Resenha do livro “Sincronicidade, o caminho interior para a liderança” de Joseph Jaworski

Caríssimos,

Durante a fascinante jornada do meu Mestrado e, sobretudo, da construção da minha dissertação, me deparei com muitos livros e artigos profundamente interessantes e inspiradores e, certamente, um dos que mais me influenciou foi o livro “Sincronicidade, o caminho interior para a liderança” de Joseph Jaworski.

Eu já havia tido contato com as idéia de Jaworski quando li o instigante livro “Presença”, escrito por ele, Peter Senge, Betty Sue Flowers e Otto Scharmer (obra sobre a qual oportunamente escreverei por aqui). Aliás, “Sincronicidade” já começa com uma brilhante introdução escrita por Peter Senge, na qual ele afirma, entre outras coisas, que este livro é leitura obrigatória para qualquer pessoa que leve a liderança a sério. Senge apresenta ainda seu entendimento de que vivemos em um mundo de possibilidades e que é necessário substituir os tradicionais e rígidos modelos mentais mecânico-newtonianos por uma visão de mundo que privilegie o comprometimento e o protagonismo para com a vida. É neste contexto que Senge introduz o termo Sincronicidade, apresentando-o como um resultado de uma nova forma de pensar sobre a vida e seus fenômenos.

Para conceituar o que vem a ser a Sincronicidade, Jaworki recorre às idéias de  C. Jung em sua clássica obra “Sinchronicity: An Acausal Connecting Principle”, na qual o autor define a sincronicidade como “uma coincidência significativa de dois ou mais eventos em que algo mais do que a probabilidade do acaso está envolvida”. O livro de Jaworki explora as distinções e conceitos relacionados à Sincronicidade no contexto de sua própria história de vida, iniciando por sua bem sucedida (porém carente de significado) carreira de advogado, passando pelo quiebre de seu divórcio do primeiro casamento e descrevendo então a profunda jornada de auto-conhecimento e transformação de seus modelos mentais que o levaram a “jogar tudo para o alto” e seguir em busca da construção e consolidação do American Leadership Forum, sua contribuição para o futuro que, como ele veio a descobrir, ansiava por emergir.

Ao longo de sua jornada, Jaworki relata alguns encontros “mágicos” (pontuados como evidências da Sincronicidade) com pessoas que o ajudaram e inspiraram na compreensão e concretização de sua missão. Dentre tais encontros, ele destaca suas conversas com David Bohm, John Gardner e Francisco Varela, as quais foram poderosas forças catalisadoras para a continuidade do seu trabalho.

Jaworski apresenta também o que ele chama de armadilhas, ou nas suas próprias palavras, “qualquer coisa que cause um retrocesso à velha forma de pensar e agir, retardando assim nosso desenvolvimento como parte do processo generativo em desdobramento”.

A primeira armadilha é a da Responsabilidade, a qual nos leva a sentirmo-nos responsáveis por tudo e por todos que estão envolvidos em nossos projetos, ou seja, trata-se de uma supervalorização do nosso papel no processo em curso. Esse senso de responsabilidade excessiva acaba por afetar nossa produtividade e limitar nossa capacidade de atuação.

A segunda armadilha identificada pelo autor é a da Dependência, a qual nos leva a acreditarmos que todo o processo depende de algumas pessoas ou processos-chave e que se esses elementos não estiverem presentes, tudo estará perdido. Para superar essa armadilha, Jaworski afirma que é preciso focar no resultado e não ficar preso a nenhum processo ou pessoa em particular para alcançá-lo, ou seja, é preciso ter flexibilidade diante dos obstáculos. Ele afirma ainda que tanto a armadilha da responsabilidade quanto a da dependência surgem a partir do medo de não haverem alternativas. Todavia, sempre existem alternativas, nós é que, muitas vezes, não somos capazes de enxergá-las.

Jaworski apresenta ainda uma terceira armadilha, a da hiperatividade. Essa armadilha consiste no risco de nos perdermos em meio ao grande volume de atividades e compromissos gerados pelo processo que estamos conduzindo e, dessa forma, nos desconectarmos de nosso propósito original.

Uma das principais mensagens desta obra de Jaworski é a de que a liderança consiste em descobrirmos como podemos moldar coletivamente o nosso futuro. Ainda segundo ele, “a liderança diz respeito à criação, dia a dia, de um domínio no qual nós e os que se encontram ao nosso redor continuamente aprofundemos nossa compreensão da realidade e sejamos capazes de participar da formação do futuro”.

Caros amigos, “Sincronicidade” é um livro poderoso, cheio de conceitos e distinções que nos instigam e que desafiam a visão de mundo tradicional e fragmentada. Compartilho da opinião do grande Peter Senge de que está é, sem dúvida, uma obra obrigatória para todos aqueles que levam a sério o tema da Liderança ou que, de alguma forma, desejam contribuir para a construção de um futuro melhor.

grande abraço,

Marcelo Mello

Sincronicidade: o centímetro cúbico de oportunidade

Amigos,

compartilho com vocês mais um profundo trecho dentre os textos sobre os quais tenho me debruçado em minha jornada para conclusão do Mestrado:

“Todos nós, quer sejamos guerreiros ou não, temos um centímetro cúbico de oportunidade que surge em frente aos nossos olhos de tempos em tempos. A diferença entre um homem comum e um guerreiro é que o guerreiro está consciente disso, e uma de suas tarefas é permanecer alerta, esperando deliberadamente, de forma que quando seu centímetro cúbico aparecer ele possua a velocidade e a agilidade necessárias para aproveitá-lo.”

Carlos Castañeda, extraído do livro Sincronicidade (pág. 107) de Joseph Jaworski

Certa vez ouvi alguém dizer que o Sucesso poderia ser definido como o encontro entre a Vontade e a Oportunidade. Penso que a Vontade pode ser expressa no constante estado de atenção e na incessante busca pelo crescimento pessoal que nos tornarão aptos a usufruir do nosso precioso centímetro de oportunidade, quando ele se apresentar diante de nós.

 

grande abraço,

 

Marcelo Mello

Caracterizando a liderança I – Sincronicidade

Caríssimos,

durante meu exame de qualificação no Mestrado uma das questões que emergiu nas conversações de feedback foi: “por que precisamos tanto de Liderança?”

Creio que um caminho para tentar responder a essa instigante questão seja buscar compreender mais profundamente o que vem a ser a liderança, sobretudo no contexto atual. Sendo assim, decidi registrar e compartilhar aqui, neste espaço de criação de conhecimento, as caracterizações que estou encontrando ao longo de minhas leituras para o que vem a ser essa tal Liderança.

Segue abaixo a caracterização de Joseph Jaworski, fundador do American Leadership Forum e autor do livro Sincronicidade, do qual extrai o seguinte contribuição:

“Liderança é a liberação de todas as possibilidades humanas. Um dos requisitos principais para a boa liderança é a capacidade de inspirar as pessoas no grupo: movê-las, encorajá-las e colocá-las em atividade, depois ajudá-las a continuar centradas, focalizadas e operando com capacidade plena. Um elemento-chave dessa capacidade de inspirar é comunicar às pessoas que você acredita que elas fazem a diferença, que você sabe que elas possuem algo importante para dar. A confiança que você demonstra nos outros vai, até certo ponto, determinar a confiança que eles demonstram em si mesmos.”

Amigos, e vocês, o que pensam acerca deste fascinante tema chamado Liderança? Vamos juntos, compartilhar ideias e criar conhecimento.

abraço,

Marcelo Mello

Aprendendo… incorporando aquilo que a mente já entendeu…

Caríssimos amigos,

compartilho mais um belíssimo texto, extraído do prefácio do meu mais novo livro:

“Se alguns ainda são dominados por seus antigos maus hábitos, e ainda assim podem ensinar por meio de meras palavras, deixe que ensinem… pois talvez, por se envergonharem por força das próprias palavras, comecem finalmente a praticar o que ensinam.”

São João Clímaco*, extraído do prefácio do livro

“Sincronicidade” de Joseph Jaworski (pág. 12)

 

* São João Clímaco foi um monge contemplativo que, aos dezesseis anos, deixou sua vida e foi para o Mosteiro do Monte Sinai. Aos 35 anos isolou-se numa cela e lá permaneceu por mais de quarenta anos, recebendo visitas de enorme número de religiosos em busca de sua sabedoria e de seus conselhos. Tornou-se então o abade do Mosteiro do Sinai e escreveu seu livro A Escada da Ascenção Divina, até hoje um clássico da literatura monástica.