Cinema – Salve Geral, depois de parar São Paulo agora o PCC quer um Oscar

Caros amigos,

cá estou eu, após vários dias sem postar volto para compartilhar minha mais recente ida ao cinema. Nesta noite de sexta-feira fui assistir à estréia de “Salve Geral”, um filme do diretor Sérgio Rezende e protagonizado pela veterana atriz Andréa Beltrão. O filme retrata o fim de semana do dia das mães de 2006, quando o PCC – Primeiro Comando da Capital – coordenou uma série de ataques a postos policiais, ônibus, bancos e prédios públicos no estado de São Paulo, além de várias rebeliões em presídios por todo o país em represália à transferência de seus líderes para presídios de segurança máxima. É neste turbulento cenário que Andréa Beltrão vive a professora de piano Lúcia, que passando por sérias dificuldades financeiras após a morte do marido, vê seu filho único ser condenado por assassinato. A parti daí, ambos se veem envolvidos na seqüência de fatos violentos que pararam São Paulo e chocaram o Brasil.

salvegeral

Minha primeira surpresa foi encontrar a sala de cinema praticamente vazia. Por ser esse o candidato brasileiro a uma indicação ao Oscar 2010, eu imaginava encontrar mais pessoas prestigiando essa noite de estréia. Quanto ao filme, gostei bastante da produção e do roteiro. A história flui bem, mas senti falta de um pouco mais de emoção na interpretação dos dois personagens principais. Tanto Andréa Beltrão, quanto o jovem ator Lee Thalor, que interpreta seu filho Rafael, não me pareceram demonstrar a intensidade que a história demanda. O destaque positivo vai para as atuações de Denise Weinberg que interpreta a advogada “Ruiva” e dos atores que dão vida ao chefes do PCC. De qualquer forma, na minha avaliação, trata-se de um bom filme, mas infelizmente, não tão bom a ponto de merecer um Oscar.

Para quem quiser ter uma ideia do que vai encontrar na sala de cinema, eis o trailler de “Salve Geral”:

Grande abraço,

Marcelo Mello

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KM BRASIL 2008 – Parte I (27/08/2008)


O primeiro dia do evento começou com uma breve cerimônia de abertura e, na sequência, o presidente da SBGC fez uma rápida apresentação sobre a história da entidade, suas atuais atividades e seus projetos futuros. Especial atenção foi dada ao fato da SBGC ter sido recentemente qualificada como OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) e para o projeto Agenda Brasil Conhecimento, que pretende definir, junto com o diversos segmentos da sociedade, uma agenda de ações com o objetivo de construir uma visão de futuro para o país sob a ótica do conhecimento.

Na seqüência, a Profa. Ana Neves proferiu uma interessante palestra sobre os impactos organizacionais das ferramentas sociais da Web 2.0. De forma instigante, esta pesquisadora portuguesa que atualmente trabalha na Inglaterra nos apresentou as possibilidades e benefícios da utilização de blogues, wikis, tags, social bookmarkings, RSS feeds, enquetes, mashups e comunidades de relacionamentos (ao estilo de Orkut ou Facebooks) no dia-a-dia de trabalho das organizações. Trata-se, sem dúvida alguma, de uma quebra de paradigma, uma vez que as organizações tradicionais tendem a bloquear a utilização da imensa maioria das ferramentas acima, considerando que elas afetam a produtividade de suas equipes e até mesmo colocam em risco a segurança da organização. Contudo, concordo com a profa. Ana Neves quando ela afirma que os benefícios que advém destas ferramentas e das redes sociais que elas suportam superam quaisquer pontos negativos que possam ser identificados e, ao contrário do que prega o senso comum, tendem a aumentar significativamente a capacidade e a qualidade produtiva da organização. Como direcionamento final, a profa. Ana deixou claro que, apesar das inúmeras possibilidades das ferramentas apresentadas, são as pessoas que devem estar no centro das ações organizacionais e que o fomento das redes sociais dentro das organizações passa, necessariamente, pela definição de políticas de Gestão de Pessoas pautadas pela ética e pela valorização das competências.

Após o almoço, o evento se dividiu em três threads e eu optei por assistir à uma série de apresentações de casos brasileiros em colaboração com Web 2.0. O primeiro case foi apresentado por Cezar Taurion da IBM, que descreveu de forma suscinta inúmeras iniciativas da BIG BLUE utilizando ferramentas de Web 2.0 para fomentar a colaboração e a inovação na empresa. A seguir, Adriana Taets apresentou o site do Fórum Brasileiro de Seguranção Pública, destinado a ser um espaço para que agentes de segurança pública, sobretudo policiais, discutam, questionem e, de forma colaborativa, contribuam para a melhoria da segurança no Brasil. Ainda na área de segurança pública, o prof. Dr. Vasco Furtado apresentou o site wikicrimes.org, um mashup que combina o serviço de mapas do google com uma ferramenta de colaboração na qual qualquer usuário pode relatar a ocorrência de um crime, apontando no mapa o local em que se deu o fato. À partir destas entradas, o site fornece uma série de informações tais como regiões mais inseguras ou com maior insidência de determinado tipo de delito. Segundo o prof. Vasco, o objetivo do projeto é prover à população informações preventivas bem como ser mais um indicador a disposição dos agentes de segurança pública para a adoçãO de ações de repressão e combate à violência. Além dos cases acima, Fabiana Zanni apresentou algumas iniciativas da editora Abril para a construção de conteúdo colaborativo nas revistas do Grupo. Me parece muito claro que as ferramentas da web 2.0 são fundamentais para a implementação de ações promotoras de colaboração nas organizações e que, cada vez mais, estão surgindo novas e criativas idéias de colaboração suportadas por estas ferramentas e suas incríveis possibilidades.

A próxima atividade da qual tomei parte foi uma mesa de discussões sobre práticas de Gestão do Conhecimento voltadas para o compartilhamento. Quatro organizações (EletroNorte, Petrobrás, Fundação Oswaldo Cruz e COPEL) apresentaram cases de práticas de GC por elas adotadas e que produziram resultados positivos no contexto de seus negócios. As apresentações foram bastante resumidas em função das limitações de tempo do evento, mas os relatos destas empresas reforçam a percepção de que mais e mais organizações estão se conscientizando da importância do conhecimento para a plena viabilização de suas estratégias negociais. Este fato, independentemente dos incipientes resultados até agora alcançados, já representa uma grande vitória para todos aqueles que vem pesquisando e desenvolvento a GC no mundo todo.

Para encerrar este rico primeiro dia de evento, tive a honra de assistir à uma mesa de discussões sobre o futuro da Gestão do Conhecimento (com enfoque no Governo) com a participação de Ana Flávia Fonseca (uma brasileira que é consultora do Banco Mundial em Washington DC e professora de GC na Universidade de Mariland), Fábio Batista do IPEA – Instituto de Pesquisa em Economia Aplicada, Roberto Agune da Secretaria de Gestão do Estado de São Paulo e Luis Arlindo Correia da Secretaria de Fazenda do Estado da Bahia, além da profa. Sonia Goulart que atuou como coordenadora desta mesa de discussão. Dada a qualificação técnica e a experiência dos participantes, esta discussão foi uma das mais fecundas deste dia. Os conhecimentos socializados foram extremamente relevantes para a avaliação da atual situação da GC, bem como para a prospecção de seus próximos passos. As principais idéias explicitadas nesta discussão foram:

Dificuldades existentes:
– De maneira geral, os programas de implementação de GC são criados fora da estrutura real de poder, carentes de orçamento e infra-estrutura adequados;
– Atualmente, os colaboradores não são avaliados por sua capacidade de compartilhamento de conhecimento, mas principalmente por seus resultados individuais;
– Ainda existe uma forte resistência por parte das gerências médias quanto a efetiva adoção de programas de GC;
– Em sua maioria, os programas de GC não se iniciam nas atividades core da organização, onde poderiam demonstrar de forma mais evidente seus benefícios;

Pontos positivos:
– Apesar de todas as dificuldades, o conhecimento já é amplamente reconhecido como um ativo organizacional;
– As organizações estão percebendo a possibilidade de disponibilizar novos serviços baseados em conhecimento;
– Vem crescendo a integração entre clientes, colaboradores e parceiros;
– As abordagens de gestão de pessoas vêm sendo aprimoradas a fim de fomentar as ações de GC;
– A adoção de programas de GC têm propiciado uma evolução da infra-estrutura de informação, concretizada na forma de portais corporativos, aplicações inteligentes, etc;

Conclusões:
– Os programas de GC têm mais chances de sucesso quando criados para resolver problemas reais relacionados às atividades core da organização;
– É aconselhável alterar os processos organizacionais, inserindo atividades que propiciem momentos de compartilhamento de conhecimentos relacionados àqueles processos;
– As redes informais são a base para a disseminação do conhecimento nas organizações;
– O papel da tecnologia é suportar as criação de redes sociais, facilitando assim o compartilhamento dos conhecimentos;
– É fundamental que os interesses das pessoas envolvidas nos programas de GC sejam considerados quando do planejamento das ações a serem adotadas;
– A Gestão do Conhecimento não é um fim em si mesmo, mas uma forma de se alcançar um objetivo maior da organização;

Para finalizar bem o dia, ao final desta mesa de discussão, foram sorteados alguns livros e eu fui um dos felizes ganhadores da nova edição da obra “Gestão do Conhecimento no Brasil – casos, experiências e práticas de empresas públicas” organizado pela profa. Maria Terezinha Angeloni.

Bem pessoal, este foi um resumo deste 1o. dia do KM BRASIL 2008 aqui em São Paulo. Amanhã volto com um novo post, compartilhando com vocês minhas impressões sobre o 2o. dia deste fantástico evento.

Grande abraço,

Marcelo Mello

Voltando a compartilhar

Olá pessoal, fiquei alguns dias sem conseguir escrever nenhum post devido ao elevado número de compromissos no trabalho e no Mestrado. Em compensação, tenho a imensa satisfação de voltar a utilizar este nosso espaço de compartilhamento de idéias e criação de conhecimento diretamente de São Paulo, onde estou participando do evento KM BRASIL 2008. Trata-se do maior congresso de Gestão do Conhecimento da América Latina, promovido pela Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento, e que teve seu início hoje, 27/08/2008 e vai até a próxima sexta-feira. Cheguei a São Paulo ontem à noite (depois de um exercitar a minha paciência no aeroporto de Brasília, pois decolou com três horas de atraso) e hoje pela manhã estava, junto com outras centenas de entusiastas da GC, ansioso por ouvir, discutir e aprender mais sobre como tornar o conhecimento um recurso estratégico agregando valor à organização. Em seguida, segue outro post contendo um resumo das idéias, bem como minhas impressões sobre as palestras, mesas de discussão e relatos técnicos que tive oportunidade de participar neste primeiro dia de evento.