estados de ânimo positivos são mais flexíveis e mais criativas, aumentam seu nível de atenção e estão mais abertas a construção de relações, ou seja, têm um maior repertório de respostas aos estímulos do dia a dia;
  • Efetivamente, nossas emoções são parte central do nosso mecanismos de sobrevivência. Elas são essenciais para a forma como nos adaptamos às mudanças, como encaramos os desafios e as oportunidades e como solucionamos os problemas;
  • Existem fortes indícios de que pessoas mais felizes são mais bem sucedidas em todos os domínios de suas vidas, além de contribuírem mais para a sociedade;

Por fim, o autor propõe cinco formas para se elevar o bem estar pessoal, bem como sete estratégias para se aprimorar o bem estar coletivo das nações:

  • Bem estar pessoal:
    1. Conecte-se… com as pessoas ao seu redor. Com sua família, amigos, colegas e vizinhos. Em casa, no trabalho, na escola ou em sua comunidade. Pense nessas relações como os pilares de sua vida e invista tempo no seu desenvolvimento. A construção dessas conexões irá te dar suporte e aprimorar sua qualidade de vida no dia a dia;
    2. Seja ativo… saia para caminhar ou para correr. Pedale, jogue, cuide do jardim, dance. A atividade física faz você se sentir bem. E o mais importante, descubra uma atividade física que você goste e que combine com seu nível de mobilidade e condicionamento;
    3. Perceba… seja curioso. Capte os sinais de beleza e dê atenção para aquilo que não é comum. Note a mudança das estações do ano. Aprecie o momento, seja quando estiver indo para o trabalho, comendo um lanche ou conversando com os amigos. Esteja consciente do mundo ao seu redor e do que você está sentindo. A reflexão sobre suas experiências irá ajudá-lo a aproveitar melhor o que realmente importa para você;
    4. Mantenha-se aprendendo… tente algo novo. Redescubra uma antigo interesse. Inscreva-se em um curso. Assuma uma nova responsabilidade no trabalho. Conserte sua bicicleta. Aprenda a tocar um instrumento ou a cozinhar seu prato predileto. Estabeleça um desafio que você deseje superar. Aprender coisas novas tornará você mais confiante, além de ser divertido;
    5. Doe-se… faça algo bom para um amigo ou mesmo para um estranho. Agradeça alguém. Sorria. Seja voluntário no seu tempo livre. Se junte a um grupo da comunidade. Olhe para dentro e para fora. Ver a você mesmo e à sua felicidade, ligados a uma comunidade mais ampla pode ser incrivelmente recompensador e cria fortes conexões com as pessoas ao seu redor.
  • Bem estar das nações:
    1. Criação de bons empregos;
    2. Reforma dos nossos sistemas financeiros;
    3. Desenvolvimento de escolas florescentes;
    4. Promoção da saúde completa;
    5. Engajamento dos cidadãos;
    6. Construção de boas fundações;
    7. Medir o que realmente importa.

Trata-se de uma leitura instigante e que nos leva a refletir sobre os propósitos de nossas vidas e sobre a forma como temos conduzido nossas ações, bem como sobre os resultados que temos obtido, tanto no contexto pessoal, quanto como sociedade.

Será que a busca incessante pelo lucro e pelo crescimento (exclusivamente) econômico tem nos trazido bem estar e felicidade? Quais as consequências de nosso atual modo de vida para o planeta? O que realmente nos importa e nos faz felizes???

Que possamos refletir profunda e sinceramente sobre essas e outras questões e, juntos,  buscarmos evoluir constantemente nossa compreensão acerca da complexa teia da vida, bem como aprimorarmos nossa capacidade de ação, individual e coletiva, aplicando nossas competências em prol do bem estar coletivo e de uma vida mais feliz.

grande abraço,

Marcelo Mello