Resenha do livro “Foco” de Daniel Goleman

Queridos leitores,

Em seu mais recente livro, Daniel Goleman, pesquisador mundialmente conhecido por seus trabalhos relacionados à Inteligência Emocional, explora o tema da atenção como peça chave para o sucesso de indivíduos e organizações.

A exemplo de seus trabalhos anteriores, as proposições de Goleman estão fundamentadas em amplos estudos na área da Neurociência, os quais têm avançado sensivelmente no que se refere à compreensão do funcionamento do cérebro humano em toda sua complexidade.

Foco

O livro explora inicialmente alguns conceitos básicos daquilo que Goleman chama de “anatomia da atenção”. Dentre as distinções mais importantes apresentadas pelo autor, estão as de mente ascendente e mente descendente, em referência às diferentes regiões cerebrais que controlam o funcionamento, respectivamente, de nossa capacidade de atenção involuntária (mente a deriva) e atenção voluntária (foco intencional).

Todo o livro está assentado em uma distinção chave chamada de Foco Triplo da Atenção: o foco interno, o foco no outro e o foco externo. Segundo Goleman, “o foco interno nos põe em sintonia com nossas intuições, nossos valores principais e nossas melhores decisões. O foco no outro facilita nossas ligações com as pessoas das nossas vidas. E o foco externo nos ajuda a navegar pelo mundo que nos rodeia”. Goleman ainda afirma ser fundamental buscar um equilíbrio entre estes três focos, a fim de que possamos atingir um nível pleno de atenção.

O autor ainda aborda a relação entre atenção e liderança, tendo como pano de fundo a necessidade de construção de modelos de liderança e de negócios mais conscientes e sustentáveis.

Trata-se, sem dúvida alguma, de um livro muito interessante e que apresenta distinções bastante relevantes e úteis para o contexto atual de nossa humanidade, repleto de desafios extremamente complexos e demandante por decisões cruciais para o futuro de nossas organizações, comunidades e do planeta como um todo.

 

Grande abraço,

 

Marcelo Mello (Direto de Natal – RN)

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Diplo – Módulo Multicultural en Chile

Hola,

escrevo este post aqui do Chile, onde tive a grata satisfação de participar do Módulo Multicultural do Diplomado Internacional em Logros Organizacionales – Diplo, em Viña del Mar (para mais informações sobre o Diplo no Brasil, clique aqui).

Anteriormente, já havia participado dos Módulos de Gestão Ontológica com Ivonne Hidalgo e de Desenho de Futuros com Elena Espinal, os quais foram, sem dúvida alguma, profundas experiências de aprendizagem e, agora, tive novamente o privilégio de estar junto a Ivonne e Elena, além de Fernando Sanz Ford, que irá conduzir o quarto e último módulo do Diplo, em Maio próximo, acerca do tema da Liderança.

Mas antes de falar um pouco sobre o evento, gostaria de compartilhar algo que me impressionou profundamente durante meu voo até Santiago: a travessia da Cordilheira dos Andes. Vislumbrar a magnitude e imponência daquele vasto conjunto de montanhas foi, sem dúvida alguma, uma experiência única e profundamente impactante, a qual veio reforçar um tema sobre o qual tenho refletido nos últimos meses: a necessidade de desenvolvermos níveis mais amplos de consciência a fim de construirmos uma relação sustentável com o nosso Planeta.

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Retomando ao Módulo Multicultural, confesso que estava bastante apreensivo com esta viagem ao Chile, em grande parte, creio, por se tratar de minha primeira viagem ao exterior, contudo, o acolhimento que recebi, acompanhado de um senso de pertencimento característico do ambiente do DIPLO rapidamente dissolveram todo e qualquer medo e imediatamente pude me conectar ao lugar do evento e às pessoas que vieram dos mais variados países da América Latina para participar desta fantástica experiência.

multicultural

Ao longo de uma semana, estudamos a instigante Teoria da Dinâmica Espiral, visitamos uma Vinícola que pratica a agricultura Bio Dinâmica, bem como um Porto Pesqueiro onde os pescadores estão aprendendo como formar uma organização efetiva e que traga melhorias para sua qualidade de vida. Tive o privilégio de estabelecer conversas muito significativas com diversas pessoas, de diferentes lugares e com distintas culturas, mas todas com belas e ricas histórias de vida.

Foram muitas as emoções, distinções e ações que tiveram lugar nos cinco dias de evento e, certamente, voltarei ao Brasil (depois de uma rápida visita a Santiago), muito diferente de como parti.

Agora penso que os desafios são aprofundar a compreensão acerca das distinções apresentadas e colocá-las em prática nos significativos desafios adaptativos que se apresentam cotidianamente em nossa caminhada.

Quero ainda registrar meu sincero e profundo agradecimento a todos que realizaram este módulo Multicultural, seja organizando, facilitando ou participando, por todo o cuidado e generosidade que caracterizou nossa convivência, e dizer que tenho convicção de que em breve estaremos aprendendo e celebrando juntos novamente.

Um especial agradecimento cabe a meu Mestre Gentil Lucena, Diretor do Labcon (Laboratório de Conversas), que o parceiro estratégico do Diplo no Brasil e tem sido o grande responsável pelas profundas transformações que tenho vivenciado ao longo dos últimos anos. Vale a pena conhecer o trabalho do Labcon!

 

abraço,

Marcelo Mello (preparando-me para retornar ao Brasil!)

Estratégia proativa, responsabilidade socioambiental – Palestra com Mário Cortella

Prof. Mário Sergio Cortella

Prof. Mário Sergio Cortella

Caríssimos amigos,

na última quinta-feira tive o privilégio de participar de uma palestra com o filósofo, professor e escritor Mário Sergio Cortella. O evento ocorreu no auditório do Complexo de Tecnologia do Banco do Brasil em Brasília (meu local de trabalho) como parte da edição 2009 do “Ciclo do Conhecimento”, promovida pela Diretoria de Tecnologia do Banco do Brasil.

O auditório estava lotado para receber o sempre simpático professor Cortella que com seu imenso carisma e vastíssimo conhecimento conduziu a audiência durante aproximadamente 2 horas por reflexões, ao mesmo tempo simples e profundas, acerca de nossa responsabilidade perante nosso planeta. Com muito bom humor e inteligência ele nos falou sobre o ritmo acelerado das mudanças que caracteriza nossa sociedade atual, assim como explicitou sua posição de que a crise pela qual o mundo atravessa é muito mais uma crise ética do que econômica e instigou-nos a refletir intensamente sobre a formação que temos dado aos nossos filhos. Acerca deste ponto em especial, ele citou uma frase bastante impactante: “O mundo que vamos deixar para nossos filhos depende fundamentalmente dos filhos que vamos deixar para esse mundo“.

Cortella afirmou ainda que a Sustentabilidade depende de cada um de nós, de nossas pequenas ações, as quais devem ser fundamentadas naquilo que é eticamente certo e não apenas no que se apresenta operacionalmente prático. Ele salientou ainda que todos devemos buscar empreender as nossas ações com capricho, ou seja, fazendo sempre o nosso melhor e afastando-nos assim da mediocridade que ocorre exatamente quando, deliberadamente, deixamos de imprimir o melhor de nós em nossas realizações.

Ciclo do Conhecimento

Cortella ainda repetiu por diversas vezes que não podemos esperar que “alguém faça alguma coisa” diante das injustiças e do sofrimento de nossos semelhantes, mas que devemos todos ter uma postura ativa e proativa na solução dos problemas que estão ao nosso alcance, ou seja, “eu tenho que fazer alguma coisa!!!”.

A síntese da palestra de Cortella, a meu ver, pode ser descrita da seguinte forma: cada um de nós é responsável por fazer desse mundo um lugar sustentável, e o faremos por meio da consciência de que somos responsáveis por fazer de nossos filhos seres humanos dignos e solidários, ao agirmos de maneira ética e caprichosa em nosso dia-a-dia e ao compreendermos que a sustentabilidade do planeta passa, necessariamente, pelo respeito à vida e pelo amor aos nossos semelhantes.

grande abraço,

Marcelo Mello

A história das coisas

Pessoal,

gostaria de compartilhar com vocês um excelente vídeo que questiona, essencialmente, o atual modo de vida de nossa humanidade, fundamentado no consumo desenfreado e no desperdício de nossos, cada vez mais escassos, recursos naturais. Apesar de não ser dos mais curtos, recomendo fortemente que vocês dediquem alguns minutos para escutar as idéias apresentadas e mais algum tempo na reflexão acerca de nosso papel na construção do futuro do planeta.

grande abraço,

Marcelo Mello

A empresa viva (compartilhando emoções)

Pessoal,

estou concluindo a leitura do livro a Empresa Viva e acabei de me deparar com um trecho que me emocionou verdadeiramente. Eu sempre entendi o capitalismo e as relações econômicas que regem a sociedade contemporânea de uma forma muito pragmática, “as coisas são como são e é óbvio que na guerra do capitalismo haverão baixas, mas estas são parte natural de uma guerra” pensava eu no auge de minha limitada análise de causa-efeito. Contudo, fazer parte do programa de Mestrado, e mais especialmente da disciplina de APO, tem ampliado significativamente minha capacidade de visão e de reflexão, fazendo-me perceber que, na complexidade que rege nossas vidas e nossas relações sociais, residem muitos outros fatores que são solenemente ignorados pela lógica mecanicista e cruel que governa nossa sociedade (e moldava meus modelos mentais até então). Dentre tais fatores, entendo que o mais fundamental é nossa humanidade, nossa capacidade de realizarmos plenamente nossa natureza de seres sociais e que precisam viver em coletividade. Por tudo isso, acredito, o trecho da obra Arie de Geus, o qual transcrevo abaixo, tenha tocado tão forte em meu coração:

” Veja as cidades usineiras da Nova Inglaterra, ou as conseqüências das indústrias agonizantes na região das Midlands, no Reino Unido. Em plena Grande Depressão, sessenta anos atrás, o escritor inglês J.B. Priestley formulou a necessidade de continuidade dos negócios, conforme reproduzido abaixo de seu English Journey:

O setor teve de ser ‘racionalizado’; e a National Shipbuilders’ Security Ltd. procedeu à compra e posterior fechamento dos então chamados estaleiros ‘redundantes’… Stockton e o restante se tornaram inúteis como centros para novas empresas. Foram relegadas à decadência. E isso talvez não tivesse importado muito, porque os tijolos daquelas cidadezinhas não são sagrados, salvo por um único fato. Há pessoas vivendo nesses lugares relegados à decadência. Algumas dessas pessoas também estão decaindo e definhando.
Parece que essas pessoas foram esquecidas; ou talvez equivocadamente tomadas por pedaços de velhos maquinários, lá deixados enferrujando até virar pó… Você pode fazer um belo trabalho ao declarar os estaleiros de Stockton ‘redundantes’, mas não pode fingir que todos aqueles homens que trabalhavam naqueles estaleiros também sejam meramente ‘redundantes’… O planejamento não levou em conta o único item que realmente importa – as pessoas.”
(GEUS, 1998)

Abraço a todos,

Marcelo Mello

GEUS, Arie de. A empresa viva: como as organizações podem aprender a
prosperar e se perpetuar. Rio de Janeiro: Campus, 1998. 212 p.